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Antônio Siqueira

 

 

O que há por detrás da intervenção:

A Intervenção Federal e o  livramento de Temer

Quando se pensava que a intervenção pela metade tinha sido “inventada” com o objetivo

oculto de fortalecer a candidatura do presidente Michel Temer à reeleição,

de repente se descobre que é apenas a ponta do iceberg.

 

Por Antônio Siqueira*

Do Rio de Janeiro-RJ

Para Via Fanzine

22/02/2018

 

A intervenção no Rio de Janeiro ganhou as manchetes de todo o mundo.

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A Intervenção inclui, principalmente, o golpe de mestre de Temer para manter o foro privilegiado depois de tantas denuncias de corrupção. Quando os deputados começaram a discutir a intervenção federal no Rio, ontem à noite, tanques do Exército já cercavam uma das maiores favelas da cidade. O governo adotou a tática do fato consumado. Pôs a tropa na rua antes que o Congresso pudesse votar a medida, inédita desde a Constituição de 1988.

 

Na política, mais do que nunca as aparências enganam. Quando se pensava que a intervenção pela metade tinha sido “inventada” com o objetivo oculto de fortalecer a candidatura do presidente Michel Temer à reeleição, de repente se descobre que é apenas a ponta do iceberg. Na verdade, o ato de decretar intervenção no Rio de Janeiro causou a imediata suspensão de 149 emendas constitucionais que se encontram em tramitação no Congresso, entre as quais a proposta do senador Alvaro Dias para restringir o foro privilegiado e que foi aprovada por unanimidade no Senado.

 

Para a chamada “bancada da corrupção” (que inclui a maioria dos parlamentares, o chamado núcleo duro do Planalto e o próprio Michel Temer), além do fortalecimento da imagem do governo, realmente o objetivo mais importante é impedir a votação das restrições ao foro especial, mas este “efeito especial” está encoberto pelo ardil da intervenção. Os ideólogos da intervenção pensaram em política. E deixaram o Exército, que tem se mantido exemplar no Estado de Direito, com todo o risco. Quem pensa em nova versão do Golpe de 1964, equivoca-se, não sem motivos, pois foram 21 anos de desastres civilizacionais e cassação de direitos civis.

 

Os chamados donos dos morros montam uma estrutura bastante sofisticada que se entranha pelas comunidades, determina a vida econômica local e serve para eleger políticos que defendem os interesses do crime organizado. As facções também mantêm departamentos jurídicos, que atuam na obtenção de habeas corpus e negociam os chamados “arregos” (pagamentos de propinas a policiais e políticos); financeiros e logísticos, que tratam do fluxo de caixa, de matérias-primas e do suprimento de armas e munições; de produção, com gerentes diferentes para cada tipo de droga, e de distribuição, com vendedores no varejo e “vapores”, traficantes que levam o produto para áreas de maior renda e que atuam em festas e bares. “A coisa vai muito além do traficante armado com fuzil. O sistema de alerta inclui crianças que usam celulares, rádios e outros sistemas, como fogos e pipas, para avisar os combatentes da chegada de policiais ou grupos rivais. A tomada de um morro segue o mesmo esquema de saque da Idade Média. O grupo se apropria do butim e dos equipamentos da facção derrotada. Há sempre muito dinheiro vivo, inclusive dólares e euros, porque as quadrilhas não usam o sistema bancário.

 

O governo federal não investirá um vintém no programa e todos os custos serão cobertos pelas verbas do governo estadual, que está falido, e pelo Ministério da Defesa, que não tem dinheiro para alimentar os recrutas e abastecer os veículos de combate, que já estão com prazo de validade vencido. O ministro da Fazenda, que tem a chave do cofre, disse que não sabe como proceder.

 

Ninguém pode ser contra a intervenção ou qualquer outra iniciativa que possa reduzir a criminalidade. Entretanto reafirmo aqui, que a intervenção tem dois objetivos principais — fortalecer a candidatura de Temer à reeleição e engavetar a emenda do sen Alvaro Dias, que impõe restrições ao foro privilegiado e foi aprovada por unanimidade no Senado. Acredite se quiser, o povo está fora dos planos do Governo vigente que só pensa em manter-se no poder e livrar um presidente corrupto da cadeia mantendo o foro privilegiado.

 

 

* Antônio Siqueira é cronista, articulista e correspondente de Via Fanzine no Rio de Janeiro. É editor do portal Política&Afins.

 

- Imagem: Divulgação.

 

Produção: Pepe Chaves.

 

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