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Internacional

 

América do Sul:

A intervenção dos EUA na Venezuela

Qualquer intromissão dos EUA no seu "quintal" é algo que vai afetar a soberania nacional de toda a América Latina, fazendo com que a única região do mundo sem armas nucleares nem guerras entre vizinhos comece a sangrar...



Por Isaac Bigio*

De Londres

Para Via Fanzine

25/01/2019

 

Enquanto Trump mantém boas relações com autocratas como a super totalitária e teocrática monarquia saudita, ele se cala de todas as suas extremas violações aos direitos humanos e da mulher.

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The Economist, a revista mais lida pelas corporações britânicas, tem qualificado Maduro como o pior presidente do mundo. Seus críticos o culpam de liderar uma hiperinflação de um milhão por cento; que os salários venezuelanos são de dois dólares mensais; que há desabastecimento; que a crise tem empurrado centenas de milhares de venezuelanos a emigrar; que as Forças Armadas controlam o país; que há corrupção e uma nova "caneta-burguesa"; e que há eleições fraudulentas.

 

Enquanto o chavismo responde que a Venezuela é um dos países que mais eleições têm feito no mundo em 20 anos no poder; que eles diminuíram a desigualdade social; e que melhoraram a saúde, educação e moradia em muitos setores. Maduro venceu as eleições presidenciais diante de outros quatro candidatos e com 2/3 dos votos expressos e 1/3 do padrão eleitoral (um valor superior à da maior parte dos governantes das Américas), afirmando que a crise foi produzida pelo imperialismo.

 

Os EUA, que lançaram uma campanha mundial para boicotar as eleições presidenciais venezuelanas e para desconhecer o segundo mandato de Maduro, agora apelaram a Juan Guaidó para se proclamar presidente interino, oferecendo-lhe todo o seu apoio. E através disso procuram criar um golpe ou uma intervenção militar no país.

 

Enquanto Trump mantém boas relações com autocratas como a super totalitária e teocrática monarquia saudita, ele se cala de todas as suas extremas violações aos direitos humanos e da mulher. No entanto, quando Washington tem interesses próprios para defender e decide demonizar um governo como ditatorial para promover uma invasão territorial, já vimos como isso antes. No Afeganistão, no Iraque, na Líbia, na Somália, na Síria ou na Ucrânia, esse tipo de política tem conduzido a guerras sangrentas nas quais os EUA investiu trilhões de dólares para destruir a infraestrutura de muitos desses países, levando à morte centenas de milhares de pessoas.

 

Essa ameaça agora paira sobre a América Latina, onde desde a guerra boliviana-Paraguaia (de 1932 a 1935) nunca tivemos uma guerra total, mas agora o fantasma de uma nova Síria se faz no horizonte.

 

Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, rompeu relações diplomáticas com os EUA e deu três dias de prazo para todos os seus diplomatas se retirarem do país. A resposta do governo Donald Trump foi que eles confiscarão todos os bens correspondentes à Venezuela e que os diplomatas não irão sair do país, pois para eles, o único governo legítimo é o de João Guaidó. Além disso, ameaça promover represálias se qualquer um do seu pessoal for detido, deixando claro que todas as opções estão abertas, o que inclui a ameaça de ataques militares.

 

Os dois países sul-americanos mais povoados, Colômbia e Brasil, são aqueles que têm mais fronteiras com a Venezuela e onde recentemente chegaram ao poder uma direita dura que deseja derrubar o chavismo, bem como todo vestígio do esquerdismo. É muito real a possibilidade dessa situação crescer e se produzir uma intervenção externa sob o argumento de que isso será feito em função do pedido de um suposto governo interino alternativo.

 

A questão central na Venezuela agora não é se Maduro faz ou não um bom ou mau governo, mas sim aquele que começará na América Latina a dar aula de guerras feitas pelos EUA no leste. A região já experimentou invasões de Washington sobre vários países do Caribe ou os golpes que o partido republicano de Trump comandou no Chile e outras nações. Em comparação a isso a Venezuela é uma peça muito mais difícil de roer devido ao fato de suas Forças Armadas estarem muito ligadas ao bolivarianismo e a Cuba, e contam com o apoio da Rússia, do Irã, da Turquia e da China.

 

Portanto, qualquer intromissão dos EUA no seu "quintal" é algo que vai afetar a soberania nacional de toda a América Latina, fazendo com que a única região do mundo sem armas nucleares nem guerras entre vizinhos comece a sangrar... E muito forte.

 

* Isaac Bigio é professor e analista internacional em Londres e colaborador de Via Fanzine.

 

- Texto traduzido por Pepe Chaves para Via Fanzine.

 

- Imagem : Divulgação.

 

- Produção: Pepe Chaves.

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