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  Meio Ambiente

 

 

 

Campos:

Incêndio destroi Parque da Cachoeirinha

Queimada supostamente criminosa consumiu pelo menos cerca de três hectares

ou perto de 30% de área total do parque municipal no distrito de Campos.

 

Da Redação

Via Fanzine

BH-10/08/2011

 

O Parque Municipal da Cachoeirinha é composto por todo este grande círculo verde escuro.

A imagem ilustrativa acima mostra a área queimada, estimada por nós em 25 a 30% do total.

Clique aqui para ver outras fotos dessa queimada em alta definição.

 

Fogo cruzado

 

O Parque Municipal da Cachoeirinha, localizado no distrito de Campos, em Itaúna, no Centro-Oeste mineiro, sofreu uma intensa queimada supostamente criminosa no último final de semana. Coincidentemente, nossa reportagem esteve no local fotografando, filmando e ajudando a apagar um grande incêndio de maneira precária, utilizando somente galhos e arbustos contra as chamas.

 

Chegando ao local na manhã do domingo, 07/08, vimos o fogo se alastrando pelos dois lados da trilha de descida, até às proximidades da laje que margeia o ribeirão. O fato de haver fogo dos dois lados da trilha pode ser o principal indício de se tratar de um incêndio criminoso. E, por estarmos em um período de extensa estiagem, uma grande área foi devastada rapidamente pelo fogo. A mata seca propagou as chamas que podem ter atingido plantas e animais, sobretudo, répteis e ninhos de pássaros reduzindo tudo a uma grossa camada de cinzas e produzindo perdas incalculáveis.

 

Ao depararmos com o incêndio, nós tentamos mobilizar os banhistas presentes no local, que estavam alheios ao fogo, para tentar debelá-lo. No total, cerca de 10 pessoas tentaram fazer um “rescaldo sem água” numa extensa área de vegetação muito seca. Aproximadamente 12 banhistas que já estavam no local não participaram do trabalho de contensão do fogo. Não havia como ligar para o Corpo de Bombeiros porque nas proximidades do local não há sinal para celular e só restava lutar contra o tempo, com o que se tinha pela frente, na tentativa de minimizar os estragos.

 

Graças ao trabalho de extinção dos principais focos do fogo, grande parte da vegetação ainda pôde ser poupada. Com a mata seca nessa temporada de inverno, um leve sopro de vento tem o poder de propagar focos de incêndio até longas distâncias. A imagem ilustrativa no topo dessa matéria representa a área no interior do parque que foi queimada. A queimada começa a cerca de uns 50 metros da porteira de entrada e segue até o fim da trilha de descida, por ambos os lados desta. Estimamos que entre 2,5 a 3 hectares, ou seja, de 25 a 30% da área total de 10 hectares do parque foi totalmente consumida, como mostram as imagens que registramos.

 

No local, árvores inteiras foram completamente incendiadas e mortas.

Clique aqui para ver outras fotos dessa queimada em alta definição.

 

O parque municipal mais preservado

 

O Parque Municipal da Cachoerinha foi tombado pelo município de Itaúna no ano de 2001, durante o último de três mandatos do prefeito Osmando Pereira da Silva. Dos poucos parques do município, este é o único se  encontra fora da região urbana. Isso fez com que o local fosse preservado e se mantivesse como uma das raras reservas verdes da cidade, a qual abriga plantas e animais distintos em seu ambiente natural. Também por estar distante da sede do município, o local fica à mercê de pessoas inescrupulosas que, como já denunciamos noutras oportunidades, derrubam árvores, retiram lenha e provocam incêndios, como esse, que lamentavelmente registramos agora.

 

A história daquele parque municipal tem início no ano de 2001. Naquela ocasião, o prefeito então Osmando acatou sugestão do editor de Via Fanzine, Pepe Chaves, para promover o tombamento daquele terreno ao patrimônio municipal. O prefeito Osmando trabalhou e obteve sucesso nessa empreitada, ao conseguir permutar a área com uma empresa siderúrgica, detentora do terreno, a qual detinha dívidas fiscais com o município. Para saudar a dívida total dessa empresa, a Prefeitura Municipal de Itaúna negociou em troca, a escritura do terreno de 10 hectares, então oficialmente revertido em patrimônio ecológico dos itaunenses.

 

O local é cortado pelo córrego dos Escapotos, que deságua no bairro Garcias e frequentado por banhistas durante mais de um século, especialmente, em épocas de calor. No local há pequenas cachoeiras e corredeiras, além de uma bela vegetação com mata fechada, trilhas e diversos animais nativos que já constatamos por lá, como lontras, tucanos, lobo guará, raposas e uma vasta infinidade de pássaros, répteis e insetos. Grande parte do terreno é composta por mata fechada e vegetação de cerrado.

 

Nenhuma benfeitoria foi feita no local, seja pelo prefeito fundador do parque, Osmando Pereira da Silva ou pelo seu sucessor, Eugênio Pinto, que já cumpre dois mandatos. De acordo com informações que objetivemos na Prefeitura de Itaúna, não existe nenhum tipo de monitoramento ou vigilância, seja por parte da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente ou qualquer outro órgão da administração municipal sobre aquele patrimônio público, vez que a cidade não possui unidade de Polícia Florestal.

 

O fogo destruiu toda a vegetação rasteira numa imensa área.

Clique aqui para ver outras fotos dessa queimada em alta definição.

 

Há histórico de crime ambiental

 

No ano de 2002, após mais de um ano da fundação do dito parque, Via Fanzine, então em seu formato impresso de veiculação semanal, constatou e denunciou um grande corte na mata ciliar do ribeirão para a retirada de madeira e publicou uma reportagem-denúncia.

 

Na época, chegamos ao local e deparamos com uma considerável quantidade de árvores de grande porte, sobretudo, as que margeiam o ribeirão, cortadas com facão e tombadas no chão, prontas para serem retiradas e transformadas em lenha.

 

Alguns dias após a publicação dessa reportagem, agentes da Polícia Militar em Itaúna (que passou a investigar a movimentação de suspeitos na região), prenderam em flagrante dois homens que retiravam um caminhão repleto da madeira que vimos derrubada naquele terreno público.

 

Eles alegaram não saber da proibição para retirada de madeira no terreno público. Naquela ocasião, fomos informados pela Justiça local que, por conta desse crime, ambos permaneceram detidos por dois dias pelo sistema prisional da Apac e responderiam posteriormente por crime ambiental ao Tribunal de Justiça da Comarca de Itaúna.

  

Clique aqui para ver outras fotos dessa queimada em alta definição.

 

Em breve no ar: vídeo mostra tristes detalhes dessa queimada.

 

* Com informações de Ícaro Chaves (Itaúna-MG).

 

- Imagens e arte: Ícaro Chaves, com Google.

 

 
 
 
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