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 Antônio Siqueira

 

 

Passado e história:

Não se combate a ignorância, se acaba com ela

O que aconteceu envergonharia D. João VI, o príncipe ilustrado que fundou o museu, uma das mais importantes instituições científicas, educacionais e culturais do hemisfério Sul.

 

Por Antônio Siqueira*

Do Rio de Janeiro.

Para Via Fanzine

05/09/2018

 

Os empresários brasileiros inscritos na Lei Rouanet preferiram comprar a ideia de ampliar as multidões em shows pop-bregas pelo País a destinar o que podiam a uma causa nobre, porém nada popular por aqui.

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Muitos só tomaram conhecimento agora sobre o acervo que constituía o Museu Nacional do Rio de Janeiro, que acaba de ser incinerado menos pelo fogo do que pela negligência. Uns dizem que era o passado. Mas “passado” não é aquilo que guardamos nos museus (isso é História viva). Passado é no que um museu se transforma quando pega fogo.

 

Ao contrário do que sugeriu o prefeito do Rio de Janeiro, pode-se reconstruir o prédio, mas não seu conteúdo de impressionantes 20 milhões de itens, peças únicas que se perderam para sempre. Imagem de um país que adora cultuar mitos de terceira categoria, as chamas da burrice se alastram e ferem de morte o que nos resta de civilização. Definitivamente, cumprimos bem o papel de povo inculto!

 

No que era o Museu Nacional, então residência da família imperial pelos idos de 1821, foi assinada, pela princesa regente Maria Leopoldina, em reunião com o Conselho de Estado, a Independência do Brasil. O documento livrou-nos de Portugal, mas não da burrice congênita dos nativos. O império austro-húngaro reivindicou diplomaticamente a coleção de peças e relíquias greco-romanas da Imperatriz Teresa Cristina depois da deposição da monarquia e da iminente morte da esposa de Pedro II. O governo republicano dos tiranossauros de farda que golpearam o imperador negou, ressaltando que a Europa já teria "pilhagens demais em seus tesouros históricos". Se estas raridades estivessem no Museu de História de Viena, estariam seguras.

 

O que aconteceu envergonharia D. João VI, o príncipe ilustrado que fundou o museu, uma das mais importantes instituições científicas, educacionais e culturais do hemisfério Sul. À qual a República atual, inimiga dos orçamentos públicos, deu uma banana. D. João VI a criou, quase se pode dizer que nossos governantes a destruíram.

 

Ironicamente instalado na Quinta da Boa Vista, o Museu Nacional já não faz boa figura ao país dos descalabros. De tanto fechar os olhos à instituição, por fim restou-nos cobrirmos a cara. Vexaminoso. Imperdoável. Lugar de museu é em Paris não é mesmo? Cada um investe seu tempo e seu dinheiro naquilo que dá valor. Os empresários brasileiros inscritos na Lei Rouanet preferiram comprar a ideia de ampliar as multidões em shows pop-bregas pelo País a destinar o que podiam a uma causa nobre, porém nada popular por aqui. Afinal, pra que museu no Brasil se eu posso ir no Louvre? Parece um questionamento irônico, mas é bom notar que apenas uma elite frequenta museus. E, então, é assustador saber que essa elite brasileira cultural e/ou econômica conseguiu a façanha de ter frequentado mais o Louvre do que o Museu Nacional.

 

Mas o fato é que o Museu Nacional e seus fósseis de milhões de anos; sua arte indígena de povos que já desapareceram sem deixar outros vestígios que não os que estavam lá; sua riquíssima coleção e única de botânica e zoologia; e com o crânio de Luzia, a mulher de 12 mil anos que mudou a história da ocupação humana no continente, tudo isso foi menos atraente aos financiadores do que shows de Cláudia Leitte e Jota Quest. A iniciativa privada brasileira deixou bem claro quais eram suas prioridades. Digno de nota é o caso de Luzia, o fóssil mais antigo das Américas, ali guardado, conseguiu sobreviver 12 mil anos, mas não sobreviveu ao Brasil contemporâneo e a seus políticos. Estaria a salvo, tanto ela quanto os fósseis de dinossauros, se continuassem enterrados.

 

Não há ameaça maior à cultura do que políticos imbecis, e ao que parece caminhamos para uma nova tragédia política. Parece que ao invés de evoluir gostamos de regredir. Os museus brasileiros que se cuidem. Mas, com a ignorância não se dialoga ou se entra em conflito; se acaba com ela.

 

* Antônio Siqueira é cronista, articulista e correspondente de Via Fanzine no Rio de Janeiro. É editor do portal Política&Afins.

 

- Foto: Tânia Rego/Agência Brasil.

 

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Vida contemporânea:

Felicidade é destruir o mundo

Segundo o "Living Planet Report" do Fundo Mundial para a Natureza (WWF)

“no final do anos de 1980, a humanidade passou a consumir recursos mais

rapidamente do que a Terra poderia regenerá-los.

 

Por Antônio Siqueira*

Do Rio de Janeiro.

Para Via Fanzine

09/02/2018

 

Podemos fazer todas as lições da sustentabilidade e mesmo assim sermos exterminados pela patogenia de um vírus mutante, ou mesmo por uma pedrada sideral, como se acredita ter ocorrido com os dinossauros, há 65 milhões de anos.

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Nossas máquinas são poderosas e a tecnologia avança numa velocidade que até dá vertigem. O nosso jeito de ser civilizado, com o desenvolvimentismo a todo custo, nos conduziu a um momento na história da Terra em que temos nas mãos o poder de traçar o nosso próprio destino como espécie. É a Era Antropozoica, já reconhecida pelos estudiosos do assunto. Que fique claro que não se trata uma verdade absoluta. É mais ou menos como as doenças evitáveis. Uma pessoa pode optar por não ser fumante, acreditando que com isso vai evitar o enfisema e o câncer nas vias respiratórias. No entanto, por outras razões, artificiais ou naturais (genéticas, por exemplo) essa pessoa pode vir a desenvolver uma dessas doenças. Podemos fazer todas as lições da sustentabilidade e mesmo assim sermos exterminados pela patogenia de um vírus mutante, ou mesmo por uma pedrada sideral, como se acredita ter ocorrido com os dinossauros, há 65 milhões de anos.

 

Mas o fato é que o velho mandamento do Pentateuco “Crescei e multiplicai-vos, enchei a Terra e submetei-a” foi cumprido da forma mais bruta e cabal. A manada humana atingiu um número assustador de indivíduos e nossa civilização chegou a uma concepção de vida em que viver consiste em ser feliz. E felicidade é consumir. E consumir implica em emitir gás estufa, consumir o planeta com a mesma voracidade com que as lagartas consomem as folhas de jasmim. Nossa felicidade é poluidora, daí que adotar um novo estilo de vida, que seja ambientalmente sustentável, nos causaria imensa dor. O que queremos é ser felizes. Ainda que com isso estejamos comprometendo a nossa própria continuidade. Trocar o nosso conceito de felicidade, ou mesmo abrir mão da felicidade no conceito atual parece estar fora de cogitação. Este motivo vem se juntar aos demais que já listamos em outros artigos das razões pelas quais é muito difícil tomarmos uma atitude efetiva, no particular e no coletivo, que implique em maior sustentabilidade dos recursos naturais.

 

Já existe um descompasso entre o consumo e a regeneração ambiental. Segundo o "Living Planet Report" do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) “no final do anos de 1980, a humanidade passou a consumir recursos mais rapidamente do que a Terra poderia regenerá-los, e essa lacuna está aumentando a cada ano. Os impactos planetários dos estilos de vida altamente consumistas praticados no mundo industrializados não podem ser generalizados: o fato é que o planeta simplesmente não é capaz de arcar com muitas pessoas que consumam como os norte-americanos”. Segundo um estudo que pode ser visto em aqui, se todo mundo vivesse da mesma maneira que um norte-americano médio, simplesmente precisaríamos de 5,3 planetas com recursos semelhantes aos da Terra. E até agora os poderosos olhos do Hubble não vislumbrou nem 0,3 planeta com essas características na imensidão dos anos-luz do firmamento em que seu olhar perscruta infatigavelmente.

 

E, para preocupação geral do dos terráqueos, essa disparidade de consumo entre um cidadão de país rico e outro de país pobre, antes de gerar a necessidade de se buscar maior parcimônia e equilíbrio no consumo dos bens, gera mesmo é a sensação de injustiça. Primeiro a pergunta fatal: por que eles consomem tanto e nós consumimos tão pouco? Ou seja, por que eles são tão felizes e nós tão fracassados? Os grandes consumidores não perguntam nada. Num segundo momento, essa sensação de injustiça vai se agigantar, quando vierem as intempéries do clima (elevação dos mares, secas, dilúvios, calor horrível, desertificações, declínio da fertilidade do solo), as doenças e a escassez de todo tipo e os pobres do mundo saberem que o seu terror é consequência direta da felicidade auferida por outros que acabaram por brocar o planeta antes que os pobres tivessem acesso à felicidade.

 

Quanto se trata de poupar a natureza e, por consequência, a vida, o mundo está cheio de Pilatos. A china, por exemplo, que já vem alçando-se à condição de o maior emissor de gás de efeito estufa em razão de ter se tornado o chão de fábrica do mundo, já avisou: “Precisamos de um novo modelo de desenvolvimento que signifique altos padrões de vida com emissões mais baixas per capta. Se alguém encontrar esse modelo, a China o seguirá.”

 

Enquanto ninguém assume uma posição moral e efetiva de defender a plataforma que nos sustém, os indicadores econômicos, ao estilo norte-americano, continuam sendo o talismã da civilização. Ou seja: é mais importante o registro de crescimento e lucro no balanço do fim do ano do que assegurar a existência da vida no final do século.

 

Fontes:

 

"Um mundo sem gelo" Henry Pollack

https://www.estantevirtual.com.br/livros/henry-pollack/um-mundo-sem-gelo/1109427243

 

"A questão ambiental" Sandra Baptista da Cunha | Antonio Jose Teixeira Guerra

https://www.travessa.com.br/a-questao-ambiental-diferentes-abordagens/artigo/e1bd252c-8f3f-41a9-b498-af752e261c88?pcd=041&gclid=CjwKCAiA5OrTBRBlEiwAXXhT6I--YiybLlrNaWSpRo_62WYZaZRTU1sGFUQrHMoy3ACyzlGQinSWSRoCld0QAvD_BwE

 

"Cidades e soluções" André Trigueiro

https://www.travessa.com.br/cidades-e-solucoes-como-construir-uma-sociedade-sustentavel/artigo/18b640f0-c405-47e9-8c75-de50d1c0a290

 

* Antônio Siqueira é cronista, articulista e correspondente de Via Fanzine no Rio de Janeiro. É editor do portal Política&Afins.

 

- Foto: Divulgação/ newskarnataka.com.

 

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Brasil atual:

Nossa cleptocracia é uma tragédia sem precedentes

Faz mais de trinta anos que o governo brasileiro não segue qualquer religião

ou método político, econômico e social, apenas a cleptocracia, implantada sorrateiramente,

culminando neste caos e crise atuais sem precedentes.

 

Por Antônio Siqueira*

Do Rio de Janeiro.

Para Via Fanzine

13/06/2017

 

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Em princípio, a célebre frase “a religião é o ópio do povo” se reveste de credibilidade quando as tragédias acontecem e suas vítimas proferem que “Deus quis assim”, demonstrando resignarem-se à própria sorte, situação que dificilmente este Deus, na sua infinita bondade, concordaria. Contra esta aceitação de males ocasionados pela natureza ou pelo ser humano, eu igualmente concordaria com Marx, pois refugiar-se na religião retira do homem sua necessária resistência, deixando-o sem reação contra o que lhe afronta a vida, o seu destino.

 

Este governo é composto por ladrões, que dividiram a nação entre aliados e cúmplices, e se locupletam roubando o erário e povo. Faz mais de trinta anos que o governo brasileiro não segue qualquer religião ou método político, econômico e social, apenas a cleptocracia, implantada sorrateiramente, culminando neste caos e crise atuais sem precedentes.

 

Esta realidade malévola e contrária à população e ao país tem chancela oficial, defendida até mesmo em tribunais superiores, inclusive o Supremo, que resiste em combate esse modo de “administrar” o Brasil, à base de assaltos às estatais, fundos de pensão, empréstimos consignados, recessão econômica, desemprego e inadimplência, com ética e moral deletadas das condutas dos poderes. É o que se conclui diante da postura do TSE, que rejeitou as provas apresentadas sobre o comportamento criminoso deste governo, alegando que precisamos de “estabilidade política”, mesmo que obtida mediante roubos e propinas.

 

Marx e Engels, Buda e Cristo, nenhum deles jamais imaginaria um governo como o nosso, cujo único objetivo é a corrupção, a desonestidade e a mentira, com chancela das mais altas cortes, que não reconhecem a necessidade de limpar as instituições e retirá-las da podridão que se encontram, impedindo que o Brasil tenha a esperança de amenizar pelo menos a doença que o leva para o leito de morte inexoravelmente – a corrupção.

 

Lamento que os importantes argumentos abordados em diversos discursos e artigos pela ministra Carmem Lucia, não possam seguir adiante, em face das características absolutamente inatas desta terra, deste território, deste modo de governar, que nos destrói a cada ano, e nos esmaga contra uma realidade brutal de falta de segurança, saúde e educação, inversamente proporcionais à riqueza dos ladrões do povo, das falsas autoridades, e da gente da pior espécie que está encastelada nos poderes constituídos, mantida e protegida por uma “justiça” bizarra, igualmente deletéria e abjeta.

 

Marx e Engels jamais imaginaram um país como o nosso, e Buda e Cristo nunca pensaram que um povo seria tão submetido às humilhações e desrespeito, tais como somos tratados, caso contrário teriam sido mais contundentes nas suas pregações e bem menos condescendentes.

 

* Antônio Siqueira é cronista, articulista e correspondente de Via Fanzine no Rio de Janeiro. É editor do portal Política&Afins.

 

- Foto: Divulgação.

 

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Escândalo da Presidência:

No Brasil, a Lei de Talião da política é impiedosa

O filme apresenta até a numeração das notas dos pacotes de dinheiro utilizados na sequência dos obscuros entendimentos com a participação do Palácio do Planalto. Nos pacotes foram colocados chips para assegurar a exibição dos conteúdos.

 

Por Antônio Siqueira*

Do Rio de Janeiro.

Para Via Fanzine

18/05/2017

  

Temer emporcalha definitivamente a sua imagem. Deve renunciar.

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Seja qual for o desfecho da delação praticada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS e da Friboi, uma coisa é certa: o governo Michel Temer explodiu e o presidente da República flutua no espaço vazio. Foi uma bomba no cenário político do país porque revelou – reportagem de Lauro Jardim e Guilherme Amado na edição de O Globo online – a existência de filme e gravação mostrando a concordância de Temer com operação de suborno para assegurar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha quanto ao envolvimento do presidente da República no esquema desvendado pela Operação Lava-Jato.

 

O filme apresenta até a numeração das notas dos pacotes de dinheiro utilizados na sequência dos obscuros entendimentos com a participação do Palácio do Planalto. Nos pacotes foram colocados chips para assegurar a exibição dos conteúdos. A posição do presidente Michel Temer, ao aceitar a realização da Operação Eduardo Cunha, tornou-se automaticamente insustentável. Perdeu as condições de permanecer presidindo o país.

 

Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”.

 

Além de Temer, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) também foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

 

A repercussão do furo jornalístico de Lauro Jardim e Guilherme Amado foi imediata na Câmara e no Senado. Os deputados da Oposição se apressaram em pedir o impeachment de Michel Temer. O presidente Rodrigo Maia se esforçava, mas não conseguia conter os ânimos, até porque não tem carisma e não merece respeito. Apressou-se em dar a volta na Praça de carro para se dirigir ao Palácio do Planalto e pedir instruções a Temer, que estava quase tendo um enfarte e não sabia o que fazer. Os  ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) estavam tão abalados quanto Temer, porque sabem que o presidente será inevitavelmente afastado e eles perderão o foro privilegiado. E assim as reformas da Previdência e das leis trabalhistas foram literalmente para a cucuia.

 

A política é algo imprevisível. E como dizia o historiador Hélio Silva, a história não espera o amanhecer. O Brasil acordou na quarta-feira com um panorama de rotina.  Vai acordar nesta quinta-feira com uma outra realidade, dentro de uma sequência extremamente crítica. Assim se descreve os imprevistos do acontecer. Piada de humor negro – Mantega agora não pode dizer que a mulher está sendo operada, porque no caso das propinas ele próprio era o operador.

 

Vergonha, a palavra de um momento delicado, incauto, sem sentido...O Brasil sangra. Se Temer ainda tiver um mínimo de juízo, tem de renunciar logo ao mandato e se livrar do sofrimento de um inevitável processo de impeachment, que levará entre quatro e seis meses. Aos 76 anos, já deu o que tinha de dar, precisa voltar para casa, educar o filho pequeno, para que se torne um homem de bem e não repita seus erros, e ser consolado pela esposa, que é recatada e do lar. É mais prudente que Temer se recolha à sua insignificância pelo resto de seus dias. Os brutos também amam e assim caminha a humanidade. 

 

Joesley Batista entregou à Procuradoria-Geral da República uma gravação que piora de forma descomunal a tempestade que já cai sobre a cabeça de Aécio Neves (PSDB-MG). No áudio, o presidente do PSDB surge pedindo nada menos que R$ 2 milhões ao empresário, sob a justificativa de que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato. O diálogo gravado durou cerca de 30 minutos. Aécio e Joesley se encontraram no dia 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo. Quando Aécio citou o nome de Alberto Toron, como o criminalista que o defenderia, não pegou o dono da JBS de surpresa. A menção ao advogado já havia sido feita pela irmã e braço-direito do senador, Andréa Neves. Foi ela a responsável pela primeira abordagem ao empresário, por telefone e via WhatsApp (as trocas de mensagens estão com os procuradores). As investigações, contudo, mostrariam para a PGR que esse não era o verdadeiro objetivo de Aécio. O estranho pedido de ajuda foi aceito. O empresário quis saber, então, quem seria o responsável por pegar as malas. Deu-se, então, o seguinte diálogo, chocante pela desfaçatez com que Aécio trata o tema:

 

— Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança — propôs Joesley.

 

— Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho — respondeu Aécio.

 

O presidente do PSDB indicou um primo, Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. Fred, como é conhecido, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. Tocava a área de logística. Aécio, que já nasceu rico, joga na lama a memória de seu avô Tancredo Neves e de seu pai, o ex-deputado Aécio Cunha, dois homens ricos e simples, que jamais se mostraram adoradores do deus Dinheiro. Aécio recebeu o legado dos votos, mas não herdou a dignidade da família Neves. Sua mãe, Inês Maria Neves Faria, ficou viúva do banqueiro Gilberto Faria, é uma das mulheres mais ricas do país. Mas é Aécio é como seu contraparente Sérgio Cabral, que se casou com Susana Neves e entrou para a política sob as benções da família de Tancredo. Aécio e Cabral são dois grandes amigos e agora têm um encontro marcado na cadeia. E o pior é que se comprova a ligação com a famiglia Perrela, envolvida no estranho caso do helicóptero carregado de cocaína, que não deu em nada, apenas o piloto foi processado. Ainda há quem acuse a Lava Jato de só incriminar/perseguir os petistas… O fato concreto é que a fila está andando, já entrou na esfera estadual e o Judiciário não perde por esperar. Diante dessa barbaridade, que deixa o verdadeiro Temer desnudado em público, se o TSE evitar a cassação dele, separando as contas das chapas, é melhor fechar para balanço.

 

Pode até não sofrer impeachment, embora seja este o seu caso, vista sua participação seja pelo ângulo político seja pelo ângulo jurídico. Pode escapar do impedimento, mas não escapará de si mesmo. Já nem é caso de impeachment, terá mesmo de renunciar. Não pode mais permanecer na presidência do país. Perdeu as condições básicas para isso. Tornou-se réu perante a opinião pública de um processo de corrupção no qual deixou nítida sua participação. Basta lembrar que o ex-deputado Eduardo Cunha encontra-se na carceragem de Curitiba, condenado pela Operação Lava-Jato e com a cassação de seu mandato confirmada por 90% dos integrantes da Câmara. Votaram a favor de sua cassação 450 deputados federais.

 

Quem com ferro fere...No Brasil A Lei de Talião da Política é impiedosa.

 

* Antônio Siqueira é cronista, articulista e correspondente de Via Fanzine no Rio de Janeiro. É editor do portal Política&Afins.

 

- Foto: Divulgação.

 

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Biografias não autorizadas:

Ninho de Serpentes

O sucesso da música popular brasileira fez com que artistas passassem

a enxergar a vida e o mundo pela perspectiva da caixa registradora.

 

Por Antônio Siqueira*

Do Rio de Janeiro.

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18/12/2013

  

Todo brasileiro acaba pagando o preço da glória de seus presidentes ou de seus ídolos.

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Essa gente que foi censurada no passado topa agora vestir a carapuça de censores. É esse o preço que pretendem pagar por alguns tostões a mais na conta bancária no final do mês? Claro! Quem acredita nos singelos versos de um musico poeta, acredita em Papai Noel e Mula sem Cabeça. Não só os políticos emporcalham a história deste país, mas os artistas deste país, também! Por dinheiro destroem suas próprias famílias, roubam parceiros, sangram suas relações, negam paternidades biológicas e, agora, combatem o próprio povo. Aqueles que sustentam suas satisfações parasitárias. É preciso parar e refletir um pouco sobre o que é bom ou péssimo para nós.

 

Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, João Gilberto e o "engessado" e sem ritmo, Roberto Carlos. Este último, já não esconde seu interesse puramente financeiro. Como se publicar livros no Brasil fosse um negócio da China! Talvez se essas biogramerdas fossem agir no inconsciente coletivo como essas imundices de auto-ajuda que invadem as prateleiras das livrarias todos os dias, quem sabe?! Mas chega ser risível, beirando ao ridículo. Principalmente a biografia "Roberto Carlos em Detalhes" de um tal de Araújo, que me aventurei a ler por pura curiosidade mórbida, pois tenho lá meus "bodes". Tacanha; tanto minha decisão de ler aquele lixo, quanto a própria publicação. E o lixo ainda tem lá suas vantagens, se este for reciclado com tecnologia e boas intenções.

 

Por isso espanta e dói ver essa "gente", que podia e devia ser a "gente do bem (apesar de não ver talento algum em um deles)", transformar-se em “gente” do mal, o grupo da censura. Estão agora mais disfarçados, envergonhados, mas sempre gulosos e insaciáveis. Continuam cercando o Congresso Nacional, tentando garantir em lei a censura às biografias, seja em livros, filmes, televisões, revistas, jornais. Ainda bem que na semana passada o STJ (Superior Tribunal de Justiça) derrotou uma ação de João Gilberto, que tentava tirar das livrarias, confiscar, queimar uma singela biografia dele. Biografias, diga-se de passagem, ridículas, sem nenhum cunho cultural-histórico ou coisa parecida. E que representam, mal e parcamente, no máximo 3% do mercado editorial do país. Porquê não processam os autores, caso se sinto aviltados? Não! VAMOS CENSURAR! Mas se nos derem uma participação financeira, aceita-se o estupro. Estamos feitos!

 

Em outubro, a Folha de São Paulo publicou um Editorial assinado pelo "Procure Saber". Não parece ter sido redigido por Paula Lavigne, semi-alfabetizada que é, mas era asquerosamente autoritário.

 

Todo brasileiro acaba pagando o preço da glória de seus presidentes ou de seus ídolos. E se você for contar nos dedos das mãos os ídolos nacionais (Tiradentes, Getulio, Juscelino, Pelé...), não há como deixar de incluir a trinca Roberto Carlos, João Gilberto, Gilberto Gil. O sucesso da música popular brasileira fez com que esses artistas passassem a enxergar a vida e o mundo pela perspectiva da caixa registradora. O contrassenso se mostra no fato de que a maioria desses artistas sempre foi de esquerda, e na década de 1960 não estava lutando pela democracia coisa alguma, e sim por um regime ditatorial comunista. A censura, portanto, faz parte de sua visão de mundo desde sempre. Não mudaram nesse aspecto.

 

Até quando iremos pagar tão caro para que estes ídolos nos salvem? Digo "iremos" de um modo geral, é claro. A expressão idolatria não faz parte do meu dicionário, idolatria é o cacete!

 

Neste espaço, será cada vez mais rara a menção da MPB Moderna. Talvez alguns “uns e outros” em início de carreira, amigos que, como eu, empunho e toco alguns instrumentos. Amigos ou não... Que tenham talento somente. Mas que são loucos o bastante para tentar a sorte neste ninho de serpentes que é o nosso showbiz.

 

"A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las."

(Santo Agostinho)

 

* Antônio Siqueira é cronista, articulista e correspondente de Via Fanzine no Rio de Janeiro. É editor do portal Política&Afins.

 

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Rio de Janeiro:

Caos e displicência para enfrentar tempestade

Pela manhã, Eduardo Paes aparecia na televisão e dizia, “O Rio não está preparado para nada disso. De zero a dez, a nota do Rio é zero”. E o que ele faz para melhorar essa nota vergonhosa?

 

Por Antônio Siqueira*

Do Rio de Janeiro.

Para Via Fanzine

12/12/2013

 

 

No mesmo julgamento, o TRE-RN manteve o afastamento da prefeita

de Mossoró, Cláudia Regina, e do vice-prefeito, Wellington Filho. 

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Há muito não se via nada igual nesta cidade maravilhosa. Começou a chover forte a partir de 5 horas da tarde da segunda-feira, 09/12, daí em diante, tudo se agravou. Nenhuma providência. Ocorreram 16 mortes até o momento e o Rio continua intransitável, exceto os trabalhos da Polícia Militar, nenhuma providência foi tomada. Muitos perguntam onde está a Rio Águas e seus engenheiros, geógrafos e Topógrafos que recebem salários de até R$ 15 mil.

 

Pela primeira vez nos últimos 50 anos, vimos a Lagoa Rodrigo de Freitas transbordar, em todos os seus 7,4 mil metros de extensão. O Rio Maracanã inundou mais uma vez, mas isso é rotina de sempre, sem solução.

 

As Linhas, Amarela e Vermelha estão cobertas de água e há vários veículos parados ali por horas. Os ônibus desapareceram, um pouco por impossibilidade de trafegar e por ordem da Fetranspor, o órgão mais poderoso da cidade.

 

Como consequência, milhares de pessoas durante horas foram se acumulando nas ruas. Não havia como chegar em casa e, lógico, agora, como ir ao trabalho. Enquanto isso, o prefeito confortavelmente acomodado em casa, parecia não querer saber de nada. Quando foi para casa, a cidade já era um caos, assim mesmo foi para o seu refúgio e não mais saiu.

 

“Recorram à Defesa Civil”, recomendou o prefeito. Mas talvez ele queria dizer, “não me telefonem mais, não posso fazer nada”. Lembrando que um dos prefeitos mais populares de Nova Iorque, (La Guardia, eleito e reeleito) saía de casa tarde da noite para tomar providências sobre um grave acidente de trânsito e incêndio. Seus auxiliares recomendavam, “Pode ir para casa, nós resolveremos”. E La Guardia, convicto, “Tenho que ficar aqui, ninguém me pediu para ser prefeito, eu é que me apresentei, tenho que enfrentar os problemas”.

 

Exatamente o contrário ocorre com Paes e Cabral. Em compensação, Michael Bloomberg, último alcaide da maior metrópole do mundo, indica Eduardo Paes para presidente do Grupo C40 das Grandes Cidades para a Liderança Climática, grupo dos prefeitos das 40 maiores cidades do planeta. Onde anda a coerência destes homens? E se um fenômeno idêntico ocorrer durante a Copa do Mundo ou nas Olimpíadas de 2016? Não é raro chover por aqui em junho ou julho.

 

Pela manhã, Eduardo Paes aparecia na televisão e dizia: “O Rio não está preparado para nada disso. De zero a dez, a nota do Rio é zero”. E o que ele faz para melhorar essa nota vergonhosa? Vai continuar chovendo e o prefeito continuará refugiado no seu conforto, que é o desconforto de toda a população. Provavelmente, o número de mortos deve aumentar. As aulas em todo o Rio foram suspensas, rios e ribeirões continuam inundando.

 

Contudo, o prefeito do Rio não está sozinho no descaso e desinteresse. O governador Cabral também não saiu de casa, apesar do temporal ter atingido regiões que não são apenas da capital, pertencem ao Estado, como toda a Baixada e Niterói.


Descuidado e displicência de Eduardo Paes

 

Durante toda a manhã, o prefeito Paes ficou falando na televisão, sendo repetitivo e afirmando bobagens. Perguntado sobre a Praça da Bandeira, “que sempre inunda e fica intransitável com qualquer chuva”, respondeu: “Esse é um problema crônico, não há o que fazer”. Um prefeito afirmar que “problemas não têm soluções” deveria apresentar o seu pedido de renúncia.

 

E repete inúmeras vezes: “O problema se agravou por causa da maré alta”. É um primário, as mais diversas regiões não têm nada a ver com a maré alta. O prefeito insistiu no “apelo”, para que “as pessoas não saiam de casa, fiquem em casa, para diminuírem as dificuldades”. Isso seria possível se as pessoas tivessem opções de conforto e facilidade como Sua Excelência.

 

Em relação ao “apelo” para não sair de casa, o prefeito poderia distribuir o livro de Bob Hope, grande sucesso de uma época: “Eu nunca saí de casa”. Bestial, prefeito.

 

Sujeito sem categoria, o nosso “Dudu Malvadeza”!

 

* Antônio Siqueira é cronista, articulista e correspondente de Via Fanzine no Rio de Janeiro. É editor do portal Política&Afins.

 

- Foto: Divulgação.

 

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