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Inundações:
Onde está o socorro ao Norte e Nordeste?
Numa intensa temporada de chuvas, estados das regiões Norte
e Nordeste
do país estão com centenas de milhares de desabrigados.
Poucos assuntos tão graves do país foram
tratados com tanta displicência quanto o problema das enchentes que
desabrigaram centenas de milhares de pessoas nos estados do Norte e
Nordeste do Brasil. As cheias de 2009 nestas regiões foram inigualáveis a
outras ocorridas desde muitas décadas atrás.
Em diversos estados há pessoas já por vários
dias, isoladas e sem a menor condição de ter, não conforto, mas o mínimo
de dignidade. O tímido socorro enviado pelo governo, não conseguiu acessar
inúmeros locais e até então, não surtiu efeito esperado, se considerarmos
a quantidade de pessoas que está passando necessidades neste momento em
que você lê este artigo.
No interior e em algumas das capitais de estados
como
Ceará, Maranhão, Bahia, Amazonas, Tocantins e Pará (dentre outros) a situação está
além de precária. Nestas regiões economicamente pobres e distantes dos
grandes centros, populações inteiras foram praticamente largadas ao
esquecimento e à própria sorte. Não foi uma ou duas cidades, mas diversas
que tiveram 100% de inundação em suas áreas urbanas. E que República é
essa?
Se as cheias em Santa Catarina em 2008 causaram
transtornos, imaginemos o que se passa agora no Norte e Nordeste, onde os
rios são muito mais volumosos. Não bastasse isso, as populações desses
locais são de poder aquisitivo largamente inferior ao dos catarinenses e,
sem condições de acesso, sofrem de maneiras indignas e desumanas,
patrocinadas pelas irresponsabilidades públicas e civis.
Santa Catarina é um estado que possui uma
economia estável, onde a miséria não se compara com a dos estados do Norte
e Nordeste. Além disso, o estado sulista tem acessos mais viáveis que os
do Norte e Nordeste, o que facilitou o socorro e até mesmo o salvamento de
populações ilhadas que não tinham mais o que comer. Ao contrário, nas
regiões atingidas do Norte e Nordeste, os acessos à maioria dos municípios
prejudicados foram rompidos e de muitos locais isolados não se tem nem
notícias.
Centenas de milhares de
pessoas se amontoam em abrigos improvisados e contam somente com a sorte, muitas
rezam para que os temporais cessem. Os rios Amazonas, Negro e Tapajós
causaram estragos medonhos em suas respectivas regiões. Difícil
será contabilizar as perdas (até agora eu não vi
nenhuma estimativa a respeito) materiais e humanas. O que vi, do pouco que
a mídia tem mostrado, foram cidades inteiras tomadas pelas águas que
submergiram construções e buscaram a copa de frondosas árvores. Dezenas de milhares de famílias perderam tudo o que tinham de material;
tudo o que lutaram e trabalham durante uma vida inteira para conquistar.
Também vi o presidente Lula sobrevoar parte das regiões
atingidas
dias atrás (hoje ele está de viagem para países como Arábia Saudita e
China, tratando de negócios em nome dos ricos empresários do Brasil), sem,
no entanto, providenciar um socorro à altura ao seu próprio povo. Não vi, até
o momento, forças de
outros estados se deslocarem para estas regiões atingidas, como foi feito
em Santa Catarina. Também não vi a grande mídia promover campanhas para os
desabrigados do Norte e Nordeste, a exemplo das que foram promovidas por
redes de tevês, jornais, sociedade civil, entre outros, em benefício dos atingidos em Santa Catarina. Decerto,
estes "humanitários" veículos midiáticos não devem ter bons anunciantes por lá...
Diferentemente da catástrofe catarinense, a
iniciativa brasileira parece se calar e se omitir diante esta desgraça
vivida por tais populações, no sentido de se promover alternativas viáveis,
como a simples divulgação dos locais receptores de doações espontâneas.
Não vi até agora, uma campanha que seja, visando enviar em regime de
urgência, mantimentos e material utilitário aos desabrigados - com raras
exceções por parte do governo federal e de empresas de aviação que se
disponibilizaram a levar gratuitamente mantimentos para tais regiões.
Os “bons samaritanos”, sobretudo, das ricas
regiões Sudeste e Sul, deveriam olhar para cima e ver a necessidade que
urge nos estados alagados, mas, em vez disso, parecem ignorar o que se
passa. Por causa do contato humano com a água das enchentes, é de se prever que um grande número de doenças e moléstias também
atinja estes povos desamparados nos próximos dias. E quais as providências à altura estão
sendo tomadas pelas autoridades brasileiras no sentido de socorrer e
imunizar tais populações?
Não vi ninguém entrando em contato com as
defesas civis dos estados inundados, tampouco, divulgando endereços para
envio de donativos ou enchendo galpões imensos com materiais destinados a
essa gente. É lamentável que essas regiões, natural e historicamente
“esquecidas” por nossas autoridades, sejam ainda mais ignoradas agora, num
momento em que a sociedade brasileira deveria se mobilizar em busca de
socorro aos necessitados.
Enquanto isso, preferem discutir política,
sucessão presidencial, CPI da Petrobras e outras ações que, no fundo,
remontam nada menos que ações de politicagem e sede pelo poder. Onde estão
os governadores dos estados mais ricos do país que não enviam helicópteros
e mantimentos aos desabrigados, como fizeram quando da catástrofe no Sul?
Onde está o corporativismo nacional e as entidades civis e governamentais
habilitadas a prestar este tipo de socorro? Onde está o nordestino
presidente da República, senão no reino das “mil e uma noites”, do lado
oposto ao de seus conterrâneos necessitados, desfrutando o que há de bom e
melhor nesse mundo?
É triste ver tanta injustiça social, enquanto
senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores de todo o país
enchem suas panças e engodam suas nádegas com seus ricos salários.
Enquanto jogam dinheiro fora ou o roubam de mil e uma maneiras, os
verdadeiros donos destes recursos padecem sob a lama e água turva que
invadiram suas residências, retirando-lhes qualquer alento que poderiam
ter, numa situação de extrema dificuldade como esta.
Além disso, os governantes de todo o país
jamais se preocuparam em fazer valer planos diretores que retirem
definitivamente as suas populações das áreas de riscos ou inundáveis – e
isso é válido para a faixa habitável que vai do Oiapoque ao Chuí.
Mas, nem todo mal dura para sempre, a chuva vai
passar, as águas vão baixar e estas pobres pessoas vão voltar para suas
casas sujas e vazias e, por fim, estarão seguras novamente. Até as
próximas tempestades...
Este é o Brasil, o país das injustiças, dos
políticos corruptos, impunes, omissos e irresponsáveis, que se preocupam
apenas com seus status pessoal, com suas folhas de pagamento, reeleições e
salários milionários. São os mesmos políticos dissimulados, que se
candidatarão em futuros pleitos, enganarão seus povos por muito mais vezes
e serão novamente reeleitos.
Pepe Chaves
editor
www.viafanzine.jor.br
pepechaves@gmail.com
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Saúde:
Universidade administrando hospital?
Se depender de
sugestões de alguns cidadãos itaunenses,
mais um patrimônio público
pode estar prestes a ser entregue às mãos
da iniciativa privada.
Tenho ouvido correr na cidade uma conversa de que a
Universidade de Itaúna (UIT) pode vir a administrar o Hospital Manoel
Gonçalves de Souza Moreira (HMGSM) e isso muito me surpreende, partindo
dos meios e das pessoas em que tenho visto surgir tal “sugestão”.
Sobretudo, do ponto de vista que, estamos falando de um patrimônio público
(hospital), que se propõe que seja encampado administrativamente por uma
instituição de ensino superior privada (universidade).
Um acertado passo para tal aproximação entre
a casa de saúde e a instituição de ensino já foi dado, vez que a Câmara
Municipal de Itaúna, em recente reunião ordinária, indicou um dos nomes
sugeridos pelo reitor da UIT, qual foi escolhido o da senhora Elisa
Tarabal, apoiado por quase totalidade dos vereadores, para ser a
representante do Legislativo junto ao Conselho de Curadores da
Universidade de Itaúna.
Não sei o que a direção da UIT acha dessa idéia, já que
ainda não se manifestou publicamente, portanto, desconhecemos se a propaga
ou a combate. Destarte, o que vou comentar a seguir, se limita ao que se
foi tornado público, seja pela imprensa ou pelo boca-a-boca corriqueiro da
cidade que sempre chega aos meus "longínquos ouvidos". Reconheço que a
atual direção da Universidade de Itaúna (antes pública, hoje privada e sob
controle de um mesmo grupo) muito acrescentou ao patrimônio físico dessa
instituição, do ponto de vista da alvenaria. Mas, diga-se, as construções
que vieram através da atual administração foram concebidas em terrenos que
a Fundação Universidade de Itaúna (ora, pública) já detinha em seu poder.
Em tais terrenos, foram construídos prédios e feitos diversos
melhoramentos e implementos nas dependências físicas dessa instituição,
frisamos: dependências estas, fundadas em terrenos outrora doados pela
comunidade à Fundação Universidade de Itaúna. Mas se a instituição de
ensino superior progrediu em termos de extensão física, o mesmo não
podemos dizer sobre os resultados da qualidade de ensino oferecido por
essa instituição superior itaunense diante os indicadores do MEC, como o
ENADE, o IGC e a Capes.
A propósito, abordamos estes assuntos em
Via Fanzine recentemente, mas
estamos cientes que não apresentamos nada de novo, somente tornamos
público o que já fora publicado pelo MEC (está em seu site) acerca dos
conceitos da nossa UIT nos indicadores de qualidade educacional do
Ministério da Educação do Brasil.
Mas, voltando ao assunto saúde/ensino superior, a grande
pergunta que se faz aqui é: Por que a UIT é que deveria administrar a
única “Casa de Caridade” de Itaúna? Quais os verdadeiros fundamentos dessa
sugestão? Lembro que há também sindicatos na cidade ligados à saúde,
empresas de planos de saúde que há anos atuam em Itaúna e outras
instituições de grande envergadura na área e que também poderiam se
interessar por tal “missão salutar”. Bom, se é para uma casa de saúde
historicamente pública e que inúmeros serviços já prestou à cidade ao
longo de décadas ser administrada por um grupo privado, lembro que há
outras instituições e empresas que também poderiam se habilitar a “cumprir
tal missão” - já que a responsabilidade do Executivo para com a saúde
pública local se mostra totalmente nula, ao contrário do que ocorre em
qualquer lugar do mundo, onde logicamente, ocorreria o contrário: o
público receber o privado.
Se a proposta for esta, de entregar mais um patrimônio
público às mãos da iniciativa privada, seria justo que fosse melhor
debatida pela sociedade, por meio de audiências públicas e não por uma
dúzia de cidadãos que porventura se achem representantes de toda a sociedade. Agora,
se for constatado que o Executivo apóia tal idéia com o intuito de se
livrar da responsabilidade pela saúde local, tal ato deve soar como um
verdadeiro atestado de incompetência e comprova que, as manifestações e
denúncias acerca das péssimas atuações do atual governo nas questões
comuns do cotidiano itaunense, não são mesmo em vão.
Mas, alguns cidadãos podem rebater minhas colocações e eu
já adianto o serviço deles: a UIT, antes de qualquer outra instituição
itaunense deveria administrar o HMGSM, justamente, porque ela possui uma
Faculdade de Medicina. Sim, eu digo! Possui, uma Faculdade de Medicina
fundada há cerca de dois anos que não tem o menor reconhecimento acadêmico,
seja por sua evidente e natural imaturidade, ou pela falta do devido
respaldo junto aos indicadores educacionais do MEC.
Contudo, caso tal "acerto" venha a ocorrer, penso que a
atual administração da UIT, com certeza, teria competência e honestidade
para administrar o hospital local e poucos podem duvidar disso. Não coloco
em xeque o potencial de tal administração, a julgar pelo o que eu penso
dela própria ou por não achar correto transferir para a iniciativa privada
as questões de ordem pública; mas coloco que, não se toca em tal questão
que envolve interesses de toda uma sociedade sem antes esta ser
devidamente debatida, esclarecida, investigada, pesquisada e largamente
analisada, sobretudo, por aqueles que oferecem ou sugerem tal “solução”.
Não se pode fazer uma transação bizarra numa área vital como à da saúde
municipal, ao se colocar, nas mãos do primeiro que aparecer, por mais
privilegiado que este seja (se for, de fato) todo um patrimônio público,
deixado por um desprendido cidadão chamado Manoel Gonçalves de Souza
Moreira que não por coincidência empresta seu nome àquele hospital. É
preciso que se pense nas possíveis benesses, bem como nas consequências
(quiçá, irreversíveis) que tal medida pode causar a toda sociedade, ao se
passar para mãos privadas um patrimônio que vem sendo administrado de modo
público (seja bem ou mal) há cerca um século!
Inclusive, acho engraçado quando vejo determinadas pessoas
cobrando a “dilapidação” do patrimônio do Manoelzinho, mas se calando
diante da “usurpação” do patrimônio (que era) público da Universidade de
Itaúna, muito maior e diga-se, rentável e sem “problemáticas”. Lembremos
que o patrimônio da UIT não foi “dilapidado”, mas sim, transferido do
público ao privado, não em partes como o do hospital, mas de forma total e
irrestrita.
Ficam aqui várias perguntas às competentes autoridades e
demais cidadãos que propõem que a UIT administre o HMGSM: O que a UIT
poderia ganhar com isso, como instituição de ensino, já que está
legalmente habilitada a atuar é na área do ensino superior e não da saúde?
Quais os verdadeiros interesses teria a instituição FUIT em administrar o
único hospital público local e quais as suas propostas oferecidas para
solucionar os nossos notórios problemas hospitalares? Até que ponto seria
interessante para uma universidade (que forma médico), ter “controle
total” de um hospital público municipal? Caso venha administrar, seria
priorizado ali, o ensino dos estudantes ou a saúde dos pacientes? Caso a
UIT viesse a encampar administrativamente o hospital local, da ordem de
quanto seriam os investimentos promovidos pela Universidade de Itaúna, de
pronto, nos setores sabidamente mais precários e urgentes da casa de
saúde, tais como, equipamentos de ponta (e manutenção destes), materiais,
veículos apropriados, contratação de mais profissionais e etc? O que a UIT
teria a oferecer, além de simplesmente colocar um administrador à frente
do HMGSM? Quais são as verdadeiras vocações da UIT para com a área da
saúde, além de oferecer ao público os seus cursos de enfermagem e
medicina? De modo prático e executivo, o que credibilizaria a citada
instituição de ensino a administrar uma casa de saúde?
Gostaria de parar por
aqui, mas minha consciência me faz mais perguntas, ainda que não seja
eu quem deva respondê-las: Será que não haveria perigo de, futuramente,
este hospital - assim como ocorreu com a própria universidade,
notoriamente, aos poucos - passar para as mãos de um grupo privado que
porventura poderia “alterar” seu estatuto e “usurpar” mais um patrimônio
público local, após o mesmo ser estruturado de forma a se tornar
financeiramente rentável? Como o Ministério Público vê esta iniciativa e
como se manifestará diante à formalidade (caso ocorra) desta clara
proposta da transferência de mais um patrimônio público local para “mãos
privadas”? Qual seria a garantia de que uma possível “administração
universitária” atuando na saúde pública local iria sanar os nossos
notórios problemas dessa área primordial, a ponto de se permitir que isso
ocorra? E, o principal: Como os conselhos médicos a nível local, regional
(e outros) e, sobretudo, as entidades ligadas e os atuais administradores
e demais profissionais da saúde que trabalham nessa casa pública, encaram
esta proposta?
Portanto, esta questão a meu ver, não é nada fácil e se faz
muito séria. Por isso, é preciso que as autoridades – sobretudo, àquelas
muito bem pagas com dinheiro público - ajam com desprendimento e sem a
menor paixão por este ou aquele administrador que possa, porventura, tomar
frente à casa de saúde local, sobretudo, se tal medida envolver algum
comprometimento com a iniciativa privada.
Penso que, colocar mais um patrimônio público nas mãos de
terceiros é algo perigoso e lembro que o mesmo já fora feito com a nossa
própria universidade. E todos sabem que, por efeito disso, a UIT passou de
pública a privada, sem que a cidade (sua maior doadora) fosse de alguma
beneficiada com isso. Se nem cotas ou política para facilitar o ingresso
de itaunenses nas salas de aula dessa instituição existem, o que podemos
esperar destes mesmos administradores atuando na área da saúde?
Achar que tal medida vá resolver de pronto um antigo
problema é uma doce ilusão e pode gerar consequências viróticas à saúde
local. Por isso, reflitam! Sobretudo, aqueles que, como eu, também
nasceram ali na beira do São João, e nutre amor não somente por aquele
lugar, mas por tudo o que ele representa para a história itaunense. Por
isso, é preciso que as pessoas que coadunam e propagam esta idéia,
sobretudo, aquelas que desejam agradar a direção da UIT propondo a ela que
assuma tão grandes responsabilidades, não se precipitem e estejam cientes
que podem estar prestes a criar um processo irreversível, ao colocar toda
a máquina da saúde pública local nas mãos de uma instituição (hoje)
privada e que - até onde sabemos - não detém de forma prática ou até mesmo
palpável, técnicas ou tecnológicas, que poderiam soar como justificativas
para tal pretensão. Mas, se assim for feito, os frutos ou os podres de tal
empreendimento serão atribuídos a todos que, através de suas respectivas
responsabilidades sociais, agirão para que a criatura seja concebida.
Mas, seja quem for que venha a administrar o HMGSM (se
vier, em breve) é claro, contará com meu modesto, mas irrestrito apoio,
assim como contam os atuais diretores de nossa casa de saúde.
E, ainda que a nossa sensata e sábia sociedade, que elege
tão bem os nossos governantes (haja vista suas capacidades de resolver os
nossos problemas sociais no campo da esfera pública, como tenho visto...),
decida que o novo provedor do hospital seja o Bin Laden ou o
Demo Gênio, é certo que contará com meu apoio. Sobretudo, porque estou
falando do hospital da minha cidade, da casa onde eu nasci, ali, entre o
eterno rio São João e a velha estrada de ferro.
Ser cidadão é também prezar por estas
coisas. E zelar por elas.
Pepe Chaves
editor
www.viafanzine.jor.br
pepechaves@gmail.com
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Banalidade e
descaracterização do Ensino em Itaúna:
Beleza
plástica na escola
Secretaria de
Educação promove concurso de beleza
para professores da
Rede Municipal de Ensino.

Um "concurso educacional"
bisonho e preconceituoso
Em Itaúna-MG, a secretária de Educação e Cultura, Marisa
Pinto (irmã do prefeito) parece que entrou em desatino total e perdeu o
senso do ridículo, da responsabilidade e dos verdadeiros desígnios de sua
função. Enquanto alguns veículos da imprensa denunciam escolas sucateadas
e um teatro desmontado pelo
prefeito há quatro anos, a Secretária Municipal de Educação e Cultura
promove um concurso, no mínimo, bisonho.
Trata-se do concurso “Beleza
na Escola 2009”, voltado para as professoras da Rede Municipal de
Ensino, que vai eleger a "mais bela mestra", plasticamente falando. Ou
seja, mal se iniciou o ano letivo e, em vez de buscar qualificar seus
professores, nossa nobre secretária está buscando a mais bela professora
da Rede Municipal de Ensino.
Será que a
Superintendência Regional de Ensino e a Secretária Estadual de Educação
estão informadas deste "concurso educacional"?
Cartazes reprográficos estão espalhados pelas escolas
municipais e cada uma delas deverá apresentar a sua “miss”. Não
conseguimos entender porque uma secretaria municipal perde tempo com algo
de natureza pífia e até preconceituosa. Sim, preconceituosa, pois atenta
contra aqueles que estão fora dos padrões de beleza de um concurso desse!
Ou como se sentirão as professoras baixinhas, gordinhas, de idade
avançada, portadoras de necessidades especiais ou que de alguma forma não
se encaixam nos padrões “estéticos” deste “concurso educacional”? É uma
forma, a meu ver, de reprimir, sim, as verdadeiras mestras e que estão ali
para cumprir suas funções ensinando e não exibindo beleza exterior,
física, plástica. Este concurso deveria ser sim, um assunto de Ministério
Público, pois atenta a comunidade, desvirtua as verdadeiras funções e
distorce o conceito
do Ensino.
Quando achamos que vimos
todos os absurdos
Não é preciso ser gênio para saber desde já que a
verdadeira beleza destas professoras está somente no íntimo das mesmas e
será esta que encantará seus alunos e irá faze-los absorver na sala de
aula AQUILO O QUE É NECESSÁRIO PARA SUAS RESPECTIVAS FORMAÇÕES. Este
“concurso educacional” é uma afronta, além de grossa falta de respeito a
TODAS as professoras da rede municipal, pois Educação não é passarela!
Educação não é concurso de miss, não tem nada a ver com cabeça, ombros,
joelhos e pés. Educação nada tem a ver com beleza estética!
Mas, que “educação” é esta, que faz com que alunos em tão
tenra idade e em fase de aprendizado básico (qual influirá
sistematicamente em suas personalidades), se envolvam com assuntos de
beleza estética física? Será que é isto o que nossos filhos estão
aprendendo nas escolas municipais sob a batuta do PT: eleger as mais belas
mestras do ensino municipal? Não existiria uma forma mais sensata, menos
bisonha e inteligente de se gastar o dinheiro do contribuinte na Educação
em Itaúna?
No
cartaz do
concurso, de muito mal gosto por sinal, que traz um "belo" rosto
feminino, está grafado: "Até o dia 10/03/09: cada escola escolherá a
sua representante" e também, "Até o dia 15/03/09:
impreterivelmente, cada escola deverá apresentar o nome de sua candidata à
SEMEC". Com o agravante ao preconceito físico: "Observar os
quesitos: Elegância, Simpatia e charme".
Os fatos de Marisa Pinto ser irmã do prefeito ou não ter
experiência anterior nesta pasta tão importante que é a da Educação e
Cultura, não podem depor contra ela, até que ela mostre de fato os seus
serviços. Mas, primeiramente ela nos surpreendeu ao contratar como seu
diretor de Cultura, a mesma pessoa que ela processara meses atrás por
calúnia e difamação, causa ganha no tribunal local. Por isso, ela sabe que
deve uma explicação à sociedade local, já que é uma pessoa pública e como
tal, processou e contratou um mesmo cidadão, coisa no mínimo, inusitada.
E agora, ela, no início do ano letivo, nos surpreende
novamente, ao surgir com uma campanha nada educacional dentro das escolas
de Itaúna, buscando eleger algo como a “miss rede municipal”. Com isso, a
secretária nos mostra o quanto do dinheiro público e tempo inútil estão
sendo gastos com promoções ridículas e preconceituosas que, as próprias
professoras, que tenham o mínimo de sensatez, certamente, se recusarão a
participar de tal barbaridade "educacional".
É lamentável que esta administração pública do PT em Itaúna
possa ser tão eficiente para lesar diversas áreas essenciais ao cidadão:
educação, cultura, saúde e transporte são algumas delas, notoriamente,
“cheias de casos” que atestam nossas afirmações, dando conta de um
retrocesso social jamais visto pela sociedade itaunense. Exemplo disso, é
que a nossa digna secretária recebeu de um cidadão local uma proposta para
debate das alterações na ortografia portuguesa, mas sequer resposta enviou
ao proponente. Em vez disso, preferiu criar um concurso para enaltecer a
beleza física das professoras municipais. Inclusive, diga-se em tempo, que
a SEMEC sequer informou ao público, como será a transição da antiga para a
atual ortografia portuguesa na rede
municipal de ensino.
Mas, por falar em beleza, é preciso que algumas pessoas em
Itaúna tomem cuidado ao aplicar overdoses de botox no rosto. Alguns já
ficaram com “cara de balão a gás”, parece que vão explodir ou sair voando.
E há outros com cara de ET reptiliano. Há também quem se torna uma mistura
das duas coisas: balão reptiliano. Mas quem sou eu, como jurado de beleza,
não é mesmo?
Sinceramente, espero que nossos alunos da rede pública não sejam
influenciados por este tipo de atitude, superficial, de ordem puramente
plástica e que nada de didático ou instrutivo se acrescenta a alguém.
É esta a educação que você esperava para seus filhos e
netos?
Nota zero para a educação municipal em Itaúna.
Pepe Chaves
editor
www.viafanzine.jor.br
pepechaves@gmail.com
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Clique aqui para
ler
artigo e ver cartaz do concurso de beleza da SEMEC de Itaúna-MG.
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Itaúna-MG:
Cassação do prefeito: questão moral ou
política?
Para alguns, a cassação do mandato do
prefeito de Itaúna Eugênio Pinto (PT)
é uma questão de ciúme político, para
outros as alegações apresentadas são tênues,
diante várias outras razões muitos mais
fortes para a cassação.
Em Itaúna, o prefeito Eugênio Pinto enfrenta um processo de
cassação que já está em curso na Câmara Municipal e pode ser votado antes
de sua posse. O prefeito, que se encontra ausente e foi notificado pelo
diário Minas Gerais, órgão oficial do Estado, parece ignorar por completo
o chamado do Poder Legislativo Municipal para depor naquela casa.
Enquanto isso, algumas pessoas e veículos da imprensa “pintista”,
dentre os quais, alguns dos que mais faturaram com publicidades de seu
governo municipal, defendem agora em público que a possível cassação do
mandato de Eugênio Pinto ocorre por “ciúme” político. Chegaram a dizer que
a cassação é coisa articulada pelo grupo do deputado Neider Moreira,
inimigo político do prefeito. No entanto, temos visto que diversas pessoas
alheias a qualquer grupo político da cidade são favoráveis à cassação do
prefeito reeleito democraticamente, mas, com apenas 1% de vantagem sobre o
concorrente e com quase 70% de rejeição. Este resultado, naturalmente,
acarretará um preço para o reeleito e parece que a fatura já está correndo
na cidade.
Nem como pessoas ou como veículo de comunicação fundado e
sediado há 15 anos em Itaúna, jamais fomos ligados (ou ligado$) ao
político Neider Moreira, deputado estadual e vice-líder do governador
Aécio Neves na Assembléia Mineira. No entanto, assim como outros
itaunenses que também não são ligados ao ilustre deputado, nós defendemos
sim, aberta, pacífica e democraticamente, a cassação do prefeito
municipal. E assumimos esta postura publicamente, porque entendemos que
este é um direito democrático e deve ser a posição de qualquer cidadão ou
eleitor esclarecido da cidade de Itaúna nesse momento. Temos nossas razões
para tanto, tanto profissionais, quanto pessoais e quem acompanha nosso
trabalho jornalístico nos últimos anos, sabe do que estamos falando. E
generalizar é um erro, ao dizer que um grupo político opositor articula
uma cassação de um prefeito. Isso é mais que exagerar; é agir
tendenciosamente, pois dessa forma não se respeita àqueles que não possuem
vínculos políticos sequer e têm garantida liberdade de
opinar/convir/julgar com àquilo a que sua consciência optar.
Se por um lado há uma Câmara Municipal, cuja maioria dos
vereadores se portou inerte e sob cabresto desse mesmo prefeito durante
quase todo o seu mandato, nos momentos finais, os vereadores acordaram e
trabalham agora, dobrado, para efetivar a cassação do mandato do
Executivo. Isso, em pleno desempenho constitucional de suas funções.
As justificativas apresentadas e acatadas pela Mesa da
Câmara para instalar o processo
de cassação foram “quebra de decoro e abuso de poder econômico”, com base
em uma
entrevista concedida pelo prefeito a uma rádio local. Se esta é uma
questão política ou ética, somente o tempo ou a Justiça dirão. Mas antes
de ser uma ou outra coisa, é preciso que qualquer cidadão eletivo, na
qualidade de prefeito municipal, seja responsável ao usar um microfone de
radiodifusão pública. É preciso que ele arque com as conseqüências de suas
declarações e comprove de forma proba o peso de suas palavras -
independentemente do que "acha" a imprensa que o apóia, notoriamente, em
troca de verbas públicas.
Enquanto alguns acreditam que a cassação em curso é ato
político e não vai dar em nada, outros, e não são poucos, vêem diversas
arestas desse infeliz governo municipal que podem muito bem, em qualquer
tempo - inclusive em seu próximo mandato, se não for cassado antes -,
levar à cassação o seu responsável (ou seria “irresponsável”?). Eu falo de
atos passíveis de investigações mais aprofundadas, como por exemplo, o
pagamento de centenas de milhares (quase R$ 2 milhões) de reais em
“projetos” que nunca saíram ou sairão do papel adquiridos de uma empresa
privada, para uma suposta retirada dos trilhos férreos do centro da
cidade, coisa que nunca aconteceu e provavelmente jamais acontecerá e que,
informados fomos, não é de competência da Prefeitura de Itaúna, mas do
Estado.
Igualmente ímprobo e passível de intervenção judicial, foi
o atrofiamento arquitetônico da entrada da cidade e adulteração do projeto
original onde o “nosso inteligente” prefeito amputou uma das pistas de
entrada para construir uma injustificável e verdadeira cômica “ciclovia”
com menos de 500 metros de extensão. A meu ver, isso é caso de Polícia, ou
melhor, de Justiça.
Também injustificável ao erário público, foi a compra de um
terreno de um empresário “amigo do prefeito” para a construção do que
seria um “parque municipal” que jamais saiu do papel - ainda que fosse
alertado por nós que a prefeitura já detinha um terreno muito mais
apropriado, SE O PREFEITO QUISESSE MESMO CONSTRUIR UM PARQUE MUNICIPAL.
Quem ganhou com a compra desse terreno? O município? Se foi, me diga onde!
Agora, se o município gastou dinheiro com um terreno para não fazer nada
com ele, é lógico que ALGUÉM saiu ganhando nesse negócio. E quem seria?
Bom, eu não sou pago para descobrir este tipo de coisa, para tanto, até
onde sei, o Estado dota as cidades com suas Comarcas para apurar questões
desses níveis.
Mas,
também comprovadas improbidades dessa infeliz
administração, foram a destruição e reconstrução (por forças judiciais) do
coreto da Praça da Matriz, bem como a descaracterização da fachada do
prédio histórico do museu municipal, denúncia que somente este veículo
fez, onde o “brilhante” prefeito, mandou colocar calhas à vista em
destaque. Pior que isso, foi ele ter destruído fisicamente o teatro local
e permanecer com ele fechado durante todo o seu mandato e ainda assim,
continuar contratando e pagando salários para cerca de dez funcionários
inativos que permanecem num teatro fechado e num departamento cultural
TOTALMENTE sucateado e entregue às baratas oportunistas da cidade. Isso
não é improbidade? Um administrador que promove tamanhas destruições no
patrimônio arquitetônico de uma cidade e promove transações duvidosas com
o erário municipal é passível de continuar governando por mais quatro
anos? Onde a Justiça permitiria tamanhas aberrações? Em Itaúna?
E mais uma vez eu pergunto: onde estão as autoridades do
Judiciário municipal de Itaúna que, muito bem pagas pelo Estado para
tanto, não fiscalizam estas denúncias que fazemos aqui ao longo desses
últimos quatro anos? Será que, como já disse, a Justiça em Itaúna além de
“cega” é também surda-muda?
Matemática é uma ciência exata, portanto, incontestável. E
não é preciso que os nossos digníssimos promotores da Comarca de Itaúna
sejam diplomados em Matemática, para comprovarem diversas "subtrações"
tanto no erário quanto no patrimônio público, promovidas por esta
administração municipal e denunciadas publicamente por dezenas e dezenas
de pessoas pelas mais diversas fontes da cidade.
De fato, difamar um edil e confessar publicamente o abuso
de poder econômico, ao afirmar em alto e bom tom que “reelegeu um
vereador”, é pouca coisa diante outros danos não verbais (à honra), mas
físicos, causados pelo prefeito de Itaúna, Eugênio Pinto ao patrimônio e
ao erário local. No entanto, por enquanto, estes são os crimes de que ele
está sendo acusado e é preciso que ele dê conta da veracidade de suas
declarações proferidas em público, se quiser se safar das teias da
Justiça, ainda que seja em outras instâncias.
Agora, eu gostaria muito de ver, se fosse um desses donos
de veículos de imprensa – que descarada ou camufladamente defendem agora
Eugênio Pinto – que recebesse as humilhações, difamações, calúnias e
demais baixarias proferidas contra a honra do vereador Anselmo Fabiano,
continuaria publicando por aí que esta é uma questão “política”. É sim,
uma questão de ética, de moral, muito bem fundamentada e a qual o prefeito
deverá assumir o que falou e responder, cedo ou tarde, por suas
afirmações.
Não adianta ele “sumir” agora, pois como homem público vai
ter que aparecer e prestar contas, não somente do que proferiu em público,
que caracteriza quebra de decoro e abuso de poder econômico, como também,
oportunamente, às comprovadas improbidades de sua gestão frente ao
patrimônio público local – notória e comprovadamente dilapidado durante os
quatro anos de sua administração.
Então, se a descarada imprensa pintista que “mamou” em todo
o seu mandato e que agora o defende publicamente, se calou diante de todas
as denúncias que fizemos em Via Fanzine, sejam referentes às destruições
do teatro e coreto, a não retirada dos trilhos férreos, a não criação do
tal parque municipal, a descaracterização do museu e tantas outras que
demais cidadãos, vereadores e populares também fizeram, é porque esta
imprensa “extra-oficial” do governo pintista não teve coragem de
desempenhar um jornalismo honesto, pois que comeram nas mãos do prefeito
municipal por todo o seu mandato. Em verdade, eles têm é medo de perderem
a boquinha que conquistaram para embolsar as verbas publicitárias desta
gestão recordista em processos na Justiça e em tantas outras coisas nada
dignas para um bom administrador público. Por isso, estão a adular o
prefeito, ainda que alguns mostrem também, medrosamente, o outro lado da
moeda: a verdadeira razão para extirpar do poder Executivo um ocupante que
não está à altura de ocupar o mesmo.
Sim, defendem é a “boquinha” mesmo; as mesmas boquinhas que
estes vassalos estão acostumados a ganhar na Universidade de Itaúna e em
determinadas empresas de "donos" do CDE. Pois “boquinha” é coisa para
incompetentes e improdutivos capachos passivos. Gente gabaritada, que
trabalha de verdade, com vergonha na cara tem mesmo é EMPREGO e neles
permanecem enquanto agirem com lisura, com honestidade e dignidade - ainda
que seja em cargos públicos.
E, afinal, Justiça existe é para nivelar e moderar os homens,
senão em Itaúna, em outras instâncias do País.
Pepe Chaves
editor
www.viafanzine.jor.br
pepechaves@gmail.com
- Leia mais sobre
a cassação de Eugênio Pinto (PT):
www.viafanzine.jor.br/comunidade.htm
www.viafanzine.jor.br/site_vf/ita/itauna_politica.htm
www.viafanzine.jor.br/site_vf/ita/itauna_politica3.htm
www.viafanzine.jor.br/itauna
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Tragédia nacional:
Big brother do horror em rede nacional
Quando o jornalismo extrapola a si próprio
e passa a coadjuvar com os fatos.
É lamentável quando o
jornalismo extrapola a si mesmo e atropela a ética, o respeito e a própria
seqüência dos fatos. Sobretudo, quando isto ocorre no evoluído jornalismo
brasileiro. Pela primeira vez, pude ter o “privilégio” de ouvir
declarações de um seqüestrador, diretamente de seu cativeiro, onde detinha
suas vítimas. Pela primeira vez no Brasil, a imprensa interagiu com um
personagem de um crime, em tempo real e arrancou dele declarações,
otimizando o seu poder imaginário. Registre-se, pois, agora faz parte da
história do jornalismo brasileiro: foram transmitidas, por determinadas
emissoras em rede nacional, declarações ao vivo de um criminoso,
encurralado pela Polícia, qual detinha duas vítimas sob a mira de um
revólver.
A busca por pontos do
ibope (audiência) faz algumas emissoras de tevê perder o senso do
profissionalismo e, em vez de reportar os fatos a que foram cobrir, passam
a interagir com os mesmos. Em vez de assistir à cena e somente reportar ao
público através de informações, os jornalistas passam a coadjuvar um filme
de terror protagonizado pelo agressor. Vimos jornalistas profissionais
virem tomar parte dos próprios fatos, interagindo e se envolvendo
diretamente com os acontecimentos em curso. Orgulhosamente, se
apresentaram como “intermediários”, “apaziguadores”, “psicólogos”,
“conselheiros” e dos principais personagens (aquele que não conseguiu ser
o herói que almejara ser...) da tragédia que transmitiam ao vivo.
Eles não se contentam
mais em fazer uma cobertura jornalística, mas em ofertar aos seus
telespectadores um verdadeiro big brother do horror, proporcionado pelas
maravilhas da tecnologia digital. Para tanto, são montados grandes
aparatos, com equipes jornalísticas e de produção locadas estrategicamente
em torno do circo dramático armado por eles, nas marquises vizinhas,
alugadas temporariamente por alguns reais. No entanto, não se limitaram em
permanecer em suas posições de cobertura profissional, mas avançaram sobre
o fato, arrombaram o front, como um bando de hienas que se lança
vorazmente em direção ao seu alimento providencial.
Devemos entender que, a
partir do instante em que as emissoras de tevê falaram com o seqüestrador,
este se sentiu, de fato, “o cara” que afirmara ser ao dominar as vítimas.
Determinadas emissoras deram asas ao desatino, à insanidade e
inconseqüência do agressor. Estes jornalistas, atiçaram o pseudo-poder
momentâneo e os “15 minutos de fama” de uma pessoa comprovadamente
desajustada.
Inflaram o ego de alguém
que praticava um ato ilícito mostrado em rede de tevê, o colocando no
patamar de um pretenso herói apaixonado; uma espécie de dom Juan mal
sucedido, diante os holofotes televisivos. Entretanto, a partir daí, estes
jornalistas intervieram definitivamente no destino da ocorrência e - por
isso mesmo - em seu desfecho final.
Teve jornalista que
chegou ao cúmulo de elogiar o seqüestrador em programa ao vivo, dizendo
que ele não era criminoso e coisas do tipo, sabendo que ele estava o
assistindo no cativeiro. O “inteligente” apresentador que procurava
aconselhar o seqüestrador acreditava que, com isso, iria “controlar o seu
psicológico”. Pensava que ajudava, no entanto, estava a alimentar um ego
insano e completamente transtornado. Houve até emissora que se gabou da
quantidade de vezes que falou com o agressor. E tudo isso sob a
passividade desatenta das autoridades competentes que, por sua vez,
engrossavam o público do ibope.
Não bastasse a falta de
ética jornalística demonstrada, algumas dessas emissoras passaram a
competir entre si, inclusive, promovendo trocas de acusações recíprocas
(ao vivo) quanto à forma de abordagem da ocorrência. Deixavam claro, e sem
a menor vergonha, que seus desentendimentos se davam por pura e simples
competição.
Tanto este triste caso de
Santo André, como o caso Nardoni, exaustivamente “cobertos” e
transformados em tragédias nacionais pelas emissoras de tevê, mostrou o
quão determinadas emissoras não se importam em extrapolar seus limites
para chegar à frente da concorrência.
Estas tragédias nacionais
nos mostraram verdadeiros abutres, hienas, urubus e demais carniceiros que
pairam sobre o noticiário nacional, oportunos animais vorazes, dispostos a
farejar sangue e horror suficientes para elevar o seu ibope ao topo.
Enquanto isso, casos
idênticos ocorrem a todos os momentos, nas mais distintas plagas do
território nacional, sem merecerem da imprensa e das autoridades a devida
atenção. Eles preferem explorar a exaustão e entrevistar até a pulga do
cachorro da vizinha da vítima, sem o menor constrangimento. Não obstante,
sem o menor conhecimento de causa, alguns jornalistas preferem imputar a
culpa dos acontecimentos aos policiais que se envolveram de forma
profissional em operações de resgate, do que reconhecer que eles mesmos
influenciaram e colaboraram para que os fatos tomassem o rumo que tomou e
culminassem numa verdadeira tragédia.
Não há limites. A sede
pelo ibope extrapola a dimensão da ocorrência. Nem mesmo depois de
sepultadas as vítimas, não dão sossego às famílias enlutadas, aos amigos e
pessoas do círculo da vítima. Não dão trégua, convocam especialistas nisso
e naquilo; levantam hipóteses, teses possibilidades; exibem imagens...
“Mas, se... Ah, se...!”. Estas pessoas estarão eternamente buscando a quem
culpar, a quem exaltar, a quem mitificar.
Querem continuar
ruminando a história: entrevistas com amigos, familiares, populares
curiosos... Aliás, entrevistar curioso é o máximo do jornalismo, não é
mesmo? Um diretor que autoriza um negócio desse é um gênio; devia ganhar
um Oscar.
E será
sempre assim, enquanto continuar dando ibope, “vamos levar à exaustão a
exaustão...”, ainda que não tenha mais nada para abordar, passemos às
conjecturas. Afinal, enquanto este povo pobre, carente e que adora dramas
alheios continuar acirrando os picos do ibope, estes espetáculos sempre
necessitar-se-ão de ser montados, em todo momento, em qualquer lugar, tão
logo soe o anúncio da próxima hiena faminta.
Pepe Chaves
editor
www.viafanzine.jor.br
pepechaves@gmail.com
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Itaúna:
O que fazer por um teatro municipal
fechado?
Se a comunidade de Itaúna se
interessasse por cultura, não teria permitido
que um prefeito fechasse o teatro
municipal por mais de três anos e meio.
Os leitores de Via Fanzine, de Itaúna e outras centenas de
cidades do mundo que nos acessam, são testemunhas dos espaços que
temos aberto, para tratar a questão do teatro municipal Sílvio de
Matos, fechado pelo atual prefeito Eugênio Pinto (PT) em junho de
2005, no seu sexto mês de mandato. Este crime cultural, verdadeira
questão pública e de interesse da comunidade itaunense, se
configura também, na mostra da mais genuína improbidade
administrativa de um prefeito municipal. Apesar de ser um dos
maiores absurdos administrativos da história municipal, a questão
não tem recebido atenção dos veículos da imprensa de Itaúna,
sobretudo, daqueles que recebem verbas públicas da prefeitura e
não têm interesses de mostrar certas verdades que, naturalmente,
possam denegrir de alguma maneira a administração municipal.
Além disso, também a promotoria de Justiça local, até
agora, depois de três anos, não se manifestou contra o fechamento
do teatro Sílvio de Matos. A Justiça de Itaúna permanece de braços
cruzados diante deste absurdo, mas por algo menor (o coreto), fez
o prefeito reconstruir o que fora destruído por ele; o mesmo bem
poderia ser feito pelo teatro. Não obstante, o presidente do
Codempace, senhor Jerry Adriani Telles, é outro que permanece
calado e de braços cruzados diante dessa questão, a qual deveria
de ser – a meu ver – sua prioridade, já que, dentro de suas
funções, deveria zelar pelo patrimônio público local.
Como já afirmei aqui, promovi um evento no teatro dois
meses antes de seu fechamento em 2005 e o mesmo estava em
perfeitas condições físicas. De lá para cá, já são quase três anos
e meio de fechamento e muitas dezenas de eventos não puderam ser
promovidos, sendo amputados do calendário cultural da cidade,
este, completamente ignorado pelo prefeito Eugênio e seus
funcionários.
Quando promovi o evento naquele teatro, o prefeito Eugênio
lá apareceu, todo serelepe, foi entrando como se fosse o dono
daquela casa, sem cumprimentar as pessoas ou ao menos, pedir
licença para adentrar aquele evento que, apesar de ser apresentado
num espaço público, era particular e não contou com nenhum apoio
de sua administração. Sua falta de educação já me mostrava naquela
época, que ele não teria o menor interesse em gerir aquele espaço
com o devido cuidado, com responsabilidade e não como um moleque,
que freqüenta um teatro como se estivesse numa sessão de cinema
infantil.
No ano que vem o teatro Sílvio de Matos completará 20
anos de fundação e por uma atitude irresponsável e danosa do
prefeito Eugênio Pinto, aquela casa permanece fechada quase que
20% do seu tempo de funcionamento. Esta atitude além de lesar os
itaunenses no que se refere à diversão e lazer, também lesou a
outros, produtores culturais e profissionais da cidade que
precisam daquele espaço para suas produções.
O mandato do prefeito vai chegando ao fim e parece que ele
não vai ser responsabilizado por ter mantido um teatro fechado
durante todo o seu mandato. O mesmo não ocorreu com o campo de
futebol e outros espaços públicos onde o prefeito costuma aparecer
para manter sua imagem ou pedir votos.
Pedi instruções a um amigo meu, técnico no IPHAN em
Brasília, sobre providências legais que podem ser tomadas no
sentido de revitalizar o teatro Sílvio de Matos. Ele listou vários
tópicos, além de fornecer nomes de pessoas e telefones de contatos
de instituições estaduais que podem se interessar por esta
questão. Eu repassei os dados a alguns amigos de Itaúna que têm se
mostrado sensíveis com a causa do teatro local.
Pepe Chaves
editor
www.viafanzine.jor.br
pepechaves@gmail.com
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