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Reinaldo Coutinho

 

Piauí:

Houve civilização megalítica em Piripiri?

Da Amazônia ao Rio Grande do Sul, surgem menires, alinhamentos

e outras estruturas megalíticas como dolmens, cromlechs, etc.

  

Por Reinaldo Coutinho*

De Piripiri-PI

Para Via Fanzine

30/10/2013

 

Dólmen de Solânea, visitado pelo autor deste artigo.

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Um alinhamento megalítico (ou alinhamento de pedras) é um ordenamento linear de menires (pedras compridas fincadas no solo) paralelos situados a intervalos ao longo de um eixo, ou vários, usualmente datados no Neolítico tardio ou na Idade do Bronze. As filas podem ser individuais ou em grupo. Três ou mais pedras alinhadas já podem ser consideradas como um alinhamento.

 

Os alinhamentos de pedras podem ser de poucos metros ou de vários quilômetros e são feitos de pedras que podem ter até dois metros, sendo o mais comum, com cerca de um metro de altura. Os alinhamentos foram erigidos no Neolítico tardio e na Idade do Bronze pelos povos do litoral Atlântico, nas ilhas britânicas, partes da Escandinávia, noroeste da França, na Galícia e em Portugal.

 

Os menores menires pesam apenas algumas centenas de quilos. Porém, alguns são imensos e muito pesados.

 

O maior destes menires hoje está quebrado em quatro partes. Trata-se do Menir Quebrado de Locmariaquer (França). Foi erguido em torno de 4.700 a.C, ao mesmo tempo em que outros 18 blocos próximos, podem ter sido quebrado em torno de 4000 a.C. Medindo 20,60 metros, com um peso de 280 toneladas,  a pedra é de um afloramento rochoso localizado a vários quilômetros de distância da cidade homônima. 

 

As dimensões deste impressionante menir ainda dividem especialistas sobre as técnicas utilizadas para o transporte e montagem, mas o fato de que foram edificados durante o Neolítico permanece notável e praticamente inexplicável.

 

Outros são de dimensões menores, mas volumosos em número e em esplendor.

 

Um menir individualizado, implantado em Portugal.

 

O termo "alinhamento" por vezes indica que as filas foram focadas a outros fatores, tendo como referência outros monumentos, elementos topográficos ou características astronômicas. Os arqueólogos tratam os alinhamentos de pedras como elementos discretos e os ditos "alinhamentos" demonstram pedras alinhadas entre si, mais que a qualquer outra coisa.

 

Sua finalidade teria sido talvez, religiosa ou cerimonial ou talvez, marcando um caminho de procissão. Outra teoria é que cada geração erigiria uma nova pedra para contribuir para uma sequência que mostra uma presença contínua das pessoas. Mas isso é apenas especulação.

 

Os menires também se estenderam por partes de outros continentes, inclusive, do Brasil. Da Amazônia ao Rio Grande do Sul, surgem menires, alinhamentos e outras estruturas megalíticas como dolmens, cromlechs, etc.

 

Parte do alinhamento de Kerlescan em Carnac, Bretanha, França.

 

E o que aconteceu com estes menires, alinhamentos e outros monumentos megalíticos do Brasil?

 

O fato é que a maioria foi destruída, notadamente nos sertões nordestinos, muito rico dessas formações. É que havia uma firme crença entre os sertanejos de que eram marcos para assinalar supostos tesouros enterrados por jesuítas ou holandeses. Assim, eram arrancados do solo na tentativa de se achar o sonhado tesouro enterrado sob as estruturas... Outros foram destruídos para servir de material de construção. Ainda assim existem muitos pelos nossos sertões.

 

Os menires, por serem mais frágeis ao tombamento, desapareceram em sua maioria. Mas ainda encontramos outro destes imensos monumentos megalíticos, mais complexos que os menires, com estrutura próxima a mil toneladas. Está situado nos sertões de Solânea, Paraíba, e pudemos visitá-lo na década de de 1990. É o que o sertanejo chama de “casa de pedra” e cientificamente chamamos “dólmen”. Como e quando aquele monumento granítico foi erigido, no alto de uma colina, não fazemos a menor ideia.

 

O interior do Dólmen de Solânea.

 

Quando fizemos esta matéria, nós estávamos de olho em possíveis menires ou alinhamentos localizados no município de Piripiri, Piauí, norte do Estado, onde residimos atualmente.

 

Será que já houve realmente estes monumentos em Piripiri? Tudo indica que sim, embora não possamos precisar o local, já que a antiga descrição que possuímos é muito superficial. 

 

Esta cidade é a porta de entrada do Parque Nacional de Sete Cidades e de outro rico sítio arqueológico chamado Buriti dos Cavalos, que ainda abordaremos em artigo.

 

Teriam existido estruturas megalíticas nas plagas desta pequena cidade de Piripiri-PI?

 

As descrições dessa possibilidade foram feitas pelo padre Francisco Telles de Menezes, revolucionário nascido em 1745, em Olinda-PE e falecido em Princesa-PB, em 1844. Fanático caçador de tesouros, ele percorreu vários Estados do Nordeste entre 1795 e 1806, assinalando locais onde houvesse pinturas rupestres, menires, dolmens, alinhamentos e outros sinais do homem pré-colombiano.

 

Dessas andanças resultou uma obra não impressa intitulada “Lamentações Brasilianas às Cinco Chagas de Nosso Senhor Jesus”, que ficou conhecida como “Lamentação Brasílica”.

 

O conselheiro cearense Tristão Alencar Araripe (1821-1908) leu uma memória intitulada “Cidades Petrificadas e Inscrições Lapidares no Brasil”, na sessão do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, de 09 de dezembro de 1886, no Rio de Janeiro e publicou a obra do padre no ano seguinte no boletim da sociedade.

 

Na obra, o autor se refere à Piripiri e Piracuruca, quando o primeiro integrava as terras do segundo, até então, locais escassamente povoados.

 

“Piripiri, fazenda na ribeira de Piracuruca. Na altura desta fazenda do Piripiri está um letreiro em uma pedra, adiante da qual estão três rumas de pedras postas em carreiras”, assinalou o religioso.

 

O padre parece se referir a uma pedra mestra, a partir da qual saíam três fileiras de alinhamentos. Por mais que procurássemos descobrir se ainda existem vestígios deste alinhamento, só conseguimos informações seguras e imprecisas. Bem provável que tenham sido arrancados os menires à procura dos “tesouros holandeses ou jesuítas”. Ou ainda, teriam retiradas as suas pedras para uso na construção de alicerces ou muros. Ou ainda, pode ser que estejam recobertas pelo mato e solo em alguma plaga erma do Município de Piripiri, à espera de um Champolion tupiniquin. Quem sabe algum dia descubra-se pelo menos parte do monumento descrito?

 

Em 1886 um jornalista cearense de nome Jácome Avelino visitou grande parte do norte do Estado do Piauí e as zonas fronteiriças com o Ceará. Ele descreveu uma zona com pedras fincadas de maneira artificial ou dispostas em carreira – sugerindo um alinhamento – que estariam próximas a Piripiri. Essa descrição também reforça a suspeita de que aquela região seria rica destes monumentos.

 

* Reinaldo Coutinho é geólogo, pesquisador, e correspondente de Via Fanzine no Estado do Piauí.

   - Contato com o autor: sobral469@hotmail.com.

 

- Imagens: Reinaldo Coutinho /Portugal Notável / Divulgação.

 

- Consultas:

 

ARARIPE, T.A. Cidades petrificadas e inscrições lapidares no Brasil. Tomo L, parte primeira. Tipografia Laembert, RJ, 1887.

 

AVELINO. J. Cidades Petrificadas no Piauí. Jornal a Constituição, Fortaleza, 1886

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alinhamento_megal%C3%ADtico

 

PORTUGAL NOTÁVEL - www.portugalnotavel.com

 

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