'A linguagem das pedras nos corações dos homens' - Com a qualidade jornalística  Via Fanzine

 HOME | ZINESFERA| BLOG ZINE| EDITORIAL| ESPORTES| ENTREVISTAS| ITAÚNA| J.A. FONSECA| PEPE MUSIC| UFOVIA| AEROVIA| ASTROVIA

 

 

Arquelogia

 

Paraíba:

Os misteriosos túneis de Mamanguape

De 50 em 50 metros foram encontrados ambientes em forma de salas, com cerca

de quatro metros quadrados cada e com respiradouros para a superfície.

 

Por Reinaldo Coutinho*

De Teresina-PI

Para ARQUEOLOVIA

14/01/2014

 

Uma das entradas de um salão do subterrâneo situado no labirinto de túneis em Mamanguape.   

Leia também:

Paleotocas: Antigas estruturas cavadas por animais extintos

Faces e cabeças monumentais ao redor do mundo - Carlos P. Gomar

Arqueologia cresce e esbarra em dificuldades

Ruínas não reconhecidas e falta de recursos do IPHAN - Carlos P. Gomar

Piauí: Houve civilização megalítica em Piripiri?

O mistério dos petroglifos peruanos de Pusharo- Yuri Leveratto

Explorações na América do Sul 2006-2011  - Yuri Leveratto

O mistério dos petroglifos peruanos de Pusharo - Yuri Leveratto

Centenário da redescoberta da Cidade Perdida da Bahia - O. Dyakonov

 

Mamanguape é um município, sede da Região Metropolitana do Vale do Mamanguape, no Estado da Paraíba, não muito distante da capital João Pessoa. Nas suas terras e municípios vizinhos, há um conjunto intrincado de túneis subterrâneos que a história oficial não explica bem.

 

Reconhecidos como obra humana, alguns estudos mostram que estes túneis formam uma cadeia geometricamente orientada. São vários ramais com acesso ao distrito de Piabuçu, em Rio Tinto, Pindobal, em Mamanguape, Aldeia de São Francisco, em Baía da Traição e até na capital, João Pessoa.

 

Uma equipe independente, capitaneada pelo professor Meraldo Soares e pelo construtor José Duarte (o Bolinha), que explorou os túneis em 1981, relatou que, de 50 em 50 metros foram encontrados ambientes em forma de salas, com cerca de quatro metros quadrados cada.

 

Em 1981, Bolinha adentrou parte dos túneis de Mamanguape.  

 

Essa equipe chegou a percorrer com muita dificuldade cerca de 200 metros de túneis, que formavam verdadeiros labirintos, repletos de morcegos, serpentes e escorpiões. Muitos trechos e salões já estavam na época totalmente obstruídos, impedindo sua exploração.

 

Acreditava o professor Meraldo que foi por esses túneis que os holandeses roubavam ouro, apesar da rígida fiscalização da Coroa Portuguesa.

 

Acompanhados por amigos, nós visitamos um destes túneis em 1996, mas, em decorrência do entulhamento dos acessos, não fomos muito longe. Mesmo porque, não estávamos prevenidos para realizar uma exploração subterrânea.

 

Uma outra entradas para os túneis de Mamanguape.

 

O engenheiro e pesquisador carioca Léon Clerot (1889-1967), que estudou com afinco estes misteriosos túneis, visitou uma das galerias em 1934, na cabeceira do riacho Carapucema. Ele também percorreu outras mais, considerando-as todas idênticas. Clerot chegou à conclusão que se tratava de obra dos homens pré-históricos, à procura de sílex para a confecção de suas armas e utensílios.

 

Mais recentemente um grupo de pesquisadores, bem mais preparados, esteve rastejando no subsolo da região. Vanderley de Brito, historiador e pesquisador da Sociedade Paraibana de Arqueologia investigou o local em 2008.

 

Brito descreveu o que viu, “São túneis de escuros corredores subterrâneos que apresentam, a cada 10 ou 20 metros, câmaras em abóbada mais ou menos circulares de aproximadamente 3 a 4 metros de diâmetro por 2 metros de altura, com saídas verticais para ventilação. Destes salões partem outras galerias em diversas direções, para chegarem a outros salões com suspiros perfurados no alto do pavimento e novas distribuições de túneis”, afirmou o pesquisador.

 

Um dos respiradouros do túnel.

 

Ainda de acordo com ele, “Segundo aqueles que se aventuraram nestes túneis, são verdadeiros labirintos e sua exploração deve ser feita com auxílio de lanternas, cordas e giz ao longo do percurso, para não perder a diretriz. Sobre estes túneis há um temor supersticioso de assombrações. Fala-se de botijas e minas de ouro. No entanto, a explicação mais difusa para estas galerias é que se prolongam até o litoral e teriam sido abertas pelos holandeses como saídas para o mar”, disse Brito.

 

Ele demonstra sua contrariedade à teoria mais comum, “Particularmente, não creio que sejam obras de holandeses. Pois, segundo consta, na Paraíba, há destas galerias misteriosas nos municípios de Rio Tinto, Marcação, Mamanguape, Mataracas e Pedras de Fogo, cobrindo uma área de cerca de 70 quilômetros no sentido norte-sul do território paraibano. Sem dúvidas, estas obras envolveram muito tempo e labuta. Um trabalho desta envergadura certamente não passaria despercebido nas inúmeras e detalhadas monografias produzidas pelos flamengos durante o período de ocupação holandesa da Província da Paraíba”, declarou.

 

Vanderley de Brito observa uma das entradas dos túneis.

 

Esse pensamento de Vanderley de Brito é coeso e conclusivo. Certamente, os holandeses não teriam estrutura pessoal para construir algo que até hoje nem sequer sabemos qual seria a sua finalidade. Aliás, é costume sertanejo de se atribuir a eles tudo que a mente cabocla não consegue entender: estruturas megalíticas, ossadas da megafauna (“cavalos holandeses”), pinturas rupestres, obras misteriosas na Lagoa de Extremoz (RN) e etc.

 

 

Após lembrar a ocorrência de túneis semelhantes no sul do País, registrados pelo Pesquisador John Langer, Brito conclui: “Infelizmente, hoje, estas enigmáticas galerias na Paraíba, em sua grande maioria, estão soterradas e é quase inviável explorá-las na condição que se encontram, pois a aluvião dos séculos está gradativamente assoreando os misteriosos túneis que, até o presente, constituem um mistério para a arqueologia.”

 

O pesquisador Vanderley de Brito rasteja em um dos corredores do intrincado labirinto subterrâneo.

 

Em que pese à imensidão e complexidade dos túneis da Paraíba, são raríssimos os relatos sobre eles na literatura histórica ou arqueológica. A propósito, o estudo do pesquisador Vanderley de Brito foi única referência que encontramos na internet sobre esta misteriosa obra que pudemos visitar um dia.

 

Afinal, qual seria a principal chave desse mistério? Quem construiu? Baseado em que tecnologia de orientação? E qual a finalidade real e não especulativa dos misteriosos túneis? Ou seriam paleotocas, tocas escavadas por animais extintos e aproveitadas pelo homem antigo como abrigo? Contudo, as descrições sobre os subterrâneos de Mamanguape não nos induzem a considerar esta teoria.

 

* Reinaldo Coutinho é geólogo, pesquisador, e correspondente de Via Fanzine no Estado do Piauí.

   - Contato com o autor: sobral469@hotmail.com.

 

- Imagens: Reinaldo Coutinho e Wanderley Brito.

        

- Fontes e consultas:

BRITO, V. de. Misteriosas galerias subterrâneas na Paraíba. SBE Notícias. Boletim Eletrônico da Sociedade brasileira de espeleologia. Ano 3, nº 85 – 01/05/2008.

 

LINDOLFO, B. Mamanguape-Coroa Portuguesa usava ramais para combater os contrabandistas do ouro. Segundo caderno do “Jornal do Brejo”, ano II, nº 12, março de 1996, Guarabira-PB.

 

Leia também:

Paleotocas: Antigas estruturas cavadas por animais extintos

Faces e cabeças monumentais ao redor do mundo - Carlos P. Gomar

Arqueologia cresce e esbarra em dificuldades

Ruínas não reconhecidas e falta de recursos do IPHAN - Carlos P. Gomar

Piauí: Houve civilização megalítica em Piripiri?

O mistério dos petroglifos peruanos de Pusharo- Yuri Leveratto

Explorações na América do Sul 2006-2011  - Yuri Leveratto

O mistério dos petroglifos peruanos de Pusharo - Yuri Leveratto

Centenário da redescoberta da Cidade Perdida da Bahia - O. Dyakonov

Teria o Egito herdado a cultura dos atlantes? - Eduardo Miquel

Cidades e povos perdidos no Brasil -  J.A. Fonseca

Cidades e segredos ainda pouco explorado em Minas Gerais -  J.A. Fonseca

Vida e descobertas de Gabriele D’Annunzio Baraldi - Oleg Dyakonov

Gomar e o Relatório de Natividade - exclusivo VF

 

- Outros tópicos relacionados do arquivo:  

   Tesouro é achado em local de batalha dos cruzados

   Nas supostas ruínas de Natividade da Serra C. P. Gomar

   Especulações sobre a Ruína de Natividade - Por C. P. Gomar

   A antiguidade dos registros rupestres do Brasil - Por J.A. Fonseca

   Cueva de los Tayos: a verdadeira caverna do tesouro - Por Yuri Leveratto

   Você sabe o que é Arqueologia? - Por Paulo R. Santos

   Fonte Magna - a herança dos sumérios ao Novo Mundo

   Brasil Central: pés e círculos impressos na rocha são alguns vestígios

   Cerâmicas précolombianas: descoberta arqueológica em Itaúna-MG

   Escócia: descoberto túmulo que refaz a história

   J.A. Fonseca registra mais um muro de pedra em Itaúna

   Antigos muros de pedras no interior de Minas Gerais

   Estranhos signos na arte rupestre do Brasil

   Questões não respondidas do Brasil Antigo - Parte 1

   Questões não respondidas do Brasil Antigo - Parte 2

   Fonseca visita os Muros da Mata da Onça VÍDEO

  As inexplicáveis 'construções' de Paraúna (GO)

   Pedra do Ingá: a tese de Baraldi e a conclusão desse autor

  Visite o portal oficial de Gabriele Baraldi

   Visite o portal oficial  de J.A. Fonseca

 

- Produção: Pepe Chaves.

© Copyright 2004-2014, Pepe Arte Viva Ltda.

 

 

Voltar para

ARQUEOLOvia

 

 

 

A TV QUE CRESCE COMO VOCÊ

inconfidente&confiável

 

 HOME | ZINESFERA| BLOG ZINE| EDITORIAL| ESPORTES| ENTREVISTAS| ITAÚNA| J.A. FONSECA| PEPE MUSIC| UFOVIA| AEROVIA| ASTROVIA

© Copyright 2004-2014, Pepe Arte Viva Ltda.

Motigo Webstats - Free web site statistics Personal homepage website counter