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casos do nordeste
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Quixadá-CE: Objeto Voador Não Identificado Hoje não vou fazer uma crônica como as de todo dia; hoje, quero apenas dar um depoimento. Deixem-me afirmar, de saída, que nestas linhas abaixo não digo uma letra que não seja estritamente a verdade, só a verdade, nada mais que a verdade, como um depoimento em Juízo, sob juramento.
Por Rachel de Queiroz (Última página) 1970
Rachel de Queiróz: 'Não tem nada comigo, nem com o meu temperamento, com minhas crenças e descrenças. Isso de ontem EU VI'.
Escrevo do sertão, onde vim passar férias. E o fato que vou contar aconteceu ontem, dia 13 de maio de 1960, na minha fazenda "Não me Deixes", Distrito de Daniel de Queiroz, município de Quixadá, Ceará.
Seriam seis e meia da tarde; aqui o crepúsculo é cedo e rápido, e já escurecera de todo. A Lua iria nascer bem mais tarde e o céu estava cheio de estrelas.
Minha tia Arcelina viera da sua fazenda Guanabara fazer-me uma visita, e nós conversávamos as duas na sala de jantar, quando um grito de meu marido nos chamou ao alpendre, onde ele estava com alguns homens da fazenda. Todos olhavam o céu.
Em direção norte, quase noroeste, a umas duas braças acima da linha do horizonte, uma luz brilhava como uma estrela grande, talvez um pouco menos clara do que Vésper, e a sua luz era alaranjada. Era essa luz cercada por uma espécie de halo luminoso e nevoento, como uma nuvem transparente iluminada, de forma circular, do tamanho daquela "lagoa" que ás vezes cerca a Lua.
E aquela luz com o seu halo se deslocava horizontalmente, em sentido do leste, ora em incrível velocidade, ora mais devagar. Às vezes mesmo se detinha; também o seu clarão variava, ora forte e alongado como essas estrelas de Natal das gravuras, ora quase sumia, ficando reduzido apenas à grande bola fosca, nevoenta. E essas variações de tamanho e intensidade luminosa se sucediam de acordo com os movimentos do objeto na sua caprichosa aproximação. Mas nunca deixou a horizontal. Desse modo andou ele pelo céu durante uns dez minutos ou mais. Tinha percorrido um bom quarto do círculo total do horizonte, sempre na direção do nascente; e já estava francamente a nordeste, quando embicou para a frente, para o norte, e bruscamente sumiu, - assim como quem apaga um comutador elétrico.
Esperamos um pouco para ver se voltava. Não voltou. Corremos, então, ao relógio: eram seis e três quartos, ou seja, 18h45.
* * *
Pelo menos umas vinte pessoas estavam conosco, no terreiro da fazenda, e todas viram o que nós vimos. Trabalhadores que chegaram para o serviço, hoje pela manhã, e que moram a alguns quilômetros de distância, nos vem contar a mesma coisa.
Afirmam alguns deles que já viram esse mesmo corpo luminoso a brilhar no céu, outras vezes, - nos falam em quatro vezes. Dizem que nessas aparições a luz se aproximou muito mais, ficando muito maior. Dizem, também, que essa luz aparece em janeiro e em maio - talvez porque nesses meses estão mais atentos ao céu, esperando as chuvas de começo e de fim de inverno.
* * *
Que coisa seria essa que ontem andava pelo céu, com a sua luz e o seu halo? Acho que, para a definir, o melhor é recorrer à expressão já cautelosamente oficializada: objeto voador não identificado. Mas, não afirmo. Porém, isso ele era. Não era uma estrela cadente, não era avião, não, de maneira, nenhuma coisa da Natureza - com aquela deliberação no vôo, com aqueles caprichos de parada e corrida, com aquele jeito de ficar peneirando no céu, como uma ave. Não, dentro daquilo, animando aquilo, havia uma coisa viva, consciente.
E não fazia ruído nenhum.
* * *
Poderia recolher os testemunhos dos vizinhos que estão acorrendo a contar o que assistiram: o mesmo que nós vimos aqui em casa. A bola enevoada feito uma lua, e no meio dela uma luz forte, uma espécie de núcleo, que aumentava e diminuía, correndo sempre na horizontal, e do poente para o nascente.
Muita gente está assombrada. Um parente meu conta que precisou acalmar energicamente as mulheres que aos gritos de "Meu Jesus, misericórdia!" caíam de joelhos no chão, chorando. Sim, em redor de muitas léguas daqui, creio que se podem colher muitíssimos testemunhos. Centenas, talvez.
Mas faço questão de não afirmar nada por ouvir dizer. Dou apenas o meu testemunho. Não é imaginação, não é nervoso, não são coisas do chamado "temperamento artístico". Sou uma mulher calma, céptica, com lamentável tendência para o materialismo e o lado positivo das coisas. Sempre me queixo da minha falta de imaginação. Ah, tivesse eu imaginação, poderia talvez ser realmente uma romancista. Mas o caso de ontem não tem nada comigo, nem com o meu temperamento, com minhas crenças e descrenças. Isso de ontem EU VI.
* Rachel de Queiróz (já falecida) é uma consagrada escritora brasileira.
- Foto: Arquivo VF.
- Colaborou: J.J. Carvalho (BA).
- Produção: Pepe Chaves. © Copyright 2004-2007, Pepe Arte Viva Ltda.
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Contatismo: Fogo, ‘quente e frio’ nas Sete Cidades Um incrível caso de contatismo ocorrido nas cercanias do Parque Nacional das Sete Cidades, no Piauí, onde até as próprias sensações da testemunha foram de difíceis descrições.
Por Reinaldo Coutinho De Teresina-PI Para UFOVIA
Nas fantásticas Sete Cidades do Piauí, Nordeste do Brasil, se passou o caso do senhor Manoel Mendes.
FOGO ESTRANHO - Há muitos anos conhecemos uma antiga história fenomenal, que teria se passado nos bosques das Sete Cidades do Piauí, muito antes da criação do Parque Nacional. O fato se deu com o tio de um velho funcionário, falecido há uns dois anos era o senhor Aderson Mendes, que morava num sítio, próximo ao Parque Nacional.
Nos contou Aderson que, nos anos de 1930, seu tio, de nome Manoel Mendes, durante uma caçada pelas terras que depois seria o Parque Nacional das Sete Cidades, foi acometido por uma estranha aparição. Se configurou na forma de uma reluzente mulher, que carregava consigo três esferas brilhantes, de cores azul, vermelha e verde.
Esta enigmática dama teria atirado em seu tio a bola verde, o que provocou um frio danado. Depois a bola azul, que era quente... Mas, não precisamos continuar o relato do falecido Aderson, porque, somente em 2000 é que descobrimos que este tio dele ainda estava vivo, com mais de 90 anos. Morava em Piracuruca, cidade vizinha ao Parque. Foi aí que resolvemos procurar o ancião, para ouvir do próprio protagonista, a verdadeira história.
Pelo relato da testemunha pudemos observar que não havia a citada mulher fenomenal, mas algo como crianças (?). A entrevista a seguir, com a testemunha deste incrível caso de contato no Estado do Piauí foi extraída do livro Arrepios e Assombrações em Sete Cidades (Teresina-PI, 2001), de autoria desse articulista. O palavreado típico foi preservado.
O senhor Manoel Mendes, com mais de 90 anos, narrou sua insólita experiência.
Entrevista com a testemunha
Reinaldo Coutinho: Nos conte o caso com detalhes. Manoel Mendes: Isso faz muito tempo. Nessa época, ali pelo Riachão, dentro do atual Parque, só tinha um morador, o Chagas. Era o ano de 1933. Eu tava caçando com o João, que era meu sobrinho e afilhado. De repente, o cachorro começou a latir como se tivesse acuando alguma caça. Aí o menino me disse: Padrinho, acho que um mambira (caça) matou o cachorro. Ele tava dizendo aquilo, porque ouviu uma zoada medonha por cima do cachorro, que tava um pouco longe de nós. Aí eu disse pro menino: “Aquilo não é mambira, não. É coisa assombrada”. Aí, de uma vez, caiu um fogo em riba de nós, vindo de riba de umas pedras. Eu levava um candieiro na mão que foi pro chão. O menino também caiu no chão. Eu pelejando com o menino que tava caído, e o fogo por riba de mim.
RC: E como era esse fogo? MM: Era fogo encarnado, amarelo e azul...
RC: Tinha uma mulher no meio do lugar que saía o fogo? MM: Acho que não. Esse fogo vinha de riba de duas pedras. Lá em riba tinha uns meninozinhos, assim, como que mangando (zombando) de nós.
RC: E como eram esses meninozinhos? MM: Era assim, como quando a gente vai batizar, menino bem miudinho, tudo de roupinha branca, tudo de bonezinho. Eles ficavam passando, assim, de uma pedra para outra, assim, como se tivesse achando graça do meu vexame.
RC: E esse fogo era quente ou frio? MM: Era quente, frio e pesado demais. Era encarnado, de toda cor...Chegava até nós como se fosse uns tufos, umas bolas... Dava um negócio esquisito na gente. Eram bolas do tamanho de um pote...
RC: E o que o senhor fez? MM: No desespero, eu saquei uma peixeira e quando lá vinha mais um fogo na minha direção, eu furei ele. Aí, foi fogo pequeno pra todo lado. Aí, parece que as coisas morreram. Os fogos pequenos foram sumindo e não apareceu mais nenhum dos grandes. Também os bichinhos que riam da gente sumira de riba das pedras. Aí tudo voltou pra santa paz de Deus.
RC: E o seu sobrinho, o que aconteceu? MM: O tempo todo ele tava no chão, desfalecido. Alevantei ele e botei no ombro e carreguei até chegar em casa, depois de muito sofrimento. Ele só foi tornar no outro dia, mas passou mais uns dois sem falar, de tão apavorado que ficou.
RC: Seu Manoel Mendes, o que o senhor acha que era isso tudo MM: O povo diz que era ouro enterrado. Mas acho que não. Sete Cidades tinha muitas coisas medonhas nos tempos antigos...
INCÓGNITAS - Há décadas este estranho caso é corrente na região de Sete Cidades. Através da entrevista com o ancião, esclarecemos que não foi uma mulher fenomenal que atirou as bolas chamegantes, mas sim crianças (?) zombeteiras.
O senhor Manoel é uma pessoal de ilibada reputação na região. O sobrinho João, que o acompanhava, sempre contou a mesma história, antes de sua morte, há muitos anos.
O que seriam mesmo estes "meninos"? O que estavam fazendo? O que e porque atiraram as bolas chamegantes nos dois caçadores? Observem que as bolas multicoloridas eram frias e quentes, e pesadas! E dava um negócio esquisito neles.
Creio que jamais saberemos realmente o que se passou naquela caçada de Seu Manoel e do João em 1933.
* Reinaldo Coutinho é geólogo, pesquisador em arqueologia, folclore e ufologia.
- Fotos: Reinaldo Coutinho.
- Produção: Pepe Chaves. © Copyright 2004-2007, Pepe Arte Viva Ltda. |
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