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de Pepe Chaves

 

 

 

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Inundações:

Onde está o socorro ao Norte e Nordeste?

Numa intensa temporada de chuvas, estados das regiões Norte e Nordeste

do país estão com centenas de milhares de desabrigados.

 

Poucos assuntos tão graves do país foram tratados com tanta displicência quanto o problema das enchentes que desabrigaram centenas de milhares de pessoas nos estados do Norte e Nordeste do Brasil. As cheias de 2009 nestas regiões foram inigualáveis a outras ocorridas desde muitas décadas atrás.

 

Em diversos estados há pessoas já por vários dias, isoladas e sem a menor condição de ter, não conforto, mas o mínimo de dignidade. O tímido socorro enviado pelo governo, não conseguiu acessar inúmeros locais e até então, não surtiu efeito esperado, se considerarmos a quantidade de pessoas que está passando necessidades neste momento em que você lê este artigo.

 

No interior e em algumas das capitais de estados como Ceará, Maranhão, Bahia, Amazonas, Tocantins e Pará (dentre outros) a situação está além de precária. Nestas regiões economicamente pobres e distantes dos grandes centros, populações inteiras foram praticamente largadas ao esquecimento e à própria sorte. Não foi uma ou duas cidades, mas diversas que tiveram 100% de inundação em suas áreas urbanas. E que República é essa?

 

Se as cheias em Santa Catarina em 2008 causaram transtornos, imaginemos o que se passa agora no Norte e Nordeste, onde os rios são muito mais volumosos. Não bastasse isso, as populações desses locais são de poder aquisitivo largamente inferior ao dos catarinenses e, sem condições de acesso, sofrem de maneiras indignas e desumanas, patrocinadas pelas irresponsabilidades públicas e civis.

 

Santa Catarina é um estado que possui uma economia estável, onde a miséria não se compara com a dos estados do Norte e Nordeste. Além disso, o estado sulista tem acessos mais viáveis que os do Norte e Nordeste, o que facilitou o socorro e até mesmo o salvamento de populações ilhadas que não tinham mais o que comer. Ao contrário, nas regiões atingidas do Norte e Nordeste, os acessos à maioria dos municípios prejudicados foram rompidos e de muitos locais isolados não se tem nem notícias.

 

Centenas de milhares de pessoas se amontoam em abrigos improvisados e contam somente com a sorte, muitas rezam para que os temporais cessem. Os rios Amazonas, Negro e Tapajós causaram estragos medonhos em suas respectivas regiões. Difícil será contabilizar as perdas (até agora eu não vi nenhuma estimativa a respeito) materiais e humanas. O que vi, do pouco que a mídia tem mostrado, foram cidades inteiras tomadas pelas águas que submergiram construções e buscaram a copa de frondosas árvores. Dezenas de milhares de famílias perderam tudo o que tinham de material; tudo o que lutaram e trabalham durante uma vida inteira para conquistar.

 

Também vi o presidente Lula sobrevoar parte das regiões atingidas dias atrás (hoje ele está de viagem para países como Arábia Saudita e China, tratando de negócios em nome dos ricos empresários do Brasil), sem, no entanto, providenciar um socorro à altura ao seu próprio povo. Não vi, até o momento, forças de outros estados se deslocarem para estas regiões atingidas, como foi feito em Santa Catarina. Também não vi a grande mídia promover campanhas para os desabrigados do Norte e Nordeste, a exemplo das que foram promovidas por redes de tevês, jornais, sociedade civil, entre outros, em benefício dos atingidos em Santa Catarina. Decerto, estes "humanitários" veículos midiáticos não devem ter bons anunciantes por lá...

 

Diferentemente da catástrofe catarinense, a iniciativa brasileira parece se calar e se omitir diante esta desgraça vivida por tais populações, no sentido de se promover alternativas viáveis, como a simples divulgação dos locais receptores de doações espontâneas. Não vi até agora, uma campanha que seja, visando enviar em regime de urgência, mantimentos e material utilitário aos desabrigados - com raras exceções por parte do governo federal e de empresas de aviação que se disponibilizaram a levar gratuitamente mantimentos para tais regiões.

 

Os “bons samaritanos”, sobretudo, das ricas regiões Sudeste e Sul, deveriam olhar para cima e ver a necessidade que urge nos estados alagados, mas, em vez disso, parecem ignorar o que se passa. Por causa do contato humano com a água das enchentes, é de se prever que um grande número de doenças e moléstias também atinja estes povos desamparados nos próximos dias. E quais as providências à altura estão sendo tomadas pelas autoridades brasileiras no sentido de socorrer e imunizar tais populações?

 

Não vi ninguém entrando em contato com as defesas civis dos estados inundados, tampouco, divulgando endereços para envio de donativos ou enchendo galpões imensos com materiais destinados a essa gente. É lamentável que essas regiões, natural e historicamente “esquecidas” por nossas autoridades, sejam ainda mais ignoradas agora, num momento em que a sociedade brasileira deveria se mobilizar em busca de socorro aos necessitados.

 

Enquanto isso, preferem discutir política, sucessão presidencial, CPI da Petrobras e outras ações que, no fundo, remontam nada menos que ações de politicagem e sede pelo poder. Onde estão os governadores dos estados mais ricos do país que não enviam helicópteros e mantimentos aos desabrigados, como fizeram quando da catástrofe no Sul? Onde está o corporativismo nacional e as entidades civis e governamentais habilitadas a prestar este tipo de socorro? Onde está o nordestino presidente da República, senão no reino das “mil e uma noites”, do lado oposto ao de seus conterrâneos necessitados, desfrutando o que há de bom e melhor nesse mundo?

 

É triste ver tanta injustiça social, enquanto senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores de todo o país enchem suas panças e engodam suas nádegas com seus ricos salários. Enquanto jogam dinheiro fora ou o roubam de mil e uma maneiras, os verdadeiros donos destes recursos padecem sob a lama e água turva que invadiram suas residências, retirando-lhes qualquer alento que poderiam ter, numa situação de extrema dificuldade como esta.

 

Além disso, os governantes de todo o país jamais se preocuparam em fazer valer planos diretores que retirem definitivamente as suas populações das áreas de riscos ou inundáveis – e isso é válido para a faixa habitável que vai do Oiapoque ao Chuí.

 

Mas, nem todo mal dura para sempre, a chuva vai passar, as águas vão baixar e estas pobres pessoas vão voltar para suas casas sujas e vazias e, por fim, estarão seguras novamente. Até as próximas tempestades...

 

Este é o Brasil, o país das injustiças, dos políticos corruptos, impunes, omissos e irresponsáveis, que se preocupam apenas com seus status pessoal, com suas folhas de pagamento, reeleições e salários milionários. São os mesmos políticos dissimulados, que se candidatarão em futuros pleitos, enganarão seus povos por muito mais vezes e serão novamente reeleitos.

 

Pepe Chaves

editor

www.viafanzine.jor.br

pepechaves@gmail.com

 

 

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Saúde:

Universidade administrando hospital?

Se depender de sugestões de alguns cidadãos itaunenses, mais um patrimônio público

pode estar prestes a ser entregue às mãos da iniciativa privada.

 

Tenho ouvido correr na cidade uma conversa de que a Universidade de Itaúna (UIT) pode vir a administrar o Hospital Manoel Gonçalves de Souza Moreira (HMGSM) e isso muito me surpreende, partindo dos meios e das pessoas em que tenho visto surgir tal “sugestão”. Sobretudo, do ponto de vista que, estamos falando de um patrimônio público (hospital), que se propõe que seja encampado administrativamente por uma instituição de ensino superior privada (universidade).

 

Um acertado passo para tal aproximação entre a casa de saúde e a instituição de ensino já foi dado, vez que a Câmara Municipal de Itaúna, em recente reunião ordinária, indicou um dos nomes sugeridos pelo reitor da UIT, qual foi escolhido o da senhora Elisa Tarabal, apoiado por quase totalidade dos vereadores, para ser a representante do Legislativo junto ao Conselho de Curadores da Universidade de Itaúna.

 

Não sei o que a direção da UIT acha dessa idéia, já que ainda não se manifestou publicamente, portanto, desconhecemos se a propaga ou a combate. Destarte, o que vou comentar a seguir, se limita ao que se foi tornado público, seja pela imprensa ou pelo boca-a-boca corriqueiro da cidade que sempre chega aos meus "longínquos ouvidos". Reconheço que a atual direção da Universidade de Itaúna (antes pública, hoje privada e sob controle de um mesmo grupo) muito acrescentou ao patrimônio físico dessa instituição, do ponto de vista da alvenaria. Mas, diga-se, as construções que vieram através da atual administração foram concebidas em terrenos que a Fundação Universidade de Itaúna (ora, pública) já detinha em seu poder. Em tais terrenos, foram construídos prédios e feitos diversos melhoramentos e implementos nas dependências físicas dessa instituição, frisamos: dependências estas, fundadas em terrenos outrora doados pela comunidade à Fundação Universidade de Itaúna. Mas se a instituição de ensino superior progrediu em termos de extensão física, o mesmo não podemos dizer sobre os resultados da qualidade de ensino oferecido por essa instituição superior itaunense diante os indicadores do MEC, como o ENADE, o IGC e a Capes. A propósito, abordamos estes assuntos em Via Fanzine recentemente, mas estamos cientes que não apresentamos nada de novo, somente tornamos público o que já fora publicado pelo MEC (está em seu site) acerca dos conceitos da nossa UIT nos indicadores de qualidade educacional do Ministério da Educação do Brasil.

 

Mas, voltando ao assunto saúde/ensino superior, a grande pergunta que se faz aqui é: Por que a UIT é que deveria administrar a única “Casa de Caridade” de Itaúna? Quais os verdadeiros fundamentos dessa sugestão? Lembro que há também sindicatos na cidade ligados à saúde, empresas de planos de saúde que há anos atuam em Itaúna e outras instituições de grande envergadura na área e que também poderiam se interessar por tal “missão salutar”. Bom, se é para uma casa de saúde historicamente pública e que inúmeros serviços já prestou à cidade ao longo de décadas ser administrada por um grupo privado, lembro que há outras instituições e empresas que também poderiam se habilitar a “cumprir tal missão” - já que a responsabilidade do Executivo para com a saúde pública local se mostra totalmente nula, ao contrário do que ocorre em qualquer lugar do mundo, onde logicamente, ocorreria o contrário: o público receber o privado.

 

Se a proposta for esta, de entregar mais um patrimônio público às mãos da iniciativa privada, seria justo que fosse melhor debatida pela sociedade, por meio de audiências públicas e não por uma dúzia de cidadãos que porventura se achem representantes de toda a sociedade. Agora, se for constatado que o Executivo apóia tal idéia com o intuito de se livrar da responsabilidade pela saúde local, tal ato deve soar como um verdadeiro atestado de incompetência e comprova que, as manifestações e denúncias acerca das péssimas atuações do atual governo nas questões comuns do cotidiano itaunense, não são mesmo em vão.

 

Mas, alguns cidadãos podem rebater minhas colocações e eu já adianto o serviço deles: a UIT, antes de qualquer outra instituição itaunense deveria administrar o HMGSM, justamente, porque ela possui uma Faculdade de Medicina. Sim, eu digo! Possui, uma Faculdade de Medicina fundada há cerca de dois anos que não tem o menor reconhecimento acadêmico, seja por sua evidente e natural imaturidade, ou pela falta do devido respaldo junto aos indicadores educacionais do MEC.

 

Contudo, caso tal "acerto" venha a ocorrer, penso que a atual administração da UIT, com certeza, teria competência e honestidade para administrar o hospital local e poucos podem duvidar disso. Não coloco em xeque o potencial de tal administração, a julgar pelo o que eu penso dela própria ou por não achar correto transferir para a iniciativa privada as questões de ordem pública; mas coloco que, não se toca em tal questão que envolve interesses de toda uma sociedade sem antes esta ser devidamente debatida, esclarecida, investigada, pesquisada e largamente analisada, sobretudo, por aqueles que oferecem ou sugerem tal “solução”. Não se pode fazer uma transação bizarra numa área vital como à da saúde municipal, ao se colocar, nas mãos do primeiro que aparecer, por mais privilegiado que este seja (se for, de fato) todo um patrimônio público, deixado por um desprendido cidadão chamado Manoel Gonçalves de Souza Moreira que não por coincidência empresta seu nome àquele hospital. É preciso que se pense nas possíveis benesses, bem como nas consequências (quiçá, irreversíveis) que tal medida pode causar a toda sociedade, ao se passar para mãos privadas um patrimônio que vem sendo administrado de modo público (seja bem ou mal) há cerca um século!

 

Inclusive, acho engraçado quando vejo determinadas pessoas cobrando a “dilapidação” do patrimônio do Manoelzinho, mas se calando diante da “usurpação” do patrimônio (que era) público da Universidade de Itaúna, muito maior e diga-se, rentável e sem “problemáticas”. Lembremos que o patrimônio da UIT não foi “dilapidado”, mas sim, transferido do público ao privado, não em partes como o do hospital, mas de forma total e irrestrita.

 

Ficam aqui várias perguntas às competentes autoridades e demais cidadãos que propõem que a UIT administre o HMGSM: O que a UIT poderia ganhar com isso, como instituição de ensino, já que está legalmente habilitada a atuar é na área do ensino superior e não da saúde? Quais os verdadeiros interesses teria a instituição FUIT em administrar o único hospital público local e quais as suas propostas oferecidas para solucionar os nossos notórios problemas hospitalares? Até que ponto seria interessante para uma universidade (que forma médico), ter “controle total” de um hospital público municipal? Caso venha administrar, seria priorizado ali, o ensino dos estudantes ou a saúde dos pacientes? Caso a UIT viesse a encampar administrativamente o hospital local, da ordem de quanto seriam os investimentos promovidos pela Universidade de Itaúna, de pronto, nos setores sabidamente mais precários e urgentes da casa de saúde, tais como, equipamentos de ponta (e manutenção destes), materiais, veículos apropriados, contratação de mais profissionais e etc? O que a UIT teria a oferecer, além de simplesmente colocar um administrador à frente do HMGSM? Quais são as verdadeiras vocações da UIT para com a área da saúde, além de oferecer ao público os seus cursos de enfermagem e medicina? De modo prático e executivo, o que credibilizaria a citada instituição de ensino a administrar uma casa de saúde?

 

Gostaria de parar por aqui, mas minha consciência me faz mais perguntas, ainda que não seja eu quem deva respondê-las: Será que não haveria perigo de, futuramente, este hospital - assim como ocorreu com a própria universidade, notoriamente, aos poucos - passar para as mãos de um grupo privado que porventura poderia “alterar” seu estatuto e “usurpar” mais um patrimônio público local, após o mesmo ser estruturado de forma a se tornar financeiramente rentável? Como o Ministério Público vê esta iniciativa e como se manifestará diante à formalidade (caso ocorra) desta clara proposta da transferência de mais um patrimônio público local para “mãos privadas”? Qual seria a garantia de que uma possível “administração universitária” atuando na saúde pública local iria sanar os nossos notórios problemas dessa área primordial, a ponto de se permitir que isso ocorra? E, o principal: Como os conselhos médicos a nível local, regional (e outros) e, sobretudo, as entidades ligadas e os atuais administradores e demais profissionais da saúde que trabalham nessa casa pública, encaram esta proposta?

 

Portanto, esta questão a meu ver, não é nada fácil e se faz muito séria. Por isso, é preciso que as autoridades – sobretudo, àquelas muito bem pagas com dinheiro público - ajam com desprendimento e sem a menor paixão por este ou aquele administrador que possa, porventura, tomar frente à casa de saúde local, sobretudo, se tal medida envolver algum comprometimento com a iniciativa privada.

 

Penso que, colocar mais um patrimônio público nas mãos de terceiros é algo perigoso e lembro que o mesmo já fora feito com a nossa própria universidade. E todos sabem que, por efeito disso, a UIT passou de pública a privada, sem que a cidade (sua maior doadora) fosse de alguma beneficiada com isso. Se nem cotas ou política para facilitar o ingresso de itaunenses nas salas de aula dessa instituição existem, o que podemos esperar destes mesmos administradores atuando na área da saúde?

 

Achar que tal medida vá resolver de pronto um antigo problema é uma doce ilusão e pode gerar consequências viróticas à saúde local. Por isso, reflitam! Sobretudo, aqueles que, como eu, também nasceram ali na beira do São João, e nutre amor não somente por aquele lugar, mas por tudo o que ele representa para a história itaunense. Por isso, é preciso que as pessoas que coadunam e propagam esta idéia, sobretudo, aquelas que desejam agradar a direção da UIT propondo a ela que assuma tão grandes responsabilidades, não se precipitem e estejam cientes que podem estar prestes a criar um processo irreversível, ao colocar toda a máquina da saúde pública local nas mãos de uma instituição (hoje) privada e que - até onde sabemos - não detém de forma prática ou até mesmo palpável, técnicas ou tecnológicas, que poderiam soar como justificativas para tal pretensão. Mas, se assim for feito, os frutos ou os podres de tal empreendimento serão atribuídos a todos que, através de suas respectivas responsabilidades sociais, agirão para que a criatura seja concebida.

 

Mas, seja quem for que venha a administrar o HMGSM (se vier, em breve) é claro, contará com meu modesto, mas irrestrito apoio, assim como contam os atuais diretores de nossa casa de saúde.

 

E, ainda que a nossa sensata e sábia sociedade, que elege tão bem os nossos governantes (haja vista suas capacidades de resolver os nossos problemas sociais no campo da esfera pública, como tenho visto...), decida que o novo provedor do hospital seja o Bin Laden ou o Demo Gênio, é certo que contará com meu apoio. Sobretudo, porque estou falando do hospital da minha cidade, da casa onde eu nasci, ali, entre o eterno rio São João e a velha estrada de ferro.

 

Ser cidadão é também prezar por estas coisas. E zelar por elas.

 

Pepe Chaves

editor

www.viafanzine.jor.br

pepechaves@gmail.com

 

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Banalidade e descaracterização do Ensino em Itaúna:

Beleza plástica na escola

Secretaria de Educação promove concurso de beleza

para professores da Rede Municipal de Ensino.

Um "concurso educacional" bisonho e preconceituoso

 

Em Itaúna-MG, a secretária de Educação e Cultura, Marisa Pinto (irmã do prefeito) parece que entrou em desatino total e perdeu o senso do ridículo, da responsabilidade e dos verdadeiros desígnios de sua função. Enquanto alguns veículos da imprensa denunciam escolas sucateadas e um teatro desmontado pelo prefeito há quatro anos, a Secretária Municipal de Educação e Cultura promove um concurso, no mínimo, bisonho.

 

Trata-se do concurso “Beleza na Escola 2009”, voltado para as professoras da Rede Municipal de Ensino, que vai eleger a "mais bela mestra", plasticamente falando. Ou seja, mal se iniciou o ano letivo e, em vez de buscar qualificar seus professores, nossa nobre secretária está buscando a mais bela professora da Rede Municipal de Ensino. Será que a Superintendência Regional de Ensino e a Secretária Estadual de Educação estão informadas deste "concurso educacional"?

 

Cartazes reprográficos estão espalhados pelas escolas municipais e cada uma delas deverá apresentar a sua “miss”. Não conseguimos entender porque uma secretaria municipal perde tempo com algo de natureza pífia e até preconceituosa. Sim, preconceituosa, pois atenta contra aqueles que estão fora dos padrões de beleza de um concurso desse! Ou como se sentirão as professoras baixinhas, gordinhas, de idade avançada, portadoras de necessidades especiais ou que de alguma forma não se encaixam nos padrões “estéticos” deste “concurso educacional”? É uma forma, a meu ver, de reprimir, sim, as verdadeiras mestras e que estão ali para cumprir suas funções ensinando e não exibindo beleza exterior, física, plástica. Este concurso deveria ser sim, um assunto de Ministério Público, pois atenta a comunidade, desvirtua as verdadeiras funções e distorce o conceito do Ensino.

 

Quando achamos que vimos todos os absurdos

 

Não é preciso ser gênio para saber desde já que a verdadeira beleza destas professoras está somente no íntimo das mesmas e será esta que encantará seus alunos e irá faze-los absorver na sala de aula AQUILO O QUE É NECESSÁRIO PARA SUAS RESPECTIVAS FORMAÇÕES. Este “concurso educacional” é uma afronta, além de grossa falta de respeito a TODAS as professoras da rede municipal, pois Educação não é passarela! Educação não é concurso de miss, não tem nada a ver com cabeça, ombros, joelhos e pés. Educação nada tem a ver com beleza estética!

 

Mas, que “educação” é esta, que faz com que alunos em tão tenra idade e em fase de aprendizado básico (qual influirá sistematicamente em suas personalidades), se envolvam com assuntos de beleza estética física? Será que é isto o que nossos filhos estão aprendendo nas escolas municipais sob a batuta do PT: eleger as mais belas mestras do ensino municipal? Não existiria uma forma mais sensata, menos bisonha e inteligente de se gastar o dinheiro do contribuinte na Educação em Itaúna?

 

No cartaz do concurso, de muito mal gosto por sinal, que traz um "belo" rosto feminino, está grafado: "Até o dia 10/03/09: cada escola escolherá a sua representante" e também, "Até o dia 15/03/09: impreterivelmente, cada escola deverá apresentar o nome de sua candidata à SEMEC". Com o agravante ao preconceito físico: "Observar os quesitos: Elegância, Simpatia e charme".

 

Os fatos de Marisa Pinto ser irmã do prefeito ou não ter experiência anterior nesta pasta tão importante que é a da Educação e Cultura, não podem depor contra ela, até que ela mostre de fato os seus serviços. Mas, primeiramente ela nos surpreendeu ao contratar como seu diretor de Cultura, a mesma pessoa que ela processara meses atrás por calúnia e difamação, causa ganha no tribunal local. Por isso, ela sabe que deve uma explicação à sociedade local, já que é uma pessoa pública e como tal, processou e contratou um mesmo cidadão, coisa no mínimo, inusitada.

 

E agora, ela, no início do ano letivo, nos surpreende novamente, ao surgir com uma campanha nada educacional dentro das escolas de Itaúna, buscando eleger algo como a “miss rede municipal”. Com isso, a secretária nos mostra o quanto do dinheiro público e tempo inútil estão sendo gastos com promoções ridículas e preconceituosas que, as próprias professoras, que tenham o mínimo de sensatez, certamente, se recusarão a participar de tal barbaridade "educacional".

 

É lamentável que esta administração pública do PT em Itaúna possa ser tão eficiente para lesar diversas áreas essenciais ao cidadão: educação, cultura, saúde e transporte são algumas delas, notoriamente, “cheias de casos” que atestam nossas afirmações, dando conta de um retrocesso social jamais visto pela sociedade itaunense. Exemplo disso, é que a nossa digna secretária recebeu de um cidadão local uma proposta para debate das alterações na ortografia portuguesa, mas sequer resposta enviou ao proponente. Em vez disso, preferiu criar um concurso para enaltecer a beleza física das professoras municipais. Inclusive, diga-se em tempo, que a SEMEC sequer informou ao público, como será a transição da antiga para a atual ortografia portuguesa na rede municipal de ensino.

 

Mas, por falar em beleza, é preciso que algumas pessoas em Itaúna tomem cuidado ao aplicar overdoses de botox no rosto. Alguns já ficaram com “cara de balão a gás”, parece que vão explodir ou sair voando. E há outros com cara de ET reptiliano. Há também quem se torna uma mistura das duas coisas: balão reptiliano. Mas quem sou eu, como jurado de beleza, não é mesmo?

 

Sinceramente, espero que nossos alunos da rede pública não sejam influenciados por este tipo de atitude, superficial, de ordem puramente plástica e que nada de didático ou instrutivo se acrescenta a alguém.

 

É esta a educação que você esperava para seus filhos e netos?

 

Nota zero para a educação municipal em Itaúna.

 

Pepe Chaves

editor

www.viafanzine.jor.br

pepechaves@gmail.com

 

- Clique aqui  para ler artigo e ver cartaz do concurso de beleza da SEMEC de Itaúna-MG.

 

 

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Itaúna-MG:

Cassação do prefeito: questão moral ou política?

Para alguns, a cassação do mandato do prefeito de Itaúna Eugênio Pinto (PT)

 é uma questão de ciúme político, para outros as alegações apresentadas são tênues,

diante várias outras razões muitos mais fortes para a cassação.

 

Em Itaúna, o prefeito Eugênio Pinto enfrenta um processo de cassação que já está em curso na Câmara Municipal e pode ser votado antes de sua posse. O prefeito, que se encontra ausente e foi notificado pelo diário Minas Gerais, órgão oficial do Estado, parece ignorar por completo o chamado do Poder Legislativo Municipal para depor naquela casa.

 

Enquanto isso, algumas pessoas e veículos da imprensa “pintista”, dentre os quais, alguns dos que mais faturaram com publicidades de seu governo municipal, defendem agora em público que a possível cassação do mandato de Eugênio Pinto ocorre por “ciúme” político. Chegaram a dizer que a cassação é coisa articulada pelo grupo do deputado Neider Moreira, inimigo político do prefeito. No entanto, temos visto que diversas pessoas alheias a qualquer grupo político da cidade são favoráveis à cassação do prefeito reeleito democraticamente, mas, com apenas 1% de vantagem sobre o concorrente e com quase 70% de rejeição. Este resultado, naturalmente, acarretará um preço para o reeleito e parece que a fatura já está correndo na cidade.

 

Nem como pessoas ou como veículo de comunicação fundado e sediado há 15 anos em Itaúna, jamais fomos ligados (ou ligado$) ao político Neider Moreira, deputado estadual e vice-líder do governador Aécio Neves na Assembléia Mineira. No entanto, assim como outros itaunenses que também não são ligados ao ilustre deputado, nós defendemos sim, aberta, pacífica e democraticamente, a cassação do prefeito municipal. E assumimos esta postura publicamente, porque entendemos que este é um direito democrático e deve ser a posição de qualquer cidadão ou eleitor esclarecido da cidade de Itaúna nesse momento. Temos nossas razões para tanto, tanto profissionais, quanto pessoais e quem acompanha nosso trabalho jornalístico nos últimos anos, sabe do que estamos falando. E generalizar é um erro, ao dizer que um grupo político opositor articula uma cassação de um prefeito. Isso é mais que exagerar; é agir tendenciosamente, pois dessa forma não se respeita àqueles que não possuem vínculos políticos sequer e têm garantida liberdade de opinar/convir/julgar com àquilo a que sua consciência optar.

 

Se por um lado há uma Câmara Municipal, cuja maioria dos vereadores se portou inerte e sob cabresto desse mesmo prefeito durante quase todo o seu mandato, nos momentos finais, os vereadores acordaram e trabalham agora, dobrado, para efetivar a cassação do mandato do Executivo. Isso, em pleno desempenho constitucional de suas funções.

 

As justificativas apresentadas e acatadas pela Mesa da Câmara para instalar o processo de cassação foram “quebra de decoro e abuso de poder econômico”, com base em uma entrevista concedida pelo prefeito a uma rádio local. Se esta é uma questão política ou ética, somente o tempo ou a Justiça dirão. Mas antes de ser uma ou outra coisa, é preciso que qualquer cidadão eletivo, na qualidade de prefeito municipal, seja responsável ao usar um microfone de radiodifusão pública. É preciso que ele arque com as conseqüências de suas declarações e comprove de forma proba o peso de suas palavras - independentemente do que "acha" a imprensa que o apóia, notoriamente, em troca de verbas públicas.

 

Enquanto alguns acreditam que a cassação em curso é ato político e não vai dar em nada, outros, e não são poucos, vêem diversas arestas desse infeliz governo municipal que podem muito bem, em qualquer tempo - inclusive em seu próximo mandato, se não for cassado antes -, levar à cassação o seu responsável (ou seria “irresponsável”?). Eu falo de atos passíveis de investigações mais aprofundadas, como por exemplo, o pagamento de centenas de milhares (quase R$ 2 milhões) de reais em “projetos” que nunca saíram ou sairão do papel adquiridos de uma empresa privada, para uma suposta retirada dos trilhos férreos do centro da cidade, coisa que nunca aconteceu e provavelmente jamais acontecerá e que, informados fomos, não é de competência da Prefeitura de Itaúna, mas do Estado.

 

Igualmente ímprobo e passível de intervenção judicial, foi o atrofiamento arquitetônico da entrada da cidade e adulteração do projeto original onde o “nosso inteligente” prefeito amputou uma das pistas de entrada para construir uma injustificável e verdadeira cômica “ciclovia” com menos de 500 metros de extensão. A meu ver, isso é caso de Polícia, ou melhor, de Justiça.

 

Também injustificável ao erário público, foi a compra de um terreno de um empresário “amigo do prefeito” para a construção do que seria um “parque municipal” que jamais saiu do papel - ainda que fosse alertado por nós que a prefeitura já detinha um terreno muito mais apropriado, SE O PREFEITO QUISESSE MESMO CONSTRUIR UM PARQUE MUNICIPAL. Quem ganhou com a compra desse terreno? O município? Se foi, me diga onde! Agora, se o município gastou dinheiro com um terreno para não fazer nada com ele, é lógico que ALGUÉM saiu ganhando nesse negócio. E quem seria? Bom, eu não sou pago para descobrir este tipo de coisa, para tanto, até onde sei, o Estado dota as cidades com suas Comarcas para apurar questões desses níveis.

 

Mas, também comprovadas improbidades dessa infeliz administração, foram a destruição e reconstrução (por forças judiciais) do coreto da Praça da Matriz, bem como a descaracterização da fachada do prédio histórico do museu municipal, denúncia que somente este veículo fez, onde o “brilhante” prefeito, mandou colocar calhas à vista em destaque. Pior que isso, foi ele ter destruído fisicamente o teatro local e permanecer com ele fechado durante todo o seu mandato e ainda assim, continuar contratando e pagando salários para cerca de dez funcionários inativos que permanecem num teatro fechado e num departamento cultural TOTALMENTE sucateado e entregue às baratas oportunistas da cidade. Isso não é improbidade? Um administrador que promove tamanhas destruições no patrimônio arquitetônico de uma cidade e promove transações duvidosas com o erário municipal é passível de continuar governando por mais quatro anos? Onde a Justiça permitiria tamanhas aberrações? Em Itaúna?

 

E mais uma vez eu pergunto: onde estão as autoridades do Judiciário municipal de Itaúna que, muito bem pagas pelo Estado para tanto, não fiscalizam estas denúncias que fazemos aqui ao longo desses últimos quatro anos? Será que, como já disse, a Justiça em Itaúna além de “cega” é também surda-muda?

 

Matemática é uma ciência exata, portanto, incontestável. E não é preciso que os nossos digníssimos promotores da Comarca de Itaúna sejam diplomados em Matemática, para comprovarem diversas "subtrações" tanto no erário quanto no patrimônio público, promovidas por esta administração municipal e denunciadas publicamente por dezenas e dezenas de pessoas pelas mais diversas fontes da cidade.

 

De fato, difamar um edil e confessar publicamente o abuso de poder econômico, ao afirmar em alto e bom tom que “reelegeu um vereador”, é pouca coisa diante outros danos não verbais (à honra), mas físicos, causados pelo prefeito de Itaúna, Eugênio Pinto ao patrimônio e ao erário local. No entanto, por enquanto, estes são os crimes de que ele está sendo acusado e é preciso que ele dê conta da veracidade de suas declarações proferidas em público, se quiser se safar das teias da Justiça, ainda que seja em outras instâncias.

 

Agora, eu gostaria muito de ver, se fosse um desses donos de veículos de imprensa – que descarada ou camufladamente defendem agora Eugênio Pinto – que recebesse as humilhações, difamações, calúnias e demais baixarias proferidas contra a honra do vereador Anselmo Fabiano, continuaria publicando por aí que esta é uma questão “política”. É sim, uma questão de ética, de moral, muito bem fundamentada e a qual o prefeito deverá assumir o que falou e responder, cedo ou tarde, por suas afirmações.

 

Não adianta ele “sumir” agora, pois como homem público vai ter que aparecer e prestar contas, não somente do que proferiu em público, que caracteriza quebra de decoro e abuso de poder econômico, como também, oportunamente, às comprovadas improbidades de sua gestão frente ao patrimônio público local – notória e comprovadamente dilapidado durante os quatro anos de sua administração.

 

Então, se a descarada imprensa pintista que “mamou” em todo o seu mandato e que agora o defende publicamente, se calou diante de todas as denúncias que fizemos em Via Fanzine, sejam referentes às destruições do teatro e coreto, a não retirada dos trilhos férreos, a não criação do tal parque municipal, a descaracterização do museu e tantas outras que demais cidadãos, vereadores e populares também fizeram, é porque esta imprensa “extra-oficial” do governo pintista não teve coragem de desempenhar um jornalismo honesto, pois que comeram nas mãos do prefeito municipal por todo o seu mandato. Em verdade, eles têm é medo de perderem a boquinha que conquistaram para embolsar as verbas publicitárias desta gestão recordista em processos na Justiça e em tantas outras coisas nada dignas para um bom administrador público. Por isso, estão a adular o prefeito, ainda que alguns mostrem também, medrosamente, o outro lado da moeda: a verdadeira razão para extirpar do poder Executivo um ocupante que não está à altura de ocupar o mesmo.

 

Sim, defendem é a “boquinha” mesmo; as mesmas boquinhas que estes vassalos estão acostumados a ganhar na Universidade de Itaúna e em determinadas empresas de "donos" do CDE. Pois “boquinha” é coisa para incompetentes e improdutivos capachos passivos. Gente gabaritada, que trabalha de verdade, com vergonha na cara tem mesmo é EMPREGO e neles permanecem enquanto agirem com lisura, com honestidade e dignidade - ainda que seja em cargos públicos.

 

E, afinal, Justiça existe é para nivelar e moderar os homens, senão em Itaúna, em outras instâncias do País.

 

Pepe Chaves

editor

www.viafanzine.jor.br

pepechaves@gmail.com

 

- Leia mais sobre a cassação de Eugênio Pinto (PT):

www.viafanzine.jor.br/comunidade.htm

www.viafanzine.jor.br/site_vf/ita/itauna_politica.htm

www.viafanzine.jor.br/site_vf/ita/itauna_politica3.htm

www.viafanzine.jor.br/itauna

 

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Tragédia nacional:

Big brother do horror em rede nacional

Quando o jornalismo extrapola a si próprio e passa a coadjuvar com os fatos.

 

É lamentável quando o jornalismo extrapola a si mesmo e atropela a ética, o respeito e a própria seqüência dos fatos. Sobretudo, quando isto ocorre no evoluído jornalismo brasileiro. Pela primeira vez, pude ter o “privilégio” de ouvir declarações de um seqüestrador, diretamente de seu cativeiro, onde detinha suas vítimas. Pela primeira vez no Brasil, a imprensa interagiu com um personagem de um crime, em tempo real e arrancou dele declarações, otimizando o seu poder imaginário. Registre-se, pois, agora faz parte da história do jornalismo brasileiro: foram transmitidas, por determinadas emissoras em rede nacional, declarações ao vivo de um criminoso, encurralado pela Polícia, qual detinha duas vítimas sob a mira de um revólver.

 

A busca por pontos do ibope (audiência) faz algumas emissoras de tevê perder o senso do profissionalismo e, em vez de reportar os fatos a que foram cobrir, passam a interagir com os mesmos. Em vez de assistir à cena e somente reportar ao público através de informações, os jornalistas passam a coadjuvar um filme de terror protagonizado pelo agressor. Vimos jornalistas profissionais virem tomar parte dos próprios fatos, interagindo e se envolvendo diretamente com os acontecimentos em curso. Orgulhosamente, se apresentaram como “intermediários”, “apaziguadores”, “psicólogos”, “conselheiros” e dos principais personagens (aquele que não conseguiu ser o herói que almejara ser...) da tragédia que transmitiam ao vivo.

 

Eles não se contentam mais em fazer uma cobertura jornalística, mas em ofertar aos seus telespectadores um verdadeiro big brother do horror, proporcionado pelas maravilhas da tecnologia digital. Para tanto, são montados grandes aparatos, com equipes jornalísticas e de produção locadas estrategicamente em torno do circo dramático armado por eles, nas marquises vizinhas, alugadas temporariamente por alguns reais. No entanto, não se limitaram em permanecer em suas posições de cobertura profissional, mas avançaram sobre o fato, arrombaram o front, como um bando de hienas que se lança vorazmente em direção ao seu alimento providencial.

 

Devemos entender que, a partir do instante em que as emissoras de tevê falaram com o seqüestrador, este se sentiu, de fato, “o cara” que afirmara ser ao dominar as vítimas. Determinadas emissoras deram asas ao desatino, à insanidade e inconseqüência do agressor. Estes jornalistas, atiçaram o pseudo-poder momentâneo e os “15 minutos de fama” de uma pessoa comprovadamente desajustada.

 

Inflaram o ego de alguém que praticava um ato ilícito mostrado em rede de tevê, o colocando no patamar de um pretenso herói apaixonado; uma espécie de dom Juan mal sucedido, diante os holofotes televisivos. Entretanto, a partir daí, estes jornalistas intervieram definitivamente no destino da ocorrência e - por isso mesmo - em seu desfecho final.

 

Teve jornalista que chegou ao cúmulo de elogiar o seqüestrador em programa ao vivo, dizendo que ele não era criminoso e coisas do tipo, sabendo que ele estava o assistindo no cativeiro. O “inteligente” apresentador que procurava aconselhar o seqüestrador acreditava que, com isso, iria “controlar o seu psicológico”. Pensava que ajudava, no entanto, estava a alimentar um ego insano e completamente transtornado. Houve até emissora que se gabou da quantidade de vezes que falou com o agressor. E tudo isso sob a passividade desatenta das autoridades competentes que, por sua vez, engrossavam o público do ibope.

 

Não bastasse a falta de ética jornalística demonstrada, algumas dessas emissoras passaram a competir entre si, inclusive, promovendo trocas de acusações recíprocas (ao vivo) quanto à forma de abordagem da ocorrência. Deixavam claro, e sem a menor vergonha, que seus desentendimentos se davam por pura e simples competição.

 

Tanto este triste caso de Santo André, como o caso Nardoni, exaustivamente “cobertos” e transformados em tragédias nacionais pelas emissoras de tevê, mostrou o quão determinadas emissoras não se importam em extrapolar seus limites para chegar à frente da concorrência.

 

Estas tragédias nacionais nos mostraram verdadeiros abutres, hienas, urubus e demais carniceiros que pairam sobre o noticiário nacional, oportunos animais vorazes, dispostos a farejar sangue e horror suficientes para elevar o seu ibope ao topo.

 

Enquanto isso, casos idênticos ocorrem a todos os momentos, nas mais distintas plagas do território nacional, sem merecerem da imprensa e das autoridades a devida atenção. Eles preferem explorar a exaustão e entrevistar até a pulga do cachorro da vizinha da vítima, sem o menor constrangimento. Não obstante, sem o menor conhecimento de causa, alguns jornalistas preferem imputar a culpa dos acontecimentos aos policiais que se envolveram de forma profissional em operações de resgate, do que reconhecer que eles mesmos influenciaram e colaboraram para que os fatos tomassem o rumo que tomou e culminassem numa verdadeira tragédia.

 

Não há limites. A sede pelo ibope extrapola a dimensão da ocorrência. Nem mesmo depois de sepultadas as vítimas, não dão sossego às famílias enlutadas, aos amigos e pessoas do círculo da vítima. Não dão trégua, convocam especialistas nisso e naquilo; levantam hipóteses, teses possibilidades; exibem imagens... “Mas, se... Ah, se...!”. Estas pessoas estarão eternamente buscando a quem culpar, a quem exaltar, a quem mitificar. Querem continuar ruminando a história: entrevistas com amigos, familiares, populares curiosos... Aliás, entrevistar curioso é o máximo do jornalismo, não é mesmo? Um diretor que autoriza um negócio desse é um gênio; devia ganhar um Oscar.

 

E será sempre assim, enquanto continuar dando ibope, “vamos levar à exaustão a exaustão...”, ainda que não tenha mais nada para abordar, passemos às conjecturas. Afinal, enquanto este povo pobre, carente e que adora dramas alheios continuar acirrando os picos do ibope, estes espetáculos sempre necessitar-se-ão de ser montados, em todo momento, em qualquer lugar, tão logo soe o anúncio da próxima hiena faminta.

 

Pepe Chaves

editor

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pepechaves@gmail.com

 

 

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Itaúna:

O que fazer por um teatro municipal fechado?

Se a comunidade de Itaúna se interessasse por cultura, não teria permitido

que um prefeito fechasse o teatro municipal por mais de três anos e meio. 

 

Os leitores de Via Fanzine, de Itaúna e outras centenas de cidades do mundo que nos acessam, são testemunhas dos espaços que temos aberto, para tratar a questão do teatro municipal Sílvio de Matos, fechado pelo atual prefeito Eugênio Pinto (PT) em junho de 2005, no seu sexto mês de mandato. Este crime cultural, verdadeira questão pública e de interesse da comunidade itaunense, se configura também, na mostra da mais genuína improbidade administrativa de um prefeito municipal. Apesar de ser um dos maiores absurdos administrativos da história municipal, a questão não tem recebido atenção dos veículos da imprensa de Itaúna, sobretudo, daqueles que recebem verbas públicas da prefeitura e não têm interesses de mostrar certas verdades que, naturalmente, possam denegrir de alguma maneira a administração municipal.

 

Além disso, também a promotoria de Justiça local, até agora, depois de três anos, não se manifestou contra o fechamento do teatro Sílvio de Matos. A Justiça de Itaúna permanece de braços cruzados diante deste absurdo, mas por algo menor (o coreto), fez o prefeito reconstruir o que fora destruído por ele; o mesmo bem poderia ser feito pelo teatro. Não obstante, o presidente do Codempace, senhor Jerry Adriani Telles, é outro que permanece calado e de braços cruzados diante dessa questão, a qual deveria de ser – a meu ver – sua prioridade, já que, dentro de suas funções, deveria zelar pelo patrimônio público local.

 

Como já afirmei aqui, promovi um evento no teatro dois meses antes de seu fechamento em 2005 e o mesmo estava em perfeitas condições físicas. De lá para cá, já são quase três anos e meio de fechamento e muitas dezenas de eventos não puderam ser promovidos, sendo amputados do calendário cultural da cidade, este, completamente ignorado pelo prefeito Eugênio e seus funcionários.

 

Quando promovi o evento naquele teatro, o prefeito Eugênio lá apareceu, todo serelepe, foi entrando como se fosse o dono daquela casa, sem cumprimentar as pessoas ou ao menos, pedir licença para adentrar aquele evento que, apesar de ser apresentado num espaço público, era particular e não contou com nenhum apoio de sua administração. Sua falta de educação já me mostrava naquela época, que ele não teria o menor interesse em gerir aquele espaço com o devido cuidado, com responsabilidade e não como um moleque, que freqüenta um teatro como se estivesse numa sessão de cinema infantil.

 

No ano que vem o teatro Sílvio de Matos completará 20 anos de fundação e por uma atitude irresponsável e danosa do prefeito Eugênio Pinto, aquela casa permanece fechada quase que 20% do seu tempo de funcionamento. Esta atitude além de lesar os itaunenses no que se refere à diversão e lazer, também lesou a outros, produtores culturais e profissionais da cidade que precisam daquele espaço para suas produções.

 

O mandato do prefeito vai chegando ao fim e parece que ele não vai ser responsabilizado por ter mantido um teatro fechado durante todo o seu mandato. O mesmo não ocorreu com o campo de futebol e outros espaços públicos onde o prefeito costuma aparecer para manter sua imagem ou pedir votos.

 

Pedi instruções a um amigo meu, técnico no IPHAN em Brasília, sobre providências legais que podem ser tomadas no sentido de revitalizar o teatro Sílvio de Matos. Ele listou vários tópicos, além de fornecer nomes de pessoas e telefones de contatos de instituições estaduais que podem se interessar por esta questão. Eu repassei os dados a alguns amigos de Itaúna que têm se mostrado sensíveis com a causa do teatro local.

 

Pepe Chaves

editor

www.viafanzine.jor.br

pepechaves@gmail.com

 

 

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Deixando Itaúna

Editorial de despedida à terra natal.

Praticamente por toda minha vida, estive aqui em Itaúna, interagindo com a paisagem, plantando filhos, livros e árvores, além de idéias, ideais e pensamentos. E, desde 1994, quando fundei o jornal impresso Via Fanzine (que circulou até 2004), sempre mantive a proposta de trazer qualquer coisa que acrescentasse aos leitores pelo progresso do itaunense e do ser humano em geral. Em dez anos de circulação em Itaúna, podemos dizer que a versão impressa desse modesto jornal, revolucionou a imprensa local, em diversos aspectos, sobretudo, quanto ao enfoque à cultura, à importância da divulgação de fatos e dados históricos, esportivos, artísticos; à própria linguagem etc. - campos estes que, antes de Via Fanzine, quase não mereciam espaço na mídia local. Além ainda, de construir um visual arrojado que, de certa forma, também influenciaria alguns dos demais conterrâneos – e, sinceramente, digo isso como mero leitor itaunense. 

Nosso arquivo que remonta 10 anos de Via Fanzine impresso (o museu municipal detém uma cópia incompleta e a Fundação "Maria de Castro Nogueira" uma completa do mesmo) composto por 196 edições (de abril de 1994 a dezembro de 2004), mostra que Itaúna foi dissecada em nosso trabalho, a partir de diversas formas, nuances, tonalidades e considerações. Desde sua história, passando por seus verdadeiros heróis e chegando até o cidadão comum. Via Fanzine mostrou a cara de Itaúna para Itaúna: procurou ser seu fiel espelho e ainda assim, passados quase 15 anos de sua fundação, tal reflexo permanece intacto de distorções. Nestes 10 anos da versão impressa, substituída por esta digital em 2004 (cujos propósitos são os mesmos) mais os cinco anos dessa, tivemos o prazer de, não por acaso, estar ao lado de pessoas verdadeiramente empenhadas e, surgidas dos mais diversificados "metieres", aspirações, funções...! São eles os "anjos da guarda" desse debutante fanzine. Isso foi fundamental para que o jornal tivesse sua personalidade realmente original: mineira, brasileira, mas também, bastante mundana... Por isso, somos e sempre seremos gratos a todos que se somaram ao nosso "clã" por identificação, com desprendimento, senão por único interesse em nossa proposta primordial, que é a de levar informação confiável, apartidária, se possível inédita, exclusiva e a custo zero ou baixíssimo aos nossos leitores. 

A bem da verdade, por todo este período de circulação da versão impressa e também da digital recebemos pouquíssimo ou quase nenhum apoio dos itaunenses, sejam pessoas físicas ou jurídicas. Ainda que, desde sua fundação Via Fanzine é bastante lido por admiradores e até por desafetos, verdade é que poucos foram os que apostaram e viram utilidade em nosso trabalho na cidade de Itaúna. Creio que somos o literal exemplo do "santo de casa", pois, no entanto, hoje, não fazemos mais jornalismo para Itaúna, senão para todo o mundo, como pode ser comprovado neste portal. Na verdade, Via Fanzine sempre criou uma independência editorial de Itaúna, bem como uma imunidade aos interesses políticos e à manutenção de ditadores no poder - práticas estas que podem ser comprovadas através do comportamento e das publicações de alguns veículos da mídia local. 

Hoje criamos uma identidade jornalística e o jargão “jornal original” é reconhecido como genuíno, idôneo e substantivo de nosso trabalho, por leitores dos cinco continentes. Hoje nos transformamos no maior veículo da quase pacata Itaúna em todo planeta. É o veículo que mais propicia o mundo a conhecer, se inteirar da atualidade e da história de Itaúna, através de centenas de páginas com artigos especializados sobre o município, mantidas graciosamente por nós na rede global. O primeiro jornal a falar de Internet em Itaúna - quando todos ainda desconheciam essa palavra – é hoje, sem sombra de dúvidas (e queiram ou não) o maior cartão virtual de Itaúna no mundo. Mas de uma Itaúna verdadeira, com seus problemas e soluções, bons e maus exemplos, sem maquiagem e tal como a mulher exata, que acorda de manhã com a cara pra lavar. Aqui, Itaúna é assim, uma centenária mulher de respeito, mas da qual temos que mostrar também, pontos que não podem ser considerados nobres. Mas, sempre com amor, respeito e verdade, acima de tudo, procuramos reportar nossa cidade natal e àqueles que fazem acontecer a sua história.

Contudo, informo ao povo itaunense e aos demais leitores que, a partir de meados deste mês de fevereiro, estaremos fixando residência na cidade de Contagem-MG, região metropolitana de Belo Horizonte, para onde será transferida a redação do jornal Via Fanzine e nossa central de serviços a terceiros (publicidade, jornalismo, produção cultural, artes gráficas e serviços de web designer). A mudança se dá motivos pessoais e profissionais. Apesar disso, a sede do jornal Via Fanzine continuará sendo em Itaúna, no bairro Cidade Nova (mesmo endereço da pessoa jurídica), para onde devem ser enviadas todas as correspondências impressas. E, ainda que permanecerei por diversos dias sem visitar Itaúna, continuarei mantendo na cidade minha atual residência e domicílio eleitoral. Não estarei perdendo contato definitivo com a cidade, sobretudo, por diversas razões, entre elas, laços afetivos e profissionais que me mantém minha pessoa ligada à essa terra de Sant’Ana. 

No entanto, doravante os artigos redigidos em Contagem, passarão a ser assinados por mim daquela cidade, enquanto em Itaúna, alguns dos nossos fiéis colaboradores e informantes (além dos contatos que já mantemos por e-mail com pessoas e instituições locais) continuarão ativos e operantes. Ou seja, estou me mudando, mas meu olho continua grudado na cidade e asseguro que ela continua em destaque na nossa pauta de notícias. 

A mudança não acarretará qualquer tipo de alteração nesse ou outro portal administrado por nós, incluindo aí, os de terceiros, nem romperá nossos laços comerciais com os itaunenses que estão de alguma forma vinculados ao nosso trabalho profissional. Tampouco vai alterar nossos contatos com os colaboradores e amigos de todo o mundo que mantêm algum tipo de vínculo conosco. Naturalmente, com a proximidade do grande centro que é Belo Horizonte, uma das cidades mais expressivas do país, estaremos abrindo um maior espaço para abordar a capital e claro, também a cidade de Contagem. Porém, acreditamos que tal mudança beneficiará também Itaúna, sob diversas maneiras. Certo é que Itaúna não estará perdendo Via Fanzine, após a mudança.

No ano 1958 o escritor, pesquisador e historiador itaunense João Dornas Filho deixou Itaúna, desolado com a cidade, após uma derrota eleitoral a deputado estadual. Mudou-se (decepcionado com os itaunenses) para Belo Horizonte, onde faleceu quatro anos depois. Num paralelo, ainda que possamos estar insatisfeitos com a falta de apoio às nossas produções, além de figurarmos como vítimas indefesas das línguas alheias e traiçoeiras, que moldaram diversas tramas, a armar traiçoeiramente contra nosso trabalho em Itaúna, afirmo que estarei deixando a cidade de cabeça erguida, por vontade exclusivamente própria e disposto a honrá-la, seja em qual chão vier a pisar. Se determinadas pessoas nos impediram de ganhar milhares de reais de forma justa e honesta com nosso trabalho ao longo desses quase 15 anos de jornalismo, não posso desejar mal algum a elas, pois, nada de material que não tive me fez falta. Em muitos desses atos covardes e repletos de despeitos, ao menos revidamos publicamente diante das fofocas que acreditam nos esconder, das intrigas e baixarias armadas para, por exemplo nos desviar daquilo que é nosso por direito. Me refiro, em verdade, a atos de alguns concorrentes desleais ou pessoas invejosas e incapazes, contrárias aos nossos esforços – mormente, do jornalismo e política local. O que vocês esconderam de mim, vocês não esconderam da Vida! Agora, por fim, sorrio para estas pessoas e somente peço à Vida (ou a Deus...) que dê a cada uma delas, o que realmente merece, nem mais nem menos, somente o que se enquadre de forma justa e precisa nos incompreensíveis ditames da “lei de todas as coisas”, em vigor nesse Universo, qual se encontra aquém e além do querer, do dinheiro, da ganância e da vontade humana. Da minha parte, como homem, manifesto a isenção de quaisquer sentimentos de rancor em relação a quem quer que seja, sobretudo, no que se refere a estas imperiosas personas, pois que, em verdade, elas são das melhores professoras que pude ter nessa vida, pois que me moldou às formas em que justamente sou (sadio e consciente) e me fez perceber que, aquilo que não podemos compreender é o que nos dá por merecer. 

Por outro lado, expresso aqui minha sincera gratidão a cada querido itaunense que, de alguma forma, cedo ou tarde, respeitou e reconheceu nosso modesto, mas genuíno trabalho, enquanto permanecemos com a tenda armada nesse chão santanense, que primeiro sustentou os meus pés.  

Obrigado a TODOS.

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