|
Origens humanas:
Curso de Paleoantropologia para Iniciantes
Segunda edição de curso apresenta novos
materiais.
Da Redação*
Via Fanzine
28/11/2011

Para
saber mais sobre esse curso e paleontropologia,
clique aqui.
Em Itaúna-MG, o pesquisador Euder Monteiro está promovendo
a 2ª Edição de seu Curso de Paleoantropologia para Iniciantes. De acordo
com Monteiro, o curso foi totalmente revisado, ampliado e recebeu a
inclusão de novas gravuras e fotos.
O pesquisador diz que
através do curso, o leitor poderá acompanhar todos os passos da Evolução do
Homem, desde os primeiros primatas bípedes até o surgimento das variadas
espécies humanas.
Paleoantropologia
A Paleoantropologia estuda, em suma, a evolução das
espécies pré-humanas e das espécies do gênero Homo, incluindo nossa
própria espécie: Homo sapiens. A Paleoantropopologia (“Paleo”, do grego,
significa antigo, indicando que se trata do estudo da Antropologia
antiga, ou pré-histórica) é uma junção de ramos científicos importante:
a Paleontologia e a Antropologia.
A Paleoantropologia realiza estudos
antropológicos de todas as características físicas, modos
de vida, interações sociais e outros aspectos dos pré-humanos e dos
humanos, além das relações de parentesco entre as espécies.
A Paleontologia é bastante utilizada pelos
Paleoantropólogos, como, por exemplo, quando fósseis de animais
pré-históricos auxiliam ou complementam os outros métodos de datação dos
sítios arqueológicos, tendo em vista que é possível saber em que época
determinados paleoanimais viveram.
Para saber mais sobre esse curso e paleontropologia,
clique aqui.
*
Com informações de Euder Monteiro.
-
Visite o seu site:
www.paleoantropologia.com.br
-
Imagens: Humanorigins.si.edu.
* * *
Peru:
Os 100 anos da descoberta de Machu Picchu
Faz um século, as ruínas de Machu Pichu eram descobertas
por um norteamericano.
Por Isaac Bigio*
ESPECIAL, de
Londres
Para Via
Fanzine
Tradução: Pepe
Chaves

Machu Pichu: arquitetura sofisticada apresenta entalhes e
encaixes perfeitos.
Em
julho de 1911, o estadunidense Hiram Bingham encontrou as ruínas de Machu
Picchu. Elas se tornaram o cartão postal do Peru para os turistas de
todo o planeta, além de ser consideradas uma das sete maravilhas
modernas da humanidade.
Machu Picchu tem menos de 600 anos. É mais recente que muitas grandes
catedrais, castelos ou capitais do Velho Mundo, mas os turistas se
encantam com a beleza da paisagem, a sofisticação de suas construções e
uma cidadela inca que não foi saqueada.
Inicialmente, Bingham pensava que se tratava de Vilcabamba, a capital
dos incas que resistiram durante quase meio século aos conquistadores de
Cuzco e que os esqueletos encontrados seriam das virgens do sol.
Logo, as evidências mostraram que Machu Picchu se salvou dos castelhanos
(que arrasaram, sim, Vilcabamba) porque teria sido abandonada antes da
chegada dos europeus. Os cadáveres encontrados correspondem aos dois
sexos, seus trajes não refletem nobreza alguma e suas dentições indicam
que mantinham uma dieta própria de privilegiados serventes. Machu Picchu
teria sido um centro de hospedagem, culto ou estudos feitos por e para o
inca Pachacútec, mas caiu em desuso.
A
maravilhosa arquitetura inca usa pedras que pesam toneladas e se
amontoam tão perfeitamente como peças de quebra-cabeças e sem que um
alfinete possa penetrar entre suas divisões. Além disso, a cidadela se
destaca pela maneira em que a água era canalizada, atingindo a medida
exata de abastecimento, sem causar inundações. Não obstante, há outras
ruínas incas (como Ollantaytambo) ou pré-íncas (como Puma Punku) que
mostram rochas maiores com entalhes e encaixes ainda mais descomunais.
Machu Picchu é como a ponta de um iceberg, em dois sentidos.
A partir do ponto vista arquitetônico, suas construções de cume repousam
sobre colossais e sofisticadas obras, impedindo que a montanha as
derrube com as constantes chuvas torrenciais. As bases deste "hotel
inca" são terraços com vários andares em diferentes níveis do solo, que
permitiam à água se conduzir por gravidade até os aposentos.
E, do
ponto de vista cultural, é uma mera mostra de uma pouco conhecida
história milenar. O império inca durou menos de um século e, ainda que
novas teorias sugiram que existiram mais monarcas incas que os 14
conhecidos (e que teriam sido apagados da memória histórica por terem
sido derrotados em pleitos pelo poder), o Tawantinsuyo durou menos que a
colônia ou as atuais repúblicas andinas.
Nesse contexto, os
incas foram a nata acima do leite, pois sucederam outras civilizações
que produziram uma série de obras encontradas no último século, a partir
da descoberta de Machu Picchu: desde as pirâmides de Caral (tão antigas
quanto às do Egito) aos majestosos achados dos senhores de Sipán e Wari.
Cada
vez mais, a ciência se surpreende a respeito dos canais, pontes,
construções antisísmicas, medicina, hotelaria e estradas andinas -
algumas bem mais conservadas que as contemporâneas de alguns continentes.
* Isaac Bigio é professor e analista
internacional em Londres.
- Leia outros artigos de Isaac Bigio em
português:
www.viafanzine.jor.br/bigio.htm.
- Foto: Voyr Le Monde.
* * *
Itália:
Pompéia: vida e morte marcadas pelo
relógio de sol
Um povo que teve suas
vidas interrompidas pelo vulcão Vesúvio.
Por Fabiano
Mauro Ribeiro*
Do Rio de
Janeiro-RJ
Para
Via Fanzine

Pompéia Porta do templo de Apolo.
Um
histórico cinzento
A história da cidade de Pompéia, situada ao Sul de
Nápoles na Campânia, Itália, onde deságua o Rio Sarno, foi sempre
mitológica, trágica e atração de interesses, que vão do curioso ao
terrificante.
Alguns antigos historiadores gostariam que fosse Hércules o
seu fundador, porém, há registro geográfico de que mais próximo ao
período dos Césares, os que ali habitaram foram os oscos. Interessante
registrar que esse povo considerado aborígine pelos romanos e por eles
banido, influenciou àquela civilização em muitos tópicos – inclusive,
deixando monumentos com inscrições, as quais se deve ler da direita para
a esquerda.
Pompéia acabara por se latinizar e já contava com perto de
20 mil almas, nos anos de 60 da nossa era. Ali estavam residências de
veraneio, pessoas opulentas de Roma. Cícero possuía uma vila no local.
Plínio, o Velho, era outro morador, como registra seu sobrinho Plínio o
Jovem.
A arquiteta carioca Patrícia Daher Ribeiro Ramundo, em
recente viagem a Pompéia e Herculano, fotografou com destaque o
impressionante Relógio de Sol construído pelo que se aceita oficialmente
no século I, instalado nas imediações do Templo de Apolo [foto acima].
Desde então, era perturbadora a importância e autenticidade desse
marcador solar feito em pedra. Com efeito, naquela época, a hora pública
já se tornava uma realidade, orientando à população e somente o
quadrante solar era o instrumento.
O habitante da fantasmagórica região que margeava o Vesúvio
era ao que se conclui, moderadamente devoto da libertinagem, face às
tendências dionisíacas, mas disciplinadas. A cidade parece um cadinho
dosado com forte tempero da cultura helênica. Não nos esqueçamos que
estamos falando do Lacio, o berço da língua latina.
Mas com certeza, a atmosfera de Pompéia, mesmo após séculos
de sua destruição, é grega. O próprio Relógio de Sol e sua história
nesse cenário, diz isso. Sua invenção é bem anterior, aceita por alguns
até há cinco mil anos antes dessas datas, tendo a velha China como ponto
de partida. No entanto, recebe uma forte melhora em seu mecanismo
simples e genial com Anaximandro, sábio e cientista grego. Isso é
referente à criação do gnomon, a haste central responsável pela marcação
das horas no mostrador, feita pela sombra.
Hiparco, também grego, que viveu em 190 a.C., inventor do
Astrolábio, pai da Trigonometria, contribuiu para os avanços na precisão
do marcador solar. O relógio de Sol brasileiro, por exemplo, é chamado
de Relógio Equatorial, dado à posição em que nos situamos. E a colocação
dessas peças por aqui está sujeita aos cálculos, sob pena de não haver
funcionamento correto.
Como acentua Patrícia Ribeiro Ramundo, é marcante a
presença do iônico (jônico), mormente, nas ruínas do Templo de Apolo – é
grega, portanto, essa divindade e a atmosfera da influência helênica
fora, talvez, uma imanização que se assentou de modo definitivo sobre
aquele pedaço de terras do vetusto Vale do Sarno. Remontam à Idade do
Ferro, alguns vestígios, que se situam bem anteriores à era romana, como
velhos objetos em terracota, atribuídos às datas de séculos VIII e IX
a.C. Há idades ou influências áticas, corintias – todo esse passado
vigoroso de misturas de raças e de povos históricos, alguns ferozes e
beligerantes, fizeram parte de séculos bem anteriores à era cristã,
quando então, veio o reinado de Augusto e a época Romana.
Patrícia Ramundo fixou-se no Templo de Apolo, que as ruínas
indicam terem possuído seis colunas coríntias, como frisa a arquiteta,
elevadas, onde se acessa por escadaria bem restauradas. Nesse quadro a
arquiteta reporta que há uma comunhão de estilos, o etruscoitálico como
o pódio e a escadaria, com elementos gregos.
Em frente, próximo à escadaria do Templo é que se localiza
o Relógio de Sol em pedra, fixado sobre uma coluna jônica, como mostra a
foto tomada por Patrícia. Esse marcador solar data seguramente do século
1 de nossa era, sua idade e autenticidade são bem conferidas. No capitel
jônico que sustenta o relógio, quase no meio da haste está a inscrição
com os nomes de L. Sepunius Sandilianus e M. Herennius Epidianus,
espécie de altos dignitários da Justiça local, denominados duúnviros e,
que têm seus nomes registrados nas idades históricas correspondentes, da
era agostiniana.

"Pata
de leão", obra cunhada em pedra.
Patrícia Ribeiro Ramundo, obteve junto aos guias
conhecedores de Pompéia, a indicação de um conservado resto de conjunto
em pedra, conhecido como banco publico “pata de leão” [foto acima].
Esta peça está situada atrás do Templo de Apolo, mas consta
no capitel, sobre o qual está o relógio, numa alusão de que ela fora
também custeada pelos mesmos vultos como se nota nas inscrições latinas
traduzidas pela gente da atual comuna de Pompéia, “Inscrição pedestal do
Relógio de Sol Pompéia”.

Inscrição
pedestal do
Relógio de
Sol Pompéia
Tradução com preenchimento das iniciais fornecidas
gentilmente por guia de turismo da Comuna de Pompéia:
L (Lucius) SEPUNIUS ( uci) F (FILIUS)
SANDILIANUS M( Marcus)
HERENIO A (Auli) F (Filus)
EPIDIANUS DUO VIR (Iure),
D (Icundo) OL SC (Am) ET
HOROL (horologium)
D (e) (Ua) P S
ACIUNDUM F C (Oerarunt)
“Ambos de Pompéia, Lucio Sepunius Sandilianus, filho de
Lucio,e Marcus Herrenius Epidianus, filho de Aulus, fizeram construir às
próprias expensas, um banco publico e um relógio de Sol”.
Da montanha
desce o fogo que aniquila
A cidade tinha 30 mil habitantes no ano de 63. Algumas
cabeças que deixariam nome, doutrinas filosóficas, depois deixaram
testemunho. Ela foi colônia nos tempos de Nero. O Vesúvio, essa terrível
boca de fogo, aparentemente adormecida, era uma constante na cabeceira
da cidade. Na época de Spartacus, como anotam os historiadores, havia
dois relevos que subiam a uns 600 metros de altura. Havia os cones,
conhecidos como Somma e Átrio del Cavallo. Mas o cone de detritos de
lavas está a uma altitude de perto de 1,1 mil metros.
Pompéia ali estava ao sopé desse monte e recebia muitos
estrangeiros, comerciava de maneira razoável através de seu porto.
Ninguém seria capaz de, em tempos em que a cidade gozava de paz com a
montanha infernal, imaginar que o vulcão despertaria numa tarde daquele
ano de 63.
Contudo, aquele fatídico ano, fora apenas uma amostra do
que sairia ainda mais das entranhas da terra. E foi assim que, em 24 de
agosto de 79, um inferno real e ininterrupto por várias horas,
empurraria um verdadeiro rio de lavas por toda a encosta que faz face
com a cidade. Algumas pessoas na irrupção anterior tratariam de buscar
seus pertences e abandonar o sitio – mas 79, muitos creram numa
imaginária lógica da natureza, que talvez não se manifestaria assim,
pouco mais de dez anos depois, tendo em vista estar o vulcão adormecido
por séculos. Mas a natureza tem regras, tem precisão até, mas não tem
lógica.
E após a turbulência incandescente, que poder algum feito
pelo homem seria capaz de deter, um mundo de fogo entornou sobre o Vale
do Sarno. Foram dias que se emendaram com as noites. Os estragos foram
até longe dali - atingiram ainda pequenas cidades nobres e antigas que
guardavam a magnífica arquitetura greco-romana e a paisagem dos golfos
desenhados pela pena dos deuses. Atingiram a cidade de Stabies. Essa a
também batizada em sangue, cerca de 60 a.C. por Sylla, um ditador que
deixava a marca das suas atrocidades. Stabies iria renascer como
Castelamare de Stabies, reconstruída sobre as suas cinzas.
Por vários dias, o Vesúvio resfolegou e tingiu as encostas
com lavas entre o alaranjado, o plúmbeo e o tinto sangrento. E o
arremate desse poder brutal sobre as gentes e as coisas, é a carusma – a
montanha por uma lei escusa da natureza, envolta pela carusma, parece
que precisava de mortos, mas eis que se espanta com seu próprio poder e,
após o morticínio, adormece.
As escavações -
tempus nosce (conhece o tempo)
Em 1748 um homem do campo encontrou no sítio, soterradas,
algumas esculturas, eram estátuas, aparentemente da Roma antiga. Já
havia se passado vários lustros e a erupção vulcânica se distanciara nas
memórias daquele povo. Pompéia jazia sob as cinzas. O Rei Carlos III se
despertou para os achados. Joaquim Murat, então Rei de Nápoles, se
adiantou em estimular as pesquisas. Mais tarde, em cerca de 1860, foi
convocado Giuseppe Fiorelli, arqueólogo napolitano.
E assim, Fiorelli se torna o inspetor de uma ressurreição e
iria descobrir como se faz a moldagem em gesso das pessoas encontradas
nos escombros, quais foram surpreendidas pelo o que - acredita-se hoje -
uma mortífera onda de gás.
Após a unificação da Itália, Fiorelli ocuparia o cargo de
diretor dos Museus em Roma. Esse arqueólogo deixara em Pompéia, 30 anos
de sua vida, fazendo das ruínas um passado presente que faz parte da
historia do mundo.
Nem a larva nem a
chuva nem a erva, apagam o tempo
No decorrer do século XIX os sucessivos governos italianos
compreenderam a importância da região como ponto de atração turística.
Hoje, pouco mais de dois terços da cidade estão descobertos - lá estão
as vias de Mercúrio, a do Fórum, a Rua ou Via Consular a de Stabies e
poucas outras.
Sem dúvida, os monumentos encontrados em ruínas, demonstram
a opulência da cidade, bastando por si só, os Templos de Mercúrio,
Júpiter e Apollo. Os planos da cidade demonstram a presença de bons
planejadores. Os monumentos públicos em geral empolgam gerações.
Toda a atmosfera é de inspiração invulgar, que influencia
um romancista como Sir Eduardo Bulwer Lytton (1803-1873) a escrever “os
últimos dias de Pompéia”, com páginas que têm apaixonado leitores e
platéias, quando no cinema ou no teatro.
Na porta do Templo de Apollo, permaneceu inteiro o Relógio
de Sol em pedra. Ele marcou desde as eras primordiais augustinianas, até
os tenebrosos momentos da erupção de 79 e até os dias atuais, o clima, a
vida e a morte de uma cidade única no mundo, considerando sua origem e
o seu destino.
* Fabiano
Mauro Ribeiro é pesquisador, colaborador de várias publicações sobre
História e Arte.
- Fotos: Patrícia Ribeiro Ramundo.
- Referências bibliográficas:
Giulia Salvi - Pompéia –Centro Stampa Editoriale Bonechi-Firenze IT.
Patrícia Daher Ribeiro Ramundo – arquiteta.
Enciclopédia Jackson Internacional.
O
Relógio e Sua História - Dimas de Melo Pimenta –Ed Dimep SP 1982.
Mesure du Temps et de L’espace – Samuel Guye et Henri Michel -Office du
Livre
Fribourg Suíça -1970.
Os
Últimos Dias de Pompéia – Lord Bulwer Lytton – Ed. Amigos do Livro
-Portugal (1972).
- Tópicos relacionados
- outros artigos de Fabiano M. Ribeiro:
Relógio de Sol, a hora de Deus
Monstros
marinhos sustentam a mitologia oceânica
A Pedra Lavrada do Ingá
Do quarto dos relógios
Triângulo das Bermudas: O mistério tem
três lados
- Produção: Pepe
Chaves.
|