Brasil Antigo

   

Norte de Minas Gerais:

De volta ao vale do Peruaçu

 É um lugar esplendoroso e cheio de mistérios, com mais de uma centena de cavernas e dezenas de sítios arqueológicos com registros rupestres que guardam uma rica variedade de elementos e complexa estranheza.   

  

 Reportagem de J. A. FONSECA*

Do Vale do Peruaçu/MG

Outubro/2019

jafonseca1@hotmail.com

 

Detalhe do painel da Lapa do Rezar.

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Decidimos voltar ao Vale do Peruaçu. Vimos tantas coisas interessantes lá em nossa ida em outubro de 2018 que nos sentimos quase que obrigados a fazê-lo novamente. É um lugar esplendoroso e cheio de mistérios, com mais de uma centena de cavernas e dezenas de sítios arqueológicos com registros rupestres que guardam uma rica variedade de elementos e complexa estranheza. 

 

Chegamos lá decididos inicialmente voltar à Lapa do Caboclo e dos Desenhos, eu, minha esposa e meu filho. Contratamos um guia com indicação especial e tivemos sorte. Fomos acompanhados pelo Nilson Evangelista da Silva, um condutor experiente e conhecedor do parque com vários anos percorrendo a região. Trata-se também de uma pessoa muito agradável. Mantivemos longas conversas.

 

 

Este autor e o condutor Nelson Evangelista.

 

Partimos então em direção a estes dois sítios já visitados anteriormente, pois pensamos que rever certas coisas já vistas, apesar de termos inspecionado com cautela os registros que já havíamos feito delas, na procura de detalhes, estar ali presente uma segunda vez aguça os nossos sentidos e faz-nos observar melhor as coisas, sabedores de que temos diante de nós elementos significativos  para observação e análise.

 

O calor era intenso, chegando a alcançar 38 graus. Próximo das cavernas a temperatura era mais amena, por causa do frescor que se expande de seu interior, mesmo que não seja permitido penetrar no interior destas, por tratarem-se de terrenos de pesquisas. Depois de uma caminhada de cerca de 500 metros por uma trilha cercada de árvores crestadas pelo sol e pouca chuva na região chegamos então na Lapa do Caboclo com sua bela arte primitiva que nos havia deixado perplexos em nossa última visita. A delicadeza de muitas das figuras enigmáticas que se acham impressas na rocha fazem-nos viajar ao passado numa tentativa de trazer explicações coerentes para esta ‘arte’ de elevada expressividade.

 

Assim, na Lapa do Caboclo acabamos por identificar a segunda figura gigantesca de um outro homem em meio das figuras belíssimas gravadas em estilo geométrico e que me havia escapado na primeira observação. Já havia citado no artigo anterior que um pesquisador teria identificado dois destes homens no meio das pinturas, mas até então não o havia notado, apesar de ser consideravelmente grande e estar próximo do outro, ao qual demos destaque.

 

 

A segunda figura humanoide gigantesca logo abaixo da anterior, na Lapa do Caboclo.

 

Depois, tomamos o carro estacionado na área de suporte ao turista, retornamos alguns quilômetros e nos dirigimos para a Lapa dos Desenhos que também queríamos rever. Estacionamos o carro e caminhamos por cerca de 1400 metros, próximo ao leito do rio Peruaçu, com pouquíssima água nesta época do ano, mas numa trilha em meio de árvores verdejantes e vegetação ciliar com agradável temperatura. Passamos também por trechos de muita seca que produzem um desconcertante contraste com o anterior.

 

Os delicados painéis líticos deste sitio arqueológico são múltiplos e se acham espalhados por uma extensa área, na face do esplêndido bloco de pedra calcária de que se constituem os cânions da região. São painéis belíssimos, sofisticados e muitos dos conjuntos se acham gravados a alturas excepcionais, como já havíamos mencionado. Este sítio já havia sido comentado em nosso artigo anterior, mas é sempre importante abordá-lo novamente em decorrência de suas variadas expressões ‘artísticas’ enigmáticas, elaboradas em diferentes estilos e processos de execução.  Determinados conjuntos de inscrições e figuras se encontram gravados em seu lajedo íngreme, até cerca de 10 metros de altura, fato este notado com admiração e perplexidade por todos aqueles que deles tomam conhecimento.

 

 

Este autor diante do painel da Lapa dos Desenhos.

 

Em nossas observações identificamos dois novos grupos de inscrições, mais no final da sequência de figuras, situadas em grande altitude, que não havíamos notado em nossa visita anterior, fato este ocorrido talvez por causa da nossa admiração diante de tão portentoso trabalho primitivo que ansiávamos por presenciar em nossa primeira visita ao local.

 

Também estas inscrições gravadas em vermelho, em sua maioria, apresentam figuras não muito comuns compondo um conjunto belo e harmonioso, como se os seus autores pretendessem gravar uma ideia que se destacasse e pudesse perdurar por muito tempo. Mostramos abaixo detalhes destas inscrições.

 

 

Conjunto rupestre com rica simbologia na Lapa dos Desenhos.

 

No dia seguinte eu e meu filho Adriano, orientados pelo nosso condutor Nelson, nos dirigimos para a Lapa do Janelão. Já a havia visitado anteriormente, mas não havia percorrido a trilha que leva até ao final da caverna (no limite de seu ponto de visitação) que alcança 2400 metros de percurso no seu interior. É uma caminhada agradável, apesar dos percalços logo no início com duas descidas e subidas fortes. A caverna possui quatro claraboias no teto e recebe luz do sol em toda a extensão percorrida, onde podem ser vistas estalactites e estalagmites de grande porte e de rara beleza, árvores vicejando em toda a parte, pedras descomunais deslocadas e um pequeno rio (o Peruaçu) que corre suavemente, refrescando todo o ambiente.

 

É tudo muito belo e agradável. É também algo grandioso, pois os salões da caverna possuem até cerca de 100 m de altura em algumas localidades e grandes blocos de pedra são vistos em toda a parte.  Mesmo com o esforço despendido na distância percorrida e dos percalços, escadarias que se elevam a grande altura na sua descida da entrada até o seu ponto mais baixo e depois a subida de retorno, a jornada é compensadora. Na entrada as ricas e variadas inscrições rupestres em seus paredões gigantescos, que também já foram citados em outros artigos, compõem também uma paisagem inexplicavelmente sofisticada, bela e misteriosa.

 

 

A entrada portentosa da caverna do Janelão.

 

Na volta, fizemos um pequeno descanso no Centro de Visitantes, tomamos um lanche e logo após nos dirigimos para a Lapa do Rezar, ainda não conhecida por este autor. Ela localiza-se a cerca de 1200 metros dali, passando por uma trilha em parte bem ressecada e em parte sombreada por vegetação e árvores verdejantes, algumas destas bem frondosas. O nome Rezar, segundo as pessoas do local, foi dado porque a gruta era visitada anualmente por pessoas religiosas que em peregrinação, faziam romarias e orações no local. Próximo do topo da montanha onde se acha a caverna sobe-se por uma escadaria de 500 degraus no meio de árvores quase sem folhas por causa da seca.

 

Subindo a escadaria para a gruta da Lapa do Rezar.

 

Mas, a visão do amplo salão que se abre logo na entrada, com 40 m de altura diante de nós é algo fascinante. Penetramos no largo vão desta entrada (estimado em 90m de largura) todo iluminado pela luz do sol, e observamos os painéis rupestres pintados em grande extensão e grande quantidade de elementos, localizados a alturas significativas nos contrafortes íngremes. Da mesma forma que nas demais Lapas visitadas os motivos das figuras gravadas na pedra são misteriosos, mostrando ao mesmo tempo beleza, estranheza e complexidade na sua composição, além de estarem bem conservados como muitos dos outros que já destacamos em trabalhos anteriores.

 

 

A caminho do interior da gruta na Lapa do Rezar.

 

A caverna é escura e tivemos de adaptar lâmpadas nos capacetes para percorrê-la. Seu interior, assim como seu exterior são decorados por belíssimos espeleotemas, estalactites e estalagmites gigantescos que se refletiam à luz de nossas lanternas. Fizemos uma breve caminhada dentro da caverna e de volta ao amplo salão externo, nos detivemos em registrar e observar as inúmeras inscrições e figuras gravadas na pedra, como se fossem painéis decorativos feitos para embelezar o seu esplêndido vão de entrada.

 

  

As belíssimas e intrincadas figuras rupestres da Lapa do Rezar.

 

Sabemos que não é fácil determinar a intensidade de ocupação nos sítios arqueológicos que vão sendo estudados, analisando-se apenas os vestígios que ali foram encontrados. Da mesma forma sabe-se que é também difícil avaliar adequadamente a antiguidade destas inscrições que são chamadas de ‘arte rupestre’ e que podem ser vistas nos mais longínquos e variados rincões do Brasil e também de outros países. Ademais, a grande variedade destes registros, estilos e técnicas de elaboração que são detectados, acarretam reais dificuldades na sua classificação e estudo, e na possibilidade de identificar corretamente a sua época, os seus autores e a origem desses.

 

No caso do Vale do Peruaçu este fator eleva seu grau de complexidade, porque temos uma grande incidência desta ‘arte’ primitiva e seus motivos e técnicas de execução variam muito. Também é alvo de incompreensão muitas das figuras que se acham gravadas na rocha, que em sua maior parte costumam abordar uma temática não conhecida, ocasionando assim novas dificuldades na busca do entendimento de seus reais conteúdos ou prováveis significados. Nos painéis desta nova gruta que acabamos de visitar (a Lapa do Rezar) vamos encontrar também, com relevante intensidade, elementos diferenciados, figuras inusitadas, compondo gigantescas áreas executadas em destaque e em considerável altura.  

 

  

Detalhe de um conjunto de figuras na Lapa do Rezar.

 

Estas coisas causam-nos impressões muito fortes e em nossa busca de procurar identificar o potencial de seus autores os nossos pensamentos conduzem-nos a especular que eles teriam de ser, no mínimo, muito criativos e dotados de um grau de inteligência relevante, para não falar de outros aspectos que envolvem esta bela ‘arte’, como o estético, por exemplo, e o da beleza estratégica, além das figuras variadas que se acham gravadas e que não deixam de causar perplexidade nos olhares dos pesquisadores ou observadores que diante delas tenham chegado.

 

Mistérios!… São mistérios a serem desvendados de um Brasil distante, mistérios que insistem em encobrir os segredos milenares de um tempo que a bruma sombria das eras teria feito desaparecer quase que em sua totalidade.  

 

- Fotografias: J. A. Fonseca e Adriano Augusto.

 

* J.A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e realizado incursões em diversas regiões do Brasil com o intuito de melhor compreender seus mistérios milenares. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA. E-mail: jafonseca1@hotmail.com.

 

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Esta matéria foi composta com exclusividade para Via Fanzine©.

 

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