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 Denúncia

 

 

Foi acidente ou de propósito?

Cápsula do centenário pode ter sido danificada

Um caixa com diversos artigos em seu interior foi enterrada na Praça da Matriz de Itaúna para ser

desenterrada no ano de 2051, quando a cidade completar 150 anos. Ocorre que um poste foi

afixado as imediações do local em que se encontra esta "cápsula do tempo" e o arquiteto

responsável pelas obras da praça se nega a fornecer informações precisas sobre o ocorrido.

 

Por Pepe Chaves

Para ITAÚNA FANZINE

BH-19/12/2011

 

Detalhe do poste afixado pelo arquiteto Sérgio Machado, no local em que foi enterrada a cápsula

do tempo, o profissional se nega a fornecer informações sobre a integridade do patrimônio ali enterrado.

Clique aqui para ler e-mails trocados e ignorados pelo arquiteto.

 

A cápsula do tempo, com objetos enterrados em 16 de setembro de 2001, na Praça da Matriz de Itaúna para ser desenterrada em 2051, pode estar danificada pelas reformas promovidas pela administração do prefeito Eugênio Pinto no local. Naquela data, a cápsula, uma caixa com cerca de 50cm² foi enterrada pela Administração Municipal, a Comissão do Centenário e autoridades dos três poderes de Itaúna para ser desenterrada no ano em que a cidade completar 150 anos.

 

Faz mais de 10 anos, Itaúna completava 100 anos de emancipação sob administração do prefeito Osmando Pereira da Silva, inaugurava um monumento alusivo e enterrava uma cápsula contendo diversos objetos em seu interior. Seu conteúdo inclui jornais, revistas, documentos, botons, dinheiro em notas e moedas, além de materiais comemorativos ao centenário e outras lembranças características daquela ocasião. A caixa foi enterrada numa tumba lacrada por cimento de grossa camada, em local bem defronte o monumento do centenário.

 

Seu conteúdo seria um presente e, mais que isso, um registro palpável de 50 anos passados, aos itaunenses daquele ano futuro.

 

Vale lembrar que, anteriormente, Via Fanzine denunciou que a placa do centenário (situada originalmente ao lado do monumento) foi retirada sem nenhum aviso ao público durante as reformas. Somente após nossa cobrança é que o arquiteto responsável pelo projeto de reforma da Praça da Matriz, Sérgio Machado, nos respondeu, informando que a placa está sendo restaurada e será afixada novamente no local de origem.

 

Cápsula do tempo

 

Estive em Itaúna faz poucos dias e constatei algo terrível. De maneira irresponsável e inconsequente, um poste para iluminação foi cravado defronte o monumento do centenário, em local exato ou muito próximo ao que fora enterrada a cápsula do tempo.

 

Imediatamente comuniquei o jornalista Danilo Lopes, vice-presidente da Comissão do Centenário em 2011, que não estava sabendo nada a respeito. Então entrei em contato com o arquiteto Sérgio Machado por e-mail, requisitando alguns questionamentos sobre a colocação do poste, compartilhados também com Danilo Lopes que reenviou ao arquiteto as mesmas questões que elaborei. Machado, servidor público contratado, então me ignorou, mas respondeu a Lopes, as questões levantadas por nós, cujas mensagens tornamos públicas a seguir.

 

Assunto: Informação sobre obra da Praça

A Prefeitura de Itaúna

A.C. Arquiteto Sérgio Machado - Responsável pela reforma na Praça da Matriz

 

Prezado senhor,

 

Estive na Praça da Matriz e  vi que foi colocado um poste em frente ao monumento do centenário, salvo engano, teria sido cavado EXATAMENTE no mesmo local em que, em 2001, eu, como membro da Comissão do Centenário de Itaúna e demais colegas, juntamente com o então Prefeito OSMANDO PEREIRA DA SILVA e muitas outras autoridades, enterramos ali uma cápsula do tempo para ser desenterrada somente no ano de 2051, quando a cidade completar 150 anos.

 

Gostaria de saber do senhor se a colocação deste poste de iluminação interferiu na situação da caixa que enterramos naquele local, a qual guarda em si, diversos objetos e jornais daquela época, inclusive notas e moedas de real. Gostaria que nos CONFIRMASSE OFICIALMENTE SE ESTA CAIXA QUE LÁ FOI ENTERRADA, CONTINUA NO MESMO LOCAL, E NÃO SOFREU NENHUMA INTERFERÊNCIA PELAS REFORMAS PROMOVIDAS POR SUA ADMINISTRAÇÃO.

 

Em tempo também gostaria de QUESTIONAR o seguinte:

 

1) Se a placa alusiva ao monumento (atualmente retirada de lá) será colocada no mesmo local em que estava anteriormente;

2) Por que, o poste colocado defronte ao monumento teve seu foco de luz posicionado em direção CONTRÁRIA ao monumento? Não sou arquiteto, mas tenho bom senso e, sinceramente, não entendi a maneira DESNECESSÁRIA que a dita iluminação foi colocada defronte o monumento. Qual é seu objetivo já que o foco da luz estará contrário ao monumento?

 

A Promotoria de Patrimônio do MP/Itaúna e a assessoria de Comunicação da PMI nos lêem em CC.

 

Agradeço desde já pela atenção sempre nos dispensada por este nosso esmerado profissional.

 

Atenciosamente,

 

Pepe Chaves

 

Em seguida, Sérgio Machado encaminhou a Danilo Lopes, respostas sobre os nossos questionamentos:

 

Prezado Sr. Danilo Lopes

 

A colocação do referido poste atendeu ao projeto luminotécnico, sendo uma peça de iluminação geral, não tendo a intenção de focar nenhum elemento isolado. O destaque que se faz do Monumento do Centenário se dá por um holofote que ilumina o seu entorno, especialmente a figueira. Não se pretende iluminar diretamente nenhum dos monumentos ou placas existentes na Praça e sim valorizar a sua localização. A placa vai ser recolocada, oportunamente, após ser restaurada.

 

Quanto à cápsula, informo que nada foi encontrado no local e ressalto que a escavação foi pontual, afetando uma área mínima. Suponho que ela está onde foi enterrada, mas como desconheço a sua localização exata, não posso confirmá-lo.

 

Agradecendo pelo seu interesse e espírito público e colocando-me à sua disposição para outros esclarecimentos, subscrevo,

 

Atenciosamente

Sérgio Machado

 

O monumento de 2001 e o poste de 2011.

Clique aqui para ler e-mails trocados e ignorados pelo arquiteto.

 

Não sabe de nada

 

Voltamos a escrever para Machado, nos queixando que ele não havia nos enviado as respostas aos questionamentos, mas sim a Lopes, que nos repassou. O arquiteto disse que por ter confundido com outras mensagens “repetidas” de nosso mailing VF, não havia lido e perguntou se desejamos mais informações. Pedi então que ele me ligasse para sugerir uma forma de averiguar se o seu trabalho danificou ou não a referida cápsula, já que pelas informações superficiais fornecidas por ele, parecia desconhecer completamente a questão. Sérgio Machado não atendeu o convite e não ligou. Novamente cobrei o seu retorno. Irritadiço, Machado nos respondeu que estava “muito ocupado” para tratar desse assunto e ainda afirmou não gostar da forma “imperativa” a que solicitávamos as informações sobre a obra pública.

 

Por fim eu escrevi a ele afirmando que, caso quisesse se manifestar, o espaço estaria aberto, como sempre esteve a ele – inclusive, antes de ser contratado pela Prefeitura, Sérgio Machado bradou de forma “imperativa” contra esta obra que recebeu inúmeras críticas de sua parte. Mas, após ser contratado pelo serviço público, Machado sumiu da imprensa e com certeza, agora – ao contrário de nós - não deve discordar daquela obra supérflua que extinguiu diversas árvores da praça da matriz, além de descaracterizar o seu traçado original.

 

Sérgio Machado se calou, sequer comentou sobre as sugestões para raspagem em torno do local onde ele afixou um poste, na tentativa de localização da tumba onde se encontra a cápsula. Sugerimos também – creio, em vão - a colocação de um lacre sobre a tumba da cápsula, para se evitar futuros incidentes como esse.

 

Nós até creditamos que fincar um poste nas imediações onde foi enterrada uma cápsula do tempo possa ser um acidente, mas diante do silêncio do arquiteto, essa ação isso fica muito comprometida. Senão, vejamos: a Praça da Matriz de Itaúna mede um hectare exato. Curioso notar que um poste com diâmetro de apenas 15 a 20 cm foi afixado justamente, no local em que a cápsula do tempo estava enterrada dentro desse um hectare de terreno e pode tê-la danificado irreversivelmente. Se não a atingiu, terá sido por sorte, pois quem mandou colocar o poste parecia desconhecer por completo o que estava enterrado ali. Mas, se o arquiteto sabia o que estava ali, entendemos se tratar puramente de um crime contra o patrimônio. Portanto, se ele não agiu com desleixo, agiu criminosamente. E nem quis se justificar.

 

Silenciou

 

Mesmo informado, o engenheiro se nega a tornar pública a situação da caixa enterrada. Terá sido danificada? Se ela foi, precisa ser resgatada e restaurada, antes que o material em seu interior entre em estado de putrefação por conta do contato com o ar e águas das chuvas – se é que já não entrou! Dissemos isso ao arquiteto – e olhe que nem somos formados em arquitetura – mas ele nos ignorou completamente.

 

Por isso, estamos formalizando esta questão junto ao Ministério Público, solicitando que seja feita uma averiguação OFICIAL acerca desse patrimônio dos itaunenses que, no mínimo, tem sido tratado com desleixo e desprezo pela atual administração e seu arquiteto contratado.

 

E de onde veio o diploma de um arquiteto e professor que promove uma reforma numa praça matriz sem saber onde estava enterrada uma cápsula do tempo em seu interior? Se sabia, isso ainda se torna mais grave. Fato é que Sérgio Machado não teve hombridade para responder à altura aos nossos questionamentos e este trabalho duvidoso com a sua assinatura pode ter danificado o referido patrimônio público, conforme denunciamos.

 

Não tendo Sérgio Machado se manifestando, nós tornamos pública a seguir, a íntegra das mensagens trocadas (e ignoradas). Estas mensagem foram também compartilhadas com a Promotoria do Patrimônio do MP em Itaúna, Danilo Lopes, CODEMPACE, secretário de Educação e Cultura Heli Maia, Assessoria de Comunicação da PMI, ex-prefeito Osmando Pereira da Silva e outras testemunhas.

 

Nosso objetivo é simplesmente tornar público o que se passa, reafirmando, que nada temos contra a pessoa do arquiteto (que julgamos um péssimo e desatencioso profissional), tampouco com relação outras pessoas ligadas a esta Administração Pública; ao contrário, nosso objetivo é somar qualidade ao que se faz pelo patrimônio comum.

 

Além disso, o nosso compromisso é com Itaúna e se um patrimônio público – seja ele qual for – foi lesado, acreditamos que haja pessoas que possam ser responsabilizadas. A menos que estejamos vivendo numa terra sem fiscalização ou leis.

 

- Fotos: Via Fanzine.

 

* Pepe Chaves é editor do diário digital Via Fanzine e da Rede VF. Membro do Comissão do Centenário de Itaúna em 2001.

 

Clique aqui para ler as mensagens.

 

- Tópicos relacionado:

  Histórico de informações sobre s reformas na Praça da Matriz

 

 
 
 
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