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 Sil Thomas

 

Carpe diem:

Dia feliz?

A sensação de ficar em casa sem nada fazer, apenas curtindo as horas passarem com a família parece que ficou obsoleto, como se fosse uma ofensa à vida.

 

Por Sil Thomas*

De São Paulo-SP

Para Via Fanzine

16/05/2018

 

Até os poetas utilizam o carpe diem para falarem alegrem-se: vivam o momento.

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Hoje é um dia calmo de domingo, estou diante da minha janela olhando a serra, está coberta por nuvens baixas, embora não chova fica claro que o frio permanecerá por um longo tempo ainda. Um dia tranquilo, ou chato como muitos resolvem falar, pois significa que ficarei em minha casa e que nela estarei o resto da tarde.

 

Para muita gente, ficar em casa com a família é algo horroroso como se fosse um crime, ainda mais quando se tem um adolescente nela, o termo curtir a vida parece ganhar uma grande dimensão como se fosse algo obrigatório. O curtir inclui uma balada ou sair para algum lugar, gastar dinheiro.

 

A sensação de ficar em casa sem nada fazer, apenas curtindo as horas passarem com a família parece que ficou obsoleto, como se fosse uma ofensa à vida. Mas estou tão tranquila vendo meu filho com seus amigos, assisto à televisão, passeio com minha cachorra e tudo parece tão perfeito, tão alinhado. Onde está o crime nisso tudo?

 

Respondo que estamos nos tornando produtos de consumo, deixando de sermos pessoas, para sermos máquinas perfeitas de uma bela tarde no shopping, ou uma noite agitada com muita bebida e “alegria”.

 

Aí pergunto para mim mesma: se me sinto feliz por que me sinto culpada de não sair para gastar meu dinheiro? Afinal as propagandas são tão insinuantes nesse ponto, saiam e curtam o momento!

 

Até os poetas utilizam o carpe diem para falarem alegrem-se: vivam o momento. Mas, nesse caso o aproveitar ganha uma esfera diferente da que vivemos, significa vivenciar o belo e a simplicidade de um momento, mesmo que signifique ficar em casa olhando pelo vão da janela.

 

Acredito me enquadrar na segunda hipótese, aproveito meu momento com a graça oportuna e a virtude de ficar desobrigada de fazer qualquer coisa que me induzam ou que me mandem.

 

Se me transformarei em um ser antissocial? Com certeza não, conviver com os outros também é, ficar de “bobeira”, conversar, sorrir e ficar em casa ou no prédio sem tocar na carteira.

 

Então resolvo abrir minha janela e olhar a serra nublada, é tão linda! Ver meu filho com os amigos por perto me parece tão simples tão feliz. Que a sociedade me perdoe, mas as propagandas de família feliz em parques e em shoppings, talvez não estejam tão felizes. Talvez o que estou fazendo nessa tarde seja a felicidade que eu precise nesse momento.

 

Isso me lembra, por acaso não será o carpe diem dos poetas?

 

- Carpe diem é uma frase em latim de um poema de Horácio, e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento. É também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro.

 

* Sil Thomas é cronista, escritora independente e colaboradora de Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

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Negócio:

Sanduíche Natural

Foi à praia tentar relaxar e lá viu o que achou que fosse sua tabua de salvação: vendedores indo de um lado para o outro, vendendo comida, objetos de nenhum valor.

 

Por Sil Thomas*

De São Paulo-SP

Para Via Fanzine

09/04/2018

 

Depois de horas de preparação entre verduras, patês e de uma sujeira inacreditável, fez os sanduíches, satisfeita sorriu. Estava preparado o seu futuro investimento praiano.

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Tentar fazer o dinheiro render mais é uma tarefa que qualquer cidadão brasileiro conhece com perfeição, afinal os salários não nos permitem sonhar muito alto, somos obrigados a fincarmos os pés no chão, e seja que Deus quiser! Porém tem pessoas que tentam de tudo...

 

Esse é o caso de uma grande amiga minha, formada e bem educada em São Paulo, aprendeu que tudo poderia ser o que ela quisesse, até perceber que teria que se virar sozinha e depender dela mesma.

 

Salpicou de vários empregos, fazendo de tudo um pouco, tentou se reinventar de todas as formas possíveis; fez cursos de várias coisas, aprendeu inglês com dificuldade, cursou uma pós-graduação. Sujeitou-se a situações degradantes, falta de pagamento, permutas com salário. Até que se afundou em dívidas e um profundo descontentamento.

 

Foi à praia tentar relaxar e lá viu o que achou que fosse sua tabua de salvação: vendedores indo de um lado para o outro, vendendo comida, objetos de nenhum valor. Observou com muita devoção, e decidiu dar uma guinada em sua vida.

 

Foi ao mercado, comprou: cenoura, alface, condimentos, pães. Gastou uma boa soma em dinheiro. Voltou para casa e abriu a sua internet em receitas de sanduíches naturais, leu com atenção, descartando os que ficassem muito caros, avaliou cada detalhe e com um sorriso foi para cozinha; território quase nunca explorado por ela!

 

Depois de horas de preparação entre verduras, patês e de uma sujeira inacreditável, fez os sanduíches, satisfeita sorriu. Estava preparado o seu futuro investimento praiano.

 

No dia seguinte, colocou um chapéu de abas largas, um óculos escuro e um belo batom, não se esqueceu do protetor solar, afinal não precisava ficar de qualquer jeito para vender seus sanduíches na praia.

 

Andou com sua mala térmica sorridente até o calçadão, quando viu o mar, suas pernas tremeram, sentiu um nó na garganta e pensou: Como vou vender isso?

 

Ela era péssima para vender qualquer coisa, sempre levava calote ou nunca conseguia nada.

 

Respirou fundo, se concentrou no futuro e nas possibilidades e foi para a areia, passou em cada grupo de pessoas e de forma tímida falou:

 

- Sanduíches naturais, o senhor aceita?

 

Depois da primeira grunhida, percebeu que sua abordagem teria que ser mais rasteira.

 

- Lanches naturais!

 

Andou, suou, cansou, sentiu areia até onde não podia, desanimou, por nada vender, depois de quase uma hora e meia fazendo o doce percurso do mar, sentou-se em um banco e tristemente percebeu que estava exausta e nada tinha acontecido, com exceção de dois lanches.

 

Ali nada conseguiria, achou-se um fracasso total, abriu sua mala e pegou um de seus lanches, devorou de imediato, achando um presente dos Deuses, comeu outro e por fim ajeitou-se em uma sombra. Ouvindo o mar.

 

Decidiu então, fazer a única coisa que deveria, tirou seu tênis, pediu para um desconhecido olhar sua maleta e correu para junto do mar, onde deu um grande mergulho aproveitando a única coisa que podia. Afinal, poderia perder um belo dia de sol?

 

* Sil Thomas é cronista, escritora independente e colaboradora de Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

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Sem graça pra cachorro:

Um fora do cão

O assunto escolhido foi sobre cachorros, sim!

A fofura desses bichinhos que parecem viver as nossas vidas. 

 

Por Sil Thomas*

De São Paulo-SP

Para Via Fanzine

07/03/2018

 

Por dias ela aprendeu que um fora é sempre um fora,

mas se tratando de seu chefe é ainda pior!

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Quando estamos no trabalho quase não temos tempo de falarmos sobre nada, o corre-corre é grande e danoso, nunca nos vemos ou paramos para nada. Mas quando o fazemos podemos nos deparar com fatos estranhos ou dignos para contar.

 

Em um desses momentos Janete se viu presa na terrível sala dos professores, ambiente sem ar condicionado e com uma cafeteira equivalente a um filme de terror, o calor era intenso e o cheiro de suor era ainda mais contagiante. Sem ter o que fazer se viu no meio de outras pessoas que, como ela, estavam ali. Daí veio à solução para o problema: conversar sobre qualquer assunto.

 

Não pensem que alguém escolheu falar sobre a educação, porque se isso fosse feito seria ainda mais desolador. O assunto escolhido foi sobre cachorros, sim! A fofura desses bichinhos que parecem viver as nossas vidas.

 

Falaram de comida, de gracinhas, de vacinas, até que um tililim se fez notar. Janete pediu licença e atendeu seu telefone, o assunto continuou, afinal era um meio de tarde e parecia que uma mutirão de cachorrinhos desfilava pela sala dos professores.

 

Janete ouviu a pessoa do outro da linha, atendeu e conversou, estando perto das outras professoras e com seus ouvidos ocupados com as lamentações do outro lado da linha. Quando conseguiu desligar tentou voltar ao assunto, se fazer notar no meio da conversa que acontecia animadamente, quando ouviu de sua coordenadora:

 

- Eu acordei toda lavada de fezes! Foi terrível, tive que tomar um banho e lavar toda a minha cama!

 

Janete acreditando que se tratava do mesmo assunto ouviu tudo calada com a devida atenção, rindo com as outras, ouvindo sobre a trajetória do banho, do despertar funesto entre outros.

 

Ela riu e tentando entrar na conversa novamente sentenciou:

 

- Qual raça?

 

- Raça?

 

- Sim qual a raça do cachorro?

 

Um silêncio mordaz se fez. A expressão da outra se fechou e contraiu-se de uma só vez, Janete percebeu que algo estava errado, foi quando a resposta veio.

 

- Raça humana.

 

- Humana? Tomou Janete sem saber o que fazer.

 

- Sim, estou falando de minha netinha!

 

Sem saber o que falar e o que fazer, ela tentou fazer o que nunca se tenta nesses momentos: aliviar a situação.

 

- Nossa você nem parece que é avó!

 

Por dias ela aprendeu que um fora é sempre um fora, mas se tratando de seu chefe é ainda pior!

 

* Sil Thomas é cronista, escritora independente e colaboradora de Via Fanzine.

 

- Imagem: Pixabay/Divulgação.

 

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Comemoração:

Dia dos namorados: o terror

Condenada à solidão, ela resolveu entrar na internet para conversar com outra alma aflita, navegou muito e não achou ninguém interessante, até que um apelido chamou sua atenção: O Encalhado do dia 12.

 

Por Sil Thomas*

De São Paulo-SP

Para Via Fanzine

08/06/2017

 

O Dia dos Namorados pode ser triste

para quem não estiver acompanhado.

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Toda vez que o dia 12 de junho se aproxima gosto de ver os cartões, os presentes e as propagandas dessa data, tudo parece conspirar para o amor divino. Claro que para isso é necessário que você esteja com um possível namorado. Caso contrário, torna-se desesperador passar essa data depois de certos anos.

 

Quando se é menina ninguém se preocupa com isso, a história do “ficar” parece extinguir o romance. Quando se tem 20 e poucos anos, começa a se desejar isso. Aos trinta é estranho ficar sempre sozinha nessa data. Pior é quando se tem mais de quarenta e toda sua família parece realizar uma oração em conjunto para ver se desencalha a moça.

 

Esse é o caso de uma amiga minha, que percebendo que a tal temida data se aproximava fez uma peregrinação em todos os cantos possíveis para reverter á situação. Sites de relacionamento, chats, paqueras sensuais ou quase isso, em bares, tudo que estava ao seu alcance ela fez. Com ardor rezou inúmeras vezes a Santo Antônio, pediu até para o santo Expedito, das causas impossíveis.

 

Da noite para o dia, tornou-se uma fiel devota a tudo, fazendo promessas e rezando a Deus, até simpatias realizou com grande esperança. Porém, nada aconteceu, chegando o terrível dia, percebeu desesperadamente que passaria outra fez sozinha.

 

Um dia antes da data, ela jogou-se contra a cama amaldiçoando sua forma física, sua falta de competência e tudo mais, terminou as lamentações em um pote de sorvete e em um quilo de chocolate. Quase passou mal de tanto comer. Porém tudo se justificava, afinal todos comemorariam o Dia dos Namorados e mostrariam os cartões e os presentes uns para os outros. Menos ela!

 

Condenada à solidão, ela resolveu entrar na internet para conversar com outra alma aflita, navegou muito e não achou ninguém interessante, até que um apelido chamou sua atenção: O Encalhado do dia 12.

 

Achando que fosse uma graça pela data, deu um oi no teclado e esperou a resposta, o que começou como uma brincadeira tornou-se uma conversa divertida e interessante, onde ela descobriu que o Encalhado tinha 42 anos, era solteiro e desiludido do amor.

 

Passaram a noite conversando pela rede, ela não percebeu quando amanheceu o dia, trocaram número de celular e se falaram pelo telefone. O dia 12 passou com uma conversa intrigante e gostosa, fazendo-a perceber que não era a única a se sentir só.

 

Após meses de conversa virtual e juras de amor, casaram-se este ano no dia 12 de junho, fazendo promessas de um amor eterno de um Encalhado para uma Encalhada...

 

* Sil Thomas é cronista, escritora independente e colaboradora de Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

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Uma memória:

Fora de Natal

Chegou o momento do presente de minha prima, embrulho carmim em mãos, sorriso no rosto e lá fui eu, entreguei, nos abraçamos, nos beijamos, ela agradeceu sorridente e abriu o presente...

 

Por Sil Thomas*

De São Paulo-SP

Para Via Fanzine

25/05/2017

 

Examinei a embalagem com atenção, percebi que estava intacta,

o que me agradou, não tinha como ela não gostar do presente.

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É engraçado como as pessoas ao término do ano se preocupam com os presentes, mas do que a alegria natalina, o festejo com a família, os enfeites que enchem as vitrines com um quê de especial; iluminando tudo como se a noite fosse um dia claro. Tudo parece levar ao mágico, ao fascinante, como se tudo pudesse se resolver...

 

Porém, desde pequenos somos obrigados a esperar pela barganha que é realizada em todas as noites de Natal, após a grande ceia e a confraternização, nos sentamos e trocamos os famigerados presentes, que podem variar de bolso em bolso, mas que ainda sim, são sempre esperados e requisitados.

 

Foi em uma dessas ocasiões que me deparei com uma impossibilidade financeira, tinha gasto mais do que podia e ainda sim, não havia comprado todos os presentes necessários para todos. A família é grande e isso pesa no bolso!

 

Resolvi pelo caminho do pão-durismo. Vi em meu armário um frasco de perfume ainda na caixa, que era uma graça, que eu nunca havia usado e nem iria usar, por não fazer meu gosto, perfume caro por sinal. Seria um excelente presente para aquela prima que eu nunca via, mas que sempre precisava dar um presente. Examinei a embalagem com atenção, percebi que estava intacta, o que me agradou, não tinha como ela não gostar do presente. Era perfeito!

 

Lá fui eu para o Natal, a noite da família!

 

Minha prima estava lá, toda sorridente e cheia de conversa. Contarei algo: sempre gostei dela, só não queria estourar ainda mais meu cartão.

 

Revi toda a família, caprichei na conversa, nas risadas, comemos muito, a cheia estava perfeita, mesmo o excesso de sal na comida, não importava. Só faltavam os cachorros! A fatídica hora chegou, a meia-noite em ponto nos sentamos diante uns dos outros para a troca dos presentes.

 

Com o coração em paz, pensei que dessa vez iria agradar a todos, recebi vários presentes, alguns que não gostei, outros que iria trocar e outros que gostei.

 

Chegou o momento do presente de minha prima, embrulho carmim em mãos, sorriso no rosto e lá fui eu, entreguei, nos abraçamos, nos beijamos, ela agradeceu sorridente e abriu o presente, ao ver o perfume sorriu de forma larga e satisfeita, falando que tinha adorado, afinal o perfume não era barato!  Devo admitir que não senti dor na consciência com o que eu fiz, mas... algo deu errado...

 

Ela veio com o olhar sério, o perfume não estava em suas mãos, mas havia algo, um papel brilhante e colorido.

 

- Prima. Disse ela me olhando, meu coração disparando.

 

- Fale.

 

- Você se esqueceu de tirar o cartão de aniversário, está bem poético, deseja a você muitos anos de vida.

 

Corei de cima pra baixo, de baixo para cima, o que falei? Nada! Teria algo a dizer? No próximo ano estourarei meu cartão!

  

* Sil Thomas é cronista, escritora independente e colaboradora de Via Fanzine.

 

- Imagem: Divulgação.

 

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